Notas de um pensamento da circulação e da travessia em Achille Mbembe

Autores

  • Alex Sander da Silva Universidade do Extremo Sul Catarinense (UNESC)
  • Christian Muleka Mwewa Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) https://orcid.org/0000-0002-7079-5836

DOI:

https://doi.org/10.1590/0101-3173.2022.v45esp.03.p33

Palavras-chave:

Achille Mbembe, Circulação, Travessia, “Devir negro”

Resumo

Nesse ensaio se pretende uma aproximação crítica e interpretativa sobre o conceito de “devir negro” na atualidade trazido, sobretudo, do pensador camaronês Achille Mbembe. Seu pensamento se insere num contexto de fluidez da compreensão desses temas a partir da lógica capitalista no continente africano e no mundo. Desse modo, buscou-se se refletir a constituição do pensamento de Mbembe e o modo que ele compreendeu as práticas de governamentabilidade na superação da dominação colonial. Defende-se que é preciso afirmar-se negro para negar o lugar que lhe foi imputado, ou seja, empreender um processo de negação para um “devir”. Portanto, negar-se como ‘o outro’ do ‘outro’, mas sim, afirmar-se como seu igual na diferença. Com efeito, a estereotipia negativa contra o negro e o aprofundamento das diferenças entre os grupos étnicos, ganha novas dimensões, a partir do modo de exploração capitalista.

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Biografia do Autor

Alex Sander da Silva, Universidade do Extremo Sul Catarinense (UNESC)

Professor do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade do Extremo Sul Catarinense (UNESC), Criciúma, SC – Brasil.

Christian Muleka Mwewa, Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS)

Professor e coordenador do Programa de Pós-Graduação em Educação (Campus Três Lagoas/CPTL) e do Programa de Pós-Graduação em Educação (Campus Campo Grande), ambos na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), Campo Grande, MS – Brasil.

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Recebido: 15/8/2020 - Aceito: 22/12/2020

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Publicado

2022-01-06

Como Citar

Silva, A. S. da, & Mwewa, C. M. (2022). Notas de um pensamento da circulação e da travessia em Achille Mbembe. TRANS/FORM/AÇÃO: Revista De Filosofia, 45, 33–50. https://doi.org/10.1590/0101-3173.2022.v45esp.03.p33