Sobre a negatividade conceitual do sentimento ou a filosofia schopenhaueriana da linguagem

Autores

Palavras-chave:

conceito, sentimento, filosofia, Schopenhauer, Música

Resumo

Arthur Schopenhauer possui uma concepção acerca da natureza do conceito que atravessa o seu pensamento, desde o início de sua produção filosófica. Inicialmente abordado a partir de sua acepção racional abstrata, em O mundo como vontade e como representação, o conceito adquire traços mais profundos em função do sentimento (Gefühl). O conceito “não-conceito” sentimento determinará os rumos da filosofia de Schopenhauer, ao evidenciar os limites da linguagem. A linguagem filosófica, por consequência, exprime um paradoxo, pois pretende expressar em linguagem abstrata um conteúdo concreto cuja natureza não pode ser por ela determinado. Por ser um construto conceitual abstrato, a linguagem filosófica possui um estatuto ontológico secundário e, portanto, incompleto, em relação ao conteúdo da realidade concreta. Este artigo pretende mostrar que os sentimentos são, nesse sentido, o meio não conceitual que esclarece a própria natureza dos conceitos e, por consequência, a via não-filosófica que paradoxalmente melhor expressa o conteúdo da filosofia. No registro do sentimento, Schopenhauer reconhece na linguagem musical o âmbito de justificação adequado da linguagem filosófica.

Recebido: 29/09/2017
Aceito: 11/11/2019

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Luan Corrêa da Silva, Universidade Estadual do Ceará

Professor Substituto do Departamento de Filosofia da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Curitiba, PR – Brasil. Doutor em Filosofia pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

Referências

BARBOZA, Jair. A crítica de Schopenhauer às Críticas de Kant ou como reverenciar um mestre distanciando-se dele. In: PINZANI, Alessandro; ROHDEN, Valério (org.). Crítica da razão tradutora: sobre a dificuldade de traduzir Kant. Florianópolis: NEFIPO, 2010. p. 75-85.

MOREIRA, Fernando de Sá. Linguagem e verdade: A relação entre Schopenhauer e Nietzsche em Sobre verdade e mentira no sentido extramoral. Cadernos Nietzsche, São Paulo, n. 33, p. 273-300, 2013.

RODRIGUES, Ruy de Carvalho. Schopenhauer: uma filosofia do limite. 2011. 303 f. Tese (Doutorado em Filosofia) – Departamento de Filosofia, Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, São Paulo, 2011.

SCHOPENHAUER, Arthur. Über die vierfache Wurzel des Satzes vom zureichenden Grunde. In: SCHOPENHAUER, Arthur. Sämtliche Werke. Hrsg. von Paul Deussen. München: Piper Verlag, 1911-1942b. Bande 3. p. 101-268.

SCHOPENHAUER, Arthur. Sobre a visão e as cores. Tradução de Erlon José Paschoal. São Paulo: Nova Alexandria, 2003.

SCHOPENHAUER, Arthur. O mundo como vontade e como representação. Tradução, apresentação, notas e índices de Jair Barboza. 2. ed. São Paulo: Editora Unesp, 2015a. t. 1.

SCHOPENHAUER, Arthur. O mundo como vontade e como representação: Suplementos aos quatro livros do primeiro tomo. Tradução, apresentação, notas e índices de Jair Barboza. São Paulo: Editora Unesp, 2015b. t. 2.

SCHOPENHAUER, Arthur. Sobre a quadrúplice raiz do princípio de razão suficiente. Campinas: Editora Unicamp, 2019.

SILVA, Luan Corrêa da. A unidade ética em “O mundo como vontade e como representação” de Schopenhauer. Voluntas: Revista Internacional de Filosofia, v. 9, n. 2, p. 4-15, 2018.

Recebido: 29/09/2017 - Aceito: 11/11/201

Publicado

30-03-2020 — Atualizado em 13-07-2022

Como Citar

da Silva, L. C. (2022). Sobre a negatividade conceitual do sentimento ou a filosofia schopenhaueriana da linguagem. TRANS/FORM/AÇÃO: Revista De Filosofia Da Unesp, 43(1), 173–188. Recuperado de https://revistas.marilia.unesp.br/index.php/transformacao/article/view/7348

Edição

Seção

Artigos e Comentários