Método e questão judaica em Hannah Arendt

Autores

  • Romildo Gomes Pinheiro Instituto Federal do Mato Grosso

DOI:

https://doi.org/10.1590/0101-3173.2022.v45n2.p239

Palavras-chave:

Método, Anti-semitismo, Arendt, Atraso

Resumo

O artigo procura identificar o núcleo metodológico das Origens do Totalitarismo, na estrutura comparativa entre França e Alemanha, espécie de sociologia histórico-comparativa na qual Arendt narra as origens do Nazismo e do Stalinismo. Nessa acepção, as origens ideológicas do III Reich e do Stalinismo devem ser buscadas no Racismo, e não na homologia estabelecida entre Nazismo e Comunismo, a partir da equivalência entre a ideologia da luta de classes e da luta de raças e a prática do Terror. Desse modo, a ideia de ruptura ou novidade do Totalitarismo a que se liga essa perspectiva, deve ser associada com a ideia de “atraso histórico”, espécie de articulação entre o novo e a conservação da velha ordem, na história das Nações Continentais. Sob essa ótica, Arendt mobiliza implicitamente a ideia de atraso histórico, a qual se encontra originalmente em Gramsci e Marx, a fim de dar conta de explicar não somente as homologias entre Nazismo e Comunismo, mas também como surgiram historicamente, no âmbito nacional e europeu, como ideologias políticas fundadas em movimentos de massas. De sorte a explicitar essa perspectiva, procura-se demonstrar, neste texto, como a ideia de “atraso histórico” opera no livro 1 das Origens do Totalitarismo, dedicado ao surgimento do antissemitismo. 

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Biografia do Autor

Romildo Gomes Pinheiro, Instituto Federal do Mato Grosso

Professor do Instituto Federal do Mato Grosso (IFMT/Campus Rondonópolis) Rondonópolis, MT – Brasil.

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Recebido: 16/8/2021 - Aceito: 22/11/2021

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Publicado

2022-03-29 — Atualizado em 2022-06-23

Como Citar

Pinheiro, R. G. (2022). Método e questão judaica em Hannah Arendt. TRANS/FORM/AÇÃO: Revista De Filosofia, 45(2), 239–262. https://doi.org/10.1590/0101-3173.2022.v45n2.p239

Edição

Seção

Artigos e Comentários