REPRESENTAÇÃO IMAGÉTICA DE DEUS EM CRIANÇAS, ADOLESCENTES E JOVENS ADULTOS: INVESTIGAÇÕES A PARTIR DA PSICOLOGIA GENÉTICA

Autores

Palavras-chave:

Imagem de Deus, Psicologia Genética, Jean Piaget, Método Clínico-Crítico, Representação Social

Resumo

Investigou-se a representação da imagem de Deus em crianças, adolescentes e jovens adultos. Participaram da pesquisa trinta sujeitos, com idades variando de 8 a 28 anos. Utilizou-se três instrumentos: formulário com informações socioeconômicas e gerais sobre a temática; desenho autoral sobre a representação em questão; e entrevista semiestruturada inspirada no método clínico-crítico. Os resultados, analisados em diálogo com a Epistemologia genética piagetiana, indicam que a representação imagética e conceitual de Deus, ou divindade, estabelece-se como estrutura cognitiva de difícil acesso e elaboração por parte dos sujeitos, evoluindo de uma perspectiva antropomórfica, rica em elementos cotidianos, para abstrata mas, paradoxalmente, mais rígida. O grupo de crianças elaborou representações com conteúdo e estrutura próximas às suas vivências, indicando “Deus” como figura com traços e expressando sentimentos humanos. Os adolescentes complexificaram sua representação imagética adicionando temáticas sociais e elementos abstratos, mas representaram cognitivamente a Deus como ainda próximo da figura antropomórfica. Já os jovens adultos, além da evidente dificuldade na elaboração verbal e figurada da representação solicitada, acrescentaram críticas às práticas religiosas e às imagens comuns ou historicamente construídas de Deus, preferindo uma representação abstrata e, por vezes, não dimensional. A investigação corrobora resultados de outros estudos, mas propõe, ao final, hipóteses diversas e complementares de interpretação, tais como a menor complexidade dos desenhos favorecer maior flexibilidade representacional, a retomada das relações entre aspectos figurativos e operativos, bem como o valor heurístico da temática para a investigação sobre a influência do social no desenvolvimento cognitivo como um todo.

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Referências

CASTORINA, J. A. Social Representations and Teaching and Learning Processes of Social Knowledge. Revista Psicologia da Educação, n. 44, 2017.

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Publicado

2020-12-31

Edição

Seção

Artigos