Chamada de artigos: Educação, cultura e relações de gêneros

2021-09-08
  Prazo para o envio de submissões: até dezembro de 2022.  

Atenção: 

1. serão aceitos apenas artigos inéditos.

2. serão aceitos artigos em português, espanhol e inglês.

3. Link de diretrizes para autores: https://revistas.marilia.unesp.br/index.php/educacaoemrevista/about/submissions#authorGuidelines

As práticas docentes e relações vivenciadas nas creches, pré-escolas, escolas e universidades, são perpassadas pelas relações de gênero, que inúmeras vezes reverberam as relações de poder estabelecidas em nossa sociedade. Essas relações podem ser pensadas e construídas com perspectivas como a de Scott (1995) que possibilita a compreensão dos gêneros como os sexos socioculturamente construídos, assim como esta significância pode desdobrar-se nas compreensões interseccionais dos gêneros com classe, raça/etnia, gerações etc. (CRENSHAW, 2012; AKOTIRENE, 2019), e também, nas perspectivas decoloniais com a definição da categoria de gênero como um marcador colonial em acordo com Hollanda (2020).
As instituições educacionais do Brasil reproduziram desde a criação da Lei da Educação em 1827, conforme Demartini e Antunes (1993), opressões cotidianas são naturalizadas culturalmente para com as mulheres.
 Mencionadas opressões permeiam intersecções e sobreposições em graus maiores e menores de inferioridades socioculturais nas relações de gêneros, afetando principalmente pessoas negras, mulheres, a comunidade LGBTQIA+.
Louro (2014) ressalta a presença quase unânime de mulheres brancas e da elite atuando na docência nos anos iniciais da Educação Básica desde o início da feminização do magistério no final do século XIX, as quais reproduziam processos naturalizantes de feminilidade e atividades de cuidar, e, Gonzalez (1988) enfatiza a ausência de mulheres e crianças negras nas escolas desde a abolição (formal) da escravatura brasileira em 1888.
Sendo assim, com aporte em Freire que menciona que “a História em que me faço com os outros e de cuja feitura tomo parte é um tempo de possibilidades e não de determinismo” (FREIRE, 1995, p. 30), a chamada de artigos na temática de “Educação, cultura e relações de gêneros: repensando as relações de poder presente em nossa sociedade”, possui a pretensão de proporcionar diálogos entre às práticas e vivências das relações de gêneros, cultura e a educação.

Referências
AKOTIRENE, Carla. Interseccionalidade. São Paulo: Pólen, 2019.

CRENSHAW, Kimberlé. A Interseccionalidade na discriminação de Raça e Gênero, Painel: Cruzamento: raça e gênero. Ação Educativa, 2012. Disponível em: https://static.tumblr.com/7symefv/V6vmj45f5/kimberle-crenshaw.pdf Acesso em: 10 Set. 2019.
DEMARTINI, Zeila de Brito Fabri; ANTUNES, Fátima Ferreira. Magistério primário: profissão feminina, carreira masculina. Cadernos de Pesquisa, Fundação Carlos Chagas, São Paulo, n.86, ago., p. 05-14, 1993. Disponível em:http://publicacoes.fcc.org.br/ojs/index.php/cp/article/view/934. Acesso em 08 jul. 2019.
FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1995.
GONZALEZ, Lélia. A categoria político-cultural de amefricanidade. Tempo Brasileiro, Rio de Janeiro, n. 92/93; 69-82, jan./jun., 1988.
HOLLANDA, Heloísa Buarque de. Introdução. In: HOLLANDA, Heloísa Buarque de.
(Org.). Pensamento feminista hoje: perspectivas decoloniais. Rio de Janeiro: Bazar do
tempo, 2020. p. 10 - 37.
LOURO, Guacira Lopes. Gênero, sexualidade e educação: uma perspectiva pósestruturalista. 16. Ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2014.
SCOTT, Joan Wallach. Gênero: uma categoria útil de análise histórica. Educação &
Realidade, Porto Alegre: UFRGS, v. 20, n. 2, p. 71-99, 1995.