Hipótese sobre a noção de prefácio em Édouard Glissant

Autores

  • Alcione Correa Alves Universidade Federal do Piauí

DOI:

https://doi.org/10.1590/0101-3173.2022.v45esp.12.p207

Palavras-chave:

Édouard Glissant: teoria., Prefácio., Lugar., Literaturas afroamericanas.

Resumo

Este texto visa a estabelecer linhas iniciais a uma apropriação da premissa do Caribe como prefácio às Américas, conforme o ensaio Introduction à une poétique du Divers, de Édouard Glissant, compreendendo-o em um quadro de pensamento negro americano. A apropriação da premissa de Glissant almeja propor bases a uma ferramenta metodológica, fundamentada na centralidade epistemológica do lugar, subsidiando análises literárias a respeito de um corpus de literaturas afroamericanas. Este texto, inicialmente, parte da hipótese de que qualquer literatura nacional (inclusive, a literatura afro-brasileira) pode ser tomada, de modo econômico, como prefácio a um corpus mais amplo de literaturas afro-americanas.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Alcione Correa Alves, Universidade Federal do Piauí

Professor associado I na Universidade Federal do Piauí (UFPI), Teresina, PI – Brasil: nessa universidade, além de desempenhar atividades de graduação (CLE/UFPI) e de pós-graduação (PPGEL/ UFPI), coordena o Projeto de Pesquisa e Extensão Teseu, o labirinto e seu nome, assim como o Grupo DGP/CNPq Amefricanidades: lugar, diferença e violência; ademais, atualmente, é membro do Grupo DGP/CNPq Núcleo de Estudos e Pesquisas É’lééko.

Referências

ALEXIS, J. S. Do realismo maravilhoso dos haitianos. In: Antologia de textos fundadores do comparatismo literário interamericano. Tradução de Normelia Parise. Comentário de Maximilien Laroche. s.d. Disponível em: https://www.ufrgs.br/cdrom/alexis/index.htm. Acesso em: 06 jul. 2021.

ALVES, A. C. Mulheres deixam traços nas águas? Organon (UFRGS), Porto Alegre, v. 29, n. 57, p. 77-98, jul./dez. 2014. Disponível em: https://seer.ufrgs.br/organon/article/view/48291. Acesso em: 25 jan. 2021.

ALVES, A. C. Violência epistêmica, redes intelectuais, sujeitas(os) cognoscentes. In: ENCONTRO NACIONAL DA ANPOLL, XXXIII., Produção de conhecimento, liberdade intelectual e internacionalização: homenagem ao Prof. Antonio Candido. 2018. Cuiabá-MT. Anais [...] Cuiabá-MT: UFMT, Campus de Cuiabá, 2018. Disponível em: http://anpoll.org.br/eventos/enanpoll2018/wp-content/uploads/2018/06/Artigo-Anpoll-Alcione-Enanpoll.pdf#page=15&zoom=auto,-89,755. Acesso em: 25 jan. 2021.

BARIANI, E. Niger Sum: Guerreiro Ramos, o "problema" do negro e a sociologia do preconceito. Perspectivas, São Paulo, v. 34, p. 193-211, jul./dez. 2008. Disponível em: https://periodicos.fclar.unesp.br/perspectivas/article/view/2243/1848. Acesso em: 25 jan. 2021.

BHABHA, H. K. O local da cultura. Tradução de Myriam Ávila, Eliana Lourenço de Lima Reis, Gláucia Renate Gonçalves. 3. reimpr. Belo Horizonte: Ed. da UFMG, 2005 (Coleção Humanitas).

BRANCHE, J. Malungaje: Hacia una poética de la diáspora africana. In: WALSH, C. Pedagogías decoloniales: prácticas insurgentes de resistir, (re)existir y (re)vivir. Tomo I. Quito: Abya-Yala, 2013, p. 165-187 (Série Pensamiento Descolonial).

CARNEIRO, A. S. A construção do outro como não-ser como fundamento do ser. 2005. 339f. Tese (Doutorado em Educação) – Linha de Pesquisa: Filosofia e Educação, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2005.

CARPENTIER, A. Prólogo. El reino de este mundo. 4. ed. Montevideo: Arca, 1969. p. 7-14 (Narrativa Latinoamericana, 2).

CASTRO-GÓMEZ, S. Decolonizar la universidad. La hybris del punto cero y el diálogo de saberes. In: CASTRO-GÓMEZ, S.; GROSFOGUEL, R. (ed.). El giro decolonial. Reflexiones para una diversidad epistémica más allá del capitalismo global. Bogotá: Siglo del Hombre, 2007. p. 79-91.

