ARENDT CONTRA HAYEK: ORDEM ESPONTÂNEA, HISTÓRIA E POLÍTICA

Palavras-chave: Ordem espontânea, Friedrich Hayek, Liberdade, História, Política, Hannah Arendt

Resumo

Tendo como fio condutor a questão geral da liberdade, no presente artigo é elaborada uma breve reflexão sobre os conceitos de ordem espontânea, História e política. Segundo Friedrich Hayek (1899-1992), na obra Direito, legislação e liberdade (1973), existem dois tipos de ordem: uma delas criada pela mente humana (taxis) e outra que se realiza espontaneamente (kosmos). A ordem taxis relaciona-se a uma perspectiva racional-construtivista e é característica de uma economia planificada ou dirigida, ao passo que a ordem espontânea conecta-se a uma compreensão evolucionista e corresponde a uma ordenação liberal de mercado. A partir dessas bases, Hayek elaborou uma teoria abarcante sobre os princípios liberais de economia e justiça, quese tornou um dos estandartesdo liberalismo na contemporaneidade. Nessa conjuntura, a indagação aqui proposta procura compreender se a existência de uma ordem espontânea, natural, não acaba interferindo nas possibilidades humanas de transformaçãoda realidade histórica e política. Um tal tipo de ordem, em última análise, não conduziria a sociedade derradeiramente para o fim da História, para a apatia e o conformismo? Nessa discussão sobre ordem espontânea, História e política, o conceito de liberdade irá desempenhar um papel preponderante. O pensamento político de Hannah Arendttambém oferecerávaliosos subsídios interlocutórios para a consecução do intento proposto.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Referências

ABBAGNANO, N. Dicionário de Filosofia. Tradução de Alfredo Bosi e Ivone Castilho Benedetti. 4. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2000.

ARENDT, H. A condição humana. Tradução de Roberto Raposo. 10. ed. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2007.

_______. Entre o passado e o futuro. Tradução de Mauro W. Barbosa. 6. ed. São Paulo: Perspectiva, 2009.

BOSCH, A. C. S. Hayek e Arendt frente ao neoliberalismo: notas sobre a penúltima crise capitalista. Argumentos. Fortaleza, UFC, ano 8, n. 15, p. 235-247, jan-jun 2016. Disponível em: http://www.periodicos.ufc.br/argumentos/article/view/19135/29853. Acesso em: 15 de outubro de 2019.

BUTLER, E. A contribuição de Hayek às ideias políticas e econômicas de nosso tempo. Tradução de Carlos dos Santos Abreu. Rio de Janeiro: Instituto Liberal, 1987.

FUKUYAMA, F. O fim da História e o último homem. Tradução de Aulyde Soares Rodrigues. Rio de Janeiro: Rocco, 1992.

GANEM, A. Crítica à leitura hayekiana da História: a perspectiva da ação política de Hannah Arendt. Nova Economia. Belo Horizonte, UFMG, 19 (2) 267-284, mai-ago 2009. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/neco/v19n2/a03v19n2.pdf. Acesso em: 25 de novembro de 2019.

_______. Hayek: da teoria do mercado como ordem espontânea ao mercado como fim da História. Política & Sociedade. Florianópolis, UFSC, vol. II, n. 22, novembro de 2012. Disponível em: https://periodicos.ufsc.br/index.php/politica/article/view/2175-
7984.2012v11n22p93. Acesso em: 2 de dezembro de 2019.

GÓMEZ, M. Crítica al concepto de “orden espontáneo” de Hayek. Revista Realidad. San Salvador, Universidad Centroamericana José Simeón Cañas, n. 127, 2011. Disponível em: file:///C:/Users/fabri/Downloads/Dialnet-Comentario-6520945.pdf. Acesso em: 10 de dezembro de 2019.

HAYEK, F. A. Direito, legislação e liberdade:uma nova formulação dos princípios liberais de justiça e economia política – Volume I: Normas e ordem. Tradução de Henry Maksoud. São Paulo: Visão, 1985.

_______. O caminho da servidão. Vários tradutores. 5. ed. Rio de Janeiro: Instituto Liberal, 1990.

_______. In: Hayek na UnB: conferências, comentários e debates de um simpósio internacional realizado de 11 a 12 de maio de 1981. Brasília: UnB, 1981.

HUISMAN, D. Dicionário de obras filosóficas. Tradução de Ivone Castilho Benedetti. São Paulo: Martins Fontes, 2000.

MAKSOUD, H. Apresentação. In: Direito, legislação e liberdade: uma nova formulação dos princípios liberais de justiça e economia política – Volume I: Normas e ordem. Tradução de Henry Maksoud. São Paulo: Visão, 1985.

RORIZ, J. H. R. A política como continuação da liberdade: Hannah Arendt e sua crítica à democracia liberal. Filosofia Unisinos. São Leopoldo, UNISINOS, 12 (3), p. 228-240, set-dez 2011. Disponível em: http://revistas.unisinos.br/index.php/filosofia/article/viewFile/fsu.2011.123.03/578. Acesso em: 9 de dezembro de 2019.

SANTOS, F. A. O liberalismo. Porto Alegre: UFRGS, 1991.
Publicado
2020-07-21