O Homo Profanum e a potência do uso: uma proposição conceitual a partir de Giorgio Agamben

Autores

  • Caio Paz UFRJ

Palavras-chave:

Homo profanum, Potência, Uso, Sujeito, Ética

Resumo

Este artigo pretende apresentar uma proposição conceitual a partir dos escritos do filósofo italiano Giorgio Agamben. Uma das noções centrais na filosofia política dele é a de Homo Sacer, utilizada como figura paradigmática para tecer críticas à violência do direito. A partir disso, neste artigo, propõe-se um jogo com essa noção, por intermédio do sintagma Homo Profanum. Esse jogo está referido ao papel que o conceito de profanação tem, no pensamento ético agambeniano. Por meio dessa proposição conceitual, mostra-se como Agamben realiza uma crítica à tradição e à maneira como ela concebeu a noção de sujeito. Além disso, ressalta-se também como, através dos conceitos de potência e uso, o filósofo italiano oferece apontamentos para abrir o horizonte ético da modernidade. Assim, caracteriza-se a figura que se chama de Homo Profanum, com base no modo como o filósofo italiano concebe as noções de ingovernável, de uso e de forma-de-vida, que, orbitando em torno do conceito de potência, formam uma constelação conceitual a partir da qual Agamben faz indicações para pensar sua ética da profanação.

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Biografia do Autor

Caio Paz, UFRJ

Doutor em Filosofia e pesquisador de pós-doutorado no pelo PPGF da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Rio de Janeiro, RJ – Brasil. ORCID: https://orcid.org/0000-0001-9102-0338.

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Recebido: 11/05/2023 - Aprovado: 26/07/2023 - Publicado: 13/11/2023

Publicado

2023-11-13

Como Citar

Paz, C. (2023). O Homo Profanum e a potência do uso: uma proposição conceitual a partir de Giorgio Agamben: . TRANS/FORM/AÇÃO: Revista De Filosofia Da Unesp, 47(3), e0240026. Recuperado de https://revistas.marilia.unesp.br/index.php/transformacao/article/view/14593

Edição

Seção

Artigos