Democracia após a Primavera Árabe?

Os casos da Tunísia, Egito, Iêmen e Líbia

Autores

  • Antônio Alves Tôrres Fernandes DCP/UFPE
  • Amanda Rafaela Domingos de Lima DCP/UFPE
  • Rodrigo Galvão Pinho Lins DCP/UFPE

DOI:

https://doi.org/10.36311/2237-7743.2020.v9n3.p604-624

Palavras-chave:

Democratização, Poliarquia, Primavera Árabe

Resumo

Quais os caminhos adotados rumo a democratização pelos países que passaram pela Primavera Árabe e tiveram seus governos depostos? O objetivo do artigo é analisar os índices de democracia eleitoral dos países que tiveram governos depostos pela Primavera Árabe (Tunísia, Egito, Iêmen e Líbia). A hipótese de trabalho sustenta que a quebra de regime destes países levou a um percurso de aumento simultâneo dos direitos civis e políticas. Em outras palavras, a quebra de regime levou a um aumento simultâneo das duas dimensões que levam à Poliarquia: contestação e inclusividade. Para testar essa hipótese, adotou-se uma abordagem quantitativa através de análise descritiva dos índices de democracia, liberdade civil e direitos presentes no Varieties of Democracy (V-Dem), no Freedom House e os indicadores de contestação e inclusividade presentes no Quality of Government (QoG). Os resultados sustentam que apenas Tunísia e Líbia apresentaram uma evolução simultânea de liberdades civis e políticas após 2011 e apenas a Tunísia realizou a transição para um regime democrático.

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Biografia do Autor

Antônio Alves Tôrres Fernandes, DCP/UFPE

Antônio Alves Tôrres Fernandes é Cientista Político e mestrando em Ciência Política pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). É membro do grupo Métodos de Pesquisa em Ciência Política (DCP/UFPE) e bolsista de mestrado do CNPQ.

Amanda Rafaela Domingos de Lima, DCP/UFPE

Doutoranda, mestra (2019) e bacharela (2016) em Ciência Política pelo Programa de pós-graduação em Ciência Política da UFPE. Catalisadora do Berkeley Initiative for Transparency in the Social Sciences (BITSS, 2019) e membro do Grupo Métodos de Pesquisa em Ciência Política e do Grupo Instituições, Política e Governo, ambos da UFPE. 

Rodrigo Galvão Pinho Lins, DCP/UFPE

Doutorando e Mestre em Ciência Política pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Bolsista da Facepe. Jornalista formado pela Universidade Católica de Pernambuco (Unicap). Catalisador do Berkeley Initiative for Transparency in the Social Sciences (BITSS, 2017) e membro do grupo de Métodos de Pesquisa em Ciência Política (MPCP) da UFPE. 

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Publicado

2021-09-02

Edição

Seção

Artigos