Macumbarias Travestis em Castiel Vitorino Brasileiro ou a Implosão do Teatro da Representação

Corpo, Gênero, Negritude

Autores

  • Marco Antônio Vieira Universidade Federal de Uberlândia

DOI:

https://doi.org/10.1590/0101-3173.2022.v45esp.14.p265

Palavras-chave:

Gênero, Corpo, Negritude, Análise Cultural, Teoria e História da Arte

Resumo

Interessa ao pesquisador como o corpo poético negro e travesti da artista Castiel Vitorino Brasileiro se contrapõe à História e ao Sistema da Arte hegemônicos, ao mesmo tempo que contribui para uma revisão de suas práticas discursivas de inclusão e exclusão, por meio de sua poiesis, sua fabulação poética, na qual a um só tempo se visita e se reinventa uma ancestralidade afroindígena, atinente às origens e religiosidade da artista. A aparição e a visão do corpo preto e dissidente de Castiel apontam para uma desestabilização do que Hubert Damisch nomeará “o teatro da representação”. Teoricamente, este texto recorre a um campo caracterizado pela interdisciplinaridade, no intuito de responder à complexidade de seu objeto de eleição: teorias decoloniais, estudos de gênero, teoria queer, filosofia, teoria lacaniana, teoria e história da arte, o que o aproximaria daquilo que a teórica holandesa Mieke Bal denomina Análise Cultural.

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Recebido: 01/6/2020 - Aceito: 17/8/2020

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Publicado

2022-01-06

Como Citar

Vieira, M. A. (2022). Macumbarias Travestis em Castiel Vitorino Brasileiro ou a Implosão do Teatro da Representação: Corpo, Gênero, Negritude. TRANS/FORM/AÇÃO: Revista De Filosofia, 45, 265–292. https://doi.org/10.1590/0101-3173.2022.v45esp.14.p265