«A verdade decorada, vestida com a veste da aparência»

sobre ilusão poética no «Opponenten-Rede» de Kant

Autores

  • Fernando M. F. Silva Centro de Filosofia - Universidade de Lisboa

Palavras-chave:

Kant, ilusão, engano, filosofia, poesia.

Resumo

O presente ensaio visa debruçar-se sobre o conjunto de anotações coligidas por Immanuel Kant tendo em vista a arguição da dissertação do seu colega J. G. Kreutzfeld (registadas na Akademie-Ausgabe sob o título «Entwurf zu einer Opponenten-Rede»). Mais concretamente, pretende-se analisar a visão kantiana do tópico da ilusão poética, e o vínculo que esta forja entre as inferiores e as superiores faculdades do ânimo, a sensibilidade (os sentidos) e o entendimento. Pretende-se ainda demonstrar como, para Kant, o engano apenas suscita o fastídio do espírito, e portanto nenhum conhecimento ou prazer, ao passo que a ilusão poética promove a ficcionação dos dados da sensibilidade e respectiva promoção da tarefa do entendimento na apreciação destes, e concluir como isso mesmo é para o Filósofo um jogo que a ilusão enceta com o espírito, e do qual este extrai não só prazer, como também avanço no seu conhecimento de si e do mundo. Por fim, este mesmo jogo será apresentado por Kant como o sustentáculo principal para uma muito singular, mas sobretudo muito profícua cooperação entre Poesia e Filosofia.

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Publicado

2018-12-31 — Atualizado em 2023-02-13

Como Citar

Silva, F. M. F. (2023). «A verdade decorada, vestida com a veste da aparência»: sobre ilusão poética no «Opponenten-Rede» de Kant. TRANS/FORM/AÇÃO: Revista De Filosofia Da Unesp, 41(4), 3–30. Recuperado de https://revistas.marilia.unesp.br/index.php/transformacao/article/view/4058

Edição

Seção

Artigos e Comentários