Pacificando o branco

uma história da modernidade contada pelos indígenas

Autores

DOI:

https://doi.org/10.1590/0101-3173.2022.v45esp.19.p379

Palavras-chave:

Pensamento Indígena, Descolonização, Modernidade, Colonialismo, Racismo

Resumo

Apresenta-se, neste texto, a perspectiva de uma crítica da modernidade, por parte do pensamento indígena brasileiro, a partir da sua denúncia da modernização como movimento expansivo totalizante que tem, na imbricação de eurocentrismo-colonialismo-racismo e/como fascismo, seu núcleo estruturante e dinamizador. Defende-se a proposta de um pensamento-práxis indígena que oferece uma explicação alternativa da modernização, enquanto guerra de colonização calcada no racismo estrutural e tendo como consequência o etnocídio-genocídio planificado, o qual também propõe um papel epistêmico-político-normativo aos indígenas, por eles e desde suas formas de ser e estar no mundo, a saber, pacificar o branco. Com isso, inverte-se uma tripla lógica da modernidade: a modernidade como uma perspectiva endógena, autorreferencial e autossubsistente; a modernidade como movimento expansivo linear e reto, rumo ao universalismo pós-tradicional – e como universalismo pós-tradicional – via racionalidade cultural-comunicativa; e a modernidade como a condição exclusiva e necessária da crítica da modernização, da crítica do outro da modernidade e do sustento de uma noção universal de direitos humanos, os quais os outros da modernidade não conseguiriam gerar e nem sustentar.

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Biografia do Autor

Leno Francisco Danner, Fundação Universidade Federal de Rondônia

Doutor em Filosofia, com área de concentração em ética e filosofia política, pelo Programa de Pós-Graduação em Filosofia da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS). Professor de teoria política contemporânea no Departamento de Filosofia e no Programa de Pós-Graduação em Filosofia da Universidade Federal de Rondônia (UNIR).

Fernando Danner, Universidade Federal de Rondônia

Doutor em Filosofia, com área de concentração em ética e filosofia política, pelo Programa de Pós-Graduação em Filosofia da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS). Professor de ética e filosofia política no Departamento de Filosofia e no Programa de Pós-Graduação em Filosofia da Universidade Federal de Rondônia (UNIR).

Julie Dorrico, Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS)

Doutoranda em Teoria da Literatura pelo Programa de Pós-Graduação em Letras da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS). Mestre em Estudos Literários pelo Programa de Pós-Graduação em Estudos Culturais da Universidade Federal de Rondônia (UNIR). 

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Recebido: 15/8/2020 - Aceito: 25/01/2021

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Publicado

2022-01-06

Como Citar

Danner, L. F., Danner, F., & Dorrico, J. (2022). Pacificando o branco: uma história da modernidade contada pelos indígenas. TRANS/FORM/AÇÃO: Revista De Filosofia, 45, 379–414. https://doi.org/10.1590/0101-3173.2022.v45esp.19.p379