RESSENTIMENTO E ESQUECIMENTO EM NIETZSCHE

Autores

  • Rodrigo Hayasi Pinto Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR)

DOI:

https://doi.org/10.36311/1984-8900.2019.v11.n26.09.p120

Palavras-chave:

Dever, Ética, Esquecimento, Genealogia, Liberdade, Ressentimento

Resumo

O objetivo do presente artigo é fazer uma discussão dentro do âmbito da ética a partir do pensamento do filósofo alemão Friedrich Nietzsche. Com esse objetivo em mente, pretendemos analisar dois conceitos centrais presentes na obra Genealogia da Moral, o conceito de “ressentimento” e a noção contrária vinculada a este, o “esquecimento”. O ressentimento é considerado por Nietzsche como uma força reativa, pois o tipo ressentido é aquele que não canaliza seu ódio para fora, mas para si mesmo, construindo uma espécie de vingança imaginária. Embora Nietzsche construa sua análise acerca da noção de ressentimento, dentro da esfera do cristianismo e do povo judeu, mostraremos que essa noção torna-se também rico instrumento de análise quando se trata de estudar a origem do próprio dever como fundamento da ética. Nesse sentido, a filosofia de Nietzsche transforma-se em poderoso instrumento crítico, quando se trata de compreender, por exemplo, a ética kantiana vinculada ao dever, como expressão do ressentimento. Por outro lado, o esquecimento longe de ser uma força passiva, é concebido pelo filósofo alemão como uma via ativa pela qual o homem pode libertar-se da influência negativa dos deveres, quando estes assumem a forma de uma mera imposição e comprometem a sua liberdade. Nesse caso, o esquecimento torna-se um poderoso instrumento transformador da realidade humana, pois é a partir dessa noção que é possível pensarmos numa ética constantemente renovada em que o homem longe de escravizar-se a valores e deveres absolutos cria seus próprios valores e a escala valorativa pela qual interpreta o mundo.

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Publicado

2019-03-01