CORTÉS, F.; RUBALCAVA, R. M. Consideraciones sobre el uso de la estadística en las ciencias sociales: estar a la moda o pensar un poco. In: MENDEZ, I.; CASANOVA, P. G. (coord..). Matemáticas y Ciencias Sociales. Ciudad de México: CEIICH-UNAM y Miguel Ángel Porrúa, 1993. p. 227-267.

CURIEL, O. Las paradojas de la política de la identidad y de la diferencia. In: Derecho, interculturalidad y resistencia étnica. Bogotá: Universidad Nacional de Colombia. Facultad de Derecho, Ciencias Políticas y Sociales. Instituto Unidad de Investigaciones Jurídico-Sociales Gerardo Molina (UNIJUS), 2009, p. 21-28.

CUSICANQUI, S. R. Ch’ixinakax utxiwa: una reflexión sobre prácticas y discursos descolonizadores. 1. ed. Buenos Aires: Tinta Limón, 2010 (Tinta Limón).

DERRIDA, J. La dissémination. Paris: Éditions du Seuil, 1972.

DEVÉS-VALDÉS, E. Introducción: la noción “redes intelectuales” y su significado para los estudios eidológicos y para pensar el futuro intelectual latinoamericano. In: Redes intelectuales en América Latina. Hacia la constitución de una comunidad intelectual. Santiago: IDEA-USACH, 2007. p. 29-36 (Coleccion Idea. Segunda Época). Disponível em: http://www.cecies.org/imagenes/edicion_408.pdf. Acesso em: 25 jan. 2021.

DEVÉS-VALDÉS, E. Prefácio. In: Pensamiento periférico. Ásia-África-América Latina-Eurasia y algo más. Una tesis interpretativa global. Ciudad Autónoma de Bunos Aires: CLACSO; IDEA-USACH, 2014. p. 12-21. Disponível em: http://biblioteca.clacso.edu.ar/clacso/se/20140217024434/PensamientoPeriferico.pdf. Acesso em: 25 jan. 2021.

DUARTE, E. de A. Por um conceito de literatura afro-brasileira. Terceira margem: Revista do Programa de Pós-graduação em Ciência da Literatura, Universidade Federal do Rio de Janeiro, ano XIV, n. 23, p. 113-138, jul./dez. 2010.

DURÃO, F. A. Reflexões sobre a metodologia de pesquisa nos estudos literários. DELTA [on-line], v. 31, n. spe, p. 377-390, 2015. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0102-44502015000300015&script=sci_abstract&tlng=pt. Acesso em: 25 jan. 2021.

EVARISTO, C. Gênero e etnia: uma escre(vivência) de dupla face. In: MOREIRA, N.; SCHNEIDER, L. (org.). Mulheres no mundo: etnia, marginalidade, diáspora. João Pessoa: Ideia; Editora Universitária - UFPB, 2005. p. 201-212.

EVARISTO, C. A Escrevivência e seus subtextos. In: Escrevivência: a escrita de nós: reflexões sobre a obra de Conceição Evaristo. Organização de Constância Lima Duarte e Isabella Rosado Nunes; ilustrações Goya Lopes. Rio de Janeiro: Mina Comunicação e Arte, 2020. p. 26-46.

FLYVBJERG, B. Making Social Science Matter. Cambridge: Cambridge University Press, 2003.

FONSECA, M. N. S. Literatura negra, literatura afro-brasileira: como responder à polêmica? In: SOUZA, F.; LIMA, M. (org.). Literatura afro-brasileira. Salvador: Centro de Estudos Afro-Orientais; Brasília: Fundação Cultural Palmares, 2006. p. 9-37.

GALEANO, E. Los nadies. In: El libro de los abrazos. 1. ed. Ciudad Autónoma de Buenos Aires: Siglo XXI; Catálogos, 1989. p. 52.

GAZTAMBIDE-GEIGEL, A. La invención del Caribe en el siglo XX. Las definiciones del Caribe como problema histórico y metodológico. Revista Mexicana del Caribe, v. 3, n. 7, 1996, p. 74-96, 1996.

GIMÉNEZ, G. El problema de la generalización en los estudios de caso. Revista Cultura y representaciones sociales. Año 7, n. 13, p. 40-61, 2012.

GIRVAN, N. Reinterpretar el Caribe. Revista Mexicana del Caribe, v. 7, p. 6-34, 1999.

