Imagens disruptivas: elementos surrealistas na concepção de história de Walter Benjamin

Autores

DOI:

https://doi.org/10.1590/0101-3173.2020.v43n2.03.p39

Palavras-chave:

imagem dialética, iluminação profana, surrealismo

Resumo

No Manifesto surrealista, de 1924, Breton explicita o produto da atividade surrealista como uma “luz de imagem”, gerado pela aproximação involuntária de duas realidades distantes. Essa estrutura dupla da imagem surrealista tem um caráter disruptivo, que rompe com a nossa percepção da realidade cotidiana. Com isso, abre-se a possibilidade de um espaço para a crítica social e histórica, bem como para uma intervenção estético-política justamente em uma sociedade na qual as formas tradicionais de crítica parecem estar neutralizadas. Essa experiência surrealista e esse espaço aberto por ela Walter Benjamin caracteriza respectivamente com a fórmula “iluminação profana” e “espaço de imagem” (Bildraum). Ambos apresentam uma grande semelhança com alguns pontos e consequências, em seus conceitos, tanto de “imagem do pensamento”, como de “imagem dialética”, sobretudo na medida em que esses conceitos também são formulados em meio à crise cultural da sociedade europeia, nos 1920, e buscam uma saída revolucionária para a mesma. Trata-se de investigar aqui, por meio de uma análise comparativa dessas concepções de imagem, até onde vai a influência e a relevância do surrealismo para o pensamento figurativo-dialético de Benjamin e para sua compreensão da história.

Recebido: 27/10/2017
Aceito: 30/6/2019

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Biografia do Autor

Francisco De Ambrosis Pinheiro Machado, Universidade Federal de São Paulo

Professor doutor do Departamento de Filosofia, atuante nas áreas de Estética e Filosofia da Arte, bem como Filosofia e Ciências Humanas. Pesquisa dedicada à Teoria Crítica, particularmente à obra de Walter Benjamin.

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Publicado

2020-06-30

Edição

Seção

Artigos/Articles