GLISSANT, É. Beyond Babel. World Literature Today, v. 63, n. 4, p. 561-564, 1989. Disponível em: www.jstor.org/stable/40145542. Acesso em: 3 jul. 2021.

GLISSANT, É. Introduction à une poétique du Divers. Paris: Gallimard, 1996.

GLISSANT, É. Le discours antillais. Paris: Gallimard, 1997.

GLISSANT, É. Introdução a uma poética da diversidade. Tradução de Enilce do Carmo Albergaria Rocha. Juiz de Fora: Editora UFJF, 2005 (Coleção Cultura, v. 1).

GLISSANT, É. Haïti, point focal de la Caraïbe. Caraïbes: un monde à partager. Notre Librairie: revue des littératures d’Afrique, des Caraïbes et de l’océan Indien. Cultures Sud, Paris, n. 168, p. 28-30, mar. 2008.

GLISSANT, É. El discurso antillano. Prólogo de J. Michael Dash. Traducción de Aura Marina Boadas, Amelia Hernández y Lourdes Arencibia Rodríguez. La Habana: Fondo Editorial Casa de las Américas, 2010 (Colección Nuestros Países – Serie Estudios).

GLISSANT, É. O Mesmo e o Diverso; Técnicas. In: Antologia de textos fundadores do comparatismo literário interamericano. Tradução de Normelia Parise. Comentário de Graciela Ortiz. s. d. Disponível em: https://www.ufrgs.br/cdrom/glissant/index.htm. Acesso em: 25 jan. 2021.

GONZÁLEZ, L. A categoria político-cultural da Amefricanidade. In: GONZÁLEZ, L. Primavera para as rosas negras: Lélia González em primeira pessoa… Diáspora Africana: Filhos da África, 2018. p. 321-334.

GUERREIRO RAMOS, A. O problema do negro na sociologia brasileira. Cadernos de Nosso Tempo, v. 2, n. 2, p. 189-220, jan./jun. 1954. Disponível em: http://www.schwartzman.org.br/simon/negritude.htm. Acesso em: 21 jan. 2021.

HALL, S. Nascimento e morte do sujeito moderno. In: A identidade cultural na pós-modernidade. Tradução de Guacira Lopes Louro. 11. ed. Rio de Janeiro: DP&A, 2006.

HALL, S. Onde está o “sujeito”? In: Cultura e representação. Tradução de Daniel Miranda e William Oliveira. Rio de Janeiro: Editora PUC-Rio: Apicuri, 2016. p. 98-107.

HENRY, P. Introduction. In: Caliban’s reason: introducing Afro-Caribbean philosophy. New York: Routledge; London: Routledge; Taylor & Francis e-Library, 2002. p. 1-20.

HILL COLLINS, P. Epistemologias negras feministas. In: Pensamento feminista negro. Tradução de Jamille Pinheiro Dias. São Paulo: Boitempo, 2019. p. 401-432.

hooks, b. Negritude pós-moderna. In: Anseios: raça, gênero e políticas culturais. Tradução de Jamille Pinheiro. São Paulo: Elefante, 2019. p. 70-85.

KUHN, T. S. A prioridade dos paradigmas. In: A estrutura das revoluções científicas. Tradução de Beatriz Vianna Boeira e Nelson Boeira. 5. ed. São Paulo: Perspectiva, 1998. p. 67-76 (Debates).

LAZARSFELD, P. De los conceptos a los índices empíricos. In: LAZARSFELD, P.; BOUDON, R. Metodología de las ciencias sociales: conceptos e índices. Barcelona: Laia, 1973. p. 35-46. (Tomo 1).

MAIO, M. C. Uma polêmica esquecida: Costa Pinto, Guerreiro Ramos e o tema das relações raciais. Dados, Rio de Janeiro, v. 40, n. 1, 1997. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0011-52581997000100006&lng=en&nrm=iso. https://doi.org/10.1590/S0011-52581997000100006. Acesso em: 21 jan. 2021.

MARTÍN ALCOFF, L. Uma epistemologia para a próxima revolução. Sociedade e Estado [online], v. 31, n. 1, p. 129-143, 2016. Disponível em: https://www.redalyc.org/articulo.oa?id=339945647007. Acesso em: 21 jan. 2021.

MIRANDA, F. R. de. Corpo de romances de autoras negras brasileiras (1859-2006): posse da história e colonialidade nacional confrontada. 2019. Tese (Doutorado em Estudos Comparados de Literaturas de Língua Portuguesa) – Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2019. doi:10.11606/T.8.2019.tde-26062019-113147. Disponível em: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8156/tde-26062019-113147/pt-br.php. Acesso em: 07 jul. 2021.

OYĚWÙMÍ, O. Prefacio. In: A invenção das mulheres. Construindo um sentido africano para os discursos ocidentais de gênero. Tradução de Wanderson Flor do Nascimento; posfácio de Cláudia Miranda. 1. ed. Rio de Janeiro: Bazar do Tempo, 2021.

PIMMER, S. El pensamiento y su lugar: consideraciones epistemlógicas en torno al punto de vista feminista y el pensamiento fronterizo. Tabula Rasa. Bogotá - Colombia, n. 27, julio-diciembre 2017, p. 275-299, jul./dez. 2017. Disponível em: https://doi.org/10.25058/20112742.452. Acesso em: 21 jan. 2021.

PORTO, M B. V. Paisagens da insularidade: a poética do exíguo na literatura antilhana de língua francesa. Revista Brasileira do Caribe, Goiânia, v.VI, n. 12, p. 339-369, jan./jun. 2006. Disponível em: http://www.periodicoseletronicos.ufma.br/index.php/rbrascaribe/article/view/7566. Acesso em: 06 jul. 2021.

SAID, E. W. Cultura e imperialismo. Tradução de Denise Bottman. São Paulo: Companhia das Letras, 1995.

SEGATO, R. L. Raza es signo. In: La Nación y sus Otros: raza, etnicidad y diversidad religiosa en tiempos de políticas de la identidad. Buenos Aires: Prometeo Libros, 2007. p. 131-150.

SILVA, F. F. da. Escrevivências na Diáspora:escritoras negras, produção editorial e suas escolhas afetivas, uma leitura de Carolina Maria de Jesus, Conceição Evaristo, Maya Angelou e Zora Neale Hurston. 2011. 154 f. Tese (Doutorado em Literaturas de Língua Inglesa; Literatura Brasileira; Literatura Portuguesa; Língua Portuguesa; Ling) – Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2011. Disponível em: http://www.bdtd.uerj.br/handle/1/6077. Acesso em: 07 jul. 2021. Acesso em: 21 jan. 2021.

SILVA-REIS, D. Sobre a guianidade literária de expressão francesa: prelúdio temático. Communitas, [S. l.], v. 5, n. 10, p. 79-92, 2021. Disponível em: https://periodicos.ufac.br/index.php/COMMUNITAS/article/view/4984. Acesso em: 06 jul. 2021.

SOUSA SOBRINHO, E. C. Três ensaios traduzidos: Édouard Glissant em crítica afrodiaspórica. 2019. 101f. (Programa de Pós-Graduação em Literatura e Cultura) – Universidade Federal da Bahia, Salvador, 2019. Disponível em: https://repositorio.ufba.br/ri/handle/ri/29267. Acesso em: 06 jul. 2021.

SOUZA, L. M. N. Uma reflexão sobre os discursos menores ou a escrevivência como narrativa subalterna. Revista Crioula, v. 21, p. 25-43, 2018. Disponível em: http://www.revistas.usp.br/crioula/article/view/146551. Acesso em: 06 jul. 2021.

SOUZA, L. C. F. O poder de matar e a recusa em morrer: filopoética afrodiaspórica como arquipélago de libertação. 2019. 236f. (Doutorado Multi-institucional e Multidisciplinar em Difusão do Conhecimento – Faculdade de Educação) - Universidade Federal da Bahia, Salvador, 2019. Disponível em: https://repositorio.ufba.br/ri/handle/ri/30575. Acesso em: 25 jan. 2021.

SPIVAK, G. C. Pode o subalterno falar? Tradução de Sandra Regina Goulart Almeida, Marcos Pereira Feitosa e André Pereira Feitosa. Belo Horizonte: EdUFMG, 2010.

VASILACHIS DE GIALDINO, I. Los fundamentos ontológicos y epistemológicos de la investigación cualitativa. Forum Qualitative Sozialforschung/Forum: Qualitative Social Research, v. 10, n. 2, Art. 30, 2009. Disponível em: http://nbn-resolving.de/urn:nbn:de:0114-fqs0902307. Acesso em: 25 jan. 2021.

Recebido: 29/8/2020 - Aceito: 22/12/2020

Downloads

Publicado

2022-01-06

Como Citar

Alves, A. C. (2022). Hipótese sobre a noção de prefácio em Édouard Glissant. TRANS/FORM/AÇÃO: Revista De Filosofia, 45, 207–238. https://doi.org/10.1590/0101-3173.2022.v45esp.12.p207