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VARGAS, Marcelo; RADAELLI, Andressa Benvenutti, KLOC, Antônio Eduardo, FERREIRA, Mara Angelita
Nestor, SÁ, Hellen Alves. Análise da Produção Científica sobre Política de Inovação: uma perspectiva
schumpeteriana de inovação. Brazilian Journal of Information Science: research trends, vol. 17, publicação
continua, 2023, e023058. DOI: 10.36311/1981-1640.2023.v17.e023058.
ANÁLISE DA PRODUÇÃO CIENTÍFICA SOBRE
POLÍTICA DE INOVAÇÃO:
uma perspectiva schumpeteriana de inovação
ANALYSIS OF SCIENTIFIC PRODUCTION ON INNOVATION POLICY: a schumpeterian perspective
of innovation
Marcelo Vargas (1), Andressa Benvenutti Radaelli (2), Antônio Eduardo Kloc (3),
Mara Angelita Nestor Ferreira (4), Hellen Alves Sá (5)
(1) Universidade Estadual do Paraná (UNESPAR), Brasil, marcelo.vargas@unespar.edu.br
(2) Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), Brasil, andressaradaelli@hotmail.com
(3) Instituto Federal de Educação Ciência e Tecnologia do Paraná, Brasil,
eduardo.kloc@ifpr.edu.br
(4) Centro Universitário UniDomBosco, Brasil, marangemarange6@gmail.com
(5) hellenalvesa@gmail.com
Resumo
A inovação é um poderoso impulsionador da evolução das firmas e da sociedade. A política de inovação
incentiva as pessoas e firmas a efetivamente realizarem atividades inovativas. Assim, o objetivo do artigo
é mapear a fundamentação teórica que as pesquisas científicas têm utilizado para estudar inovação e
políticas de inovação. Para isso, foi apresentado a revisão bibliográfica sobre inovação a partir da visão de
Schumpeter, e algumas concepções sobre políticas de inovação e industrial. Além disso, utilizando o banco
de dados Scopus, realizou-se uma pesquisa sobre o tema “política de inovação”. Para apresentação dos
resultados, foram construídos três gráficos para auxiliar na análise, e duas figuras de redes bibliométricas,
com uso do software VOSviewer. Após análise dos 39 artigos, concluiu-se que 15,38% apresentaram a
teoria schumpeteriana como fundamentação, e 58,97% utilizaram de teorias que originaram do seu
pensamento (escola evolucionária e neoschumpeteriana). Esse artigo mostrou que Schumpeter deixou uma
colaboração ao estudo da inovação e da política de inovação, com sua teoria, com novas escolas, e com
novos pensadores (novos elementos e fundamentos), de modo que esse conjunto de contribuições
fortalecem a criação, difusão, implementação e realização de ações voltadas ao processo industrial e
inovativo, e ao desenvolvimento das organizações e da sociedade.
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VARGAS, Marcelo; RADAELLI, Andressa Benvenutti, KLOC, Antônio Eduardo, FERREIRA, Mara Angelita
Nestor, SÁ, Hellen Alves. Análise da Produção Científica sobre Política de Inovação: uma perspectiva
schumpeteriana de inovação. Brazilian Journal of Information Science: research trends, vol. 17, publicação
continua, 2023, e023058. DOI: 10.36311/1981-1640.2023.v17.e023058.
Palavras-chave: Rede bibliométrica; Política industrial; Inovação; Política de inovação; Schumpeter.
Abstract
Innovation is a powerful driver of the evolution of firms and society. Innovation policy encourages people
and firms to effectively carry out innovative activities. Thus, the objective of the article is to map the
theoretical foundation that scientific research has used to study innovation and innovation policies. To this
end, a bibliographical review on innovation from Schumpeter's perspective was presented, as well as some
concepts on innovation and industrial policies. Furthermore, using the Scopus database, research was
carried out on the topic “innovation policy”. To present the results, three graphs were constructed to assist
in the analysis, and two figures of bibliometric networks, using the VOSviewer software. After analyzing
the 39 articles, it was concluded that 15,38% presented the Schumpeterian theory as a basis, and 58,97%
used theories that originated from their thinking (evolutionary and neo-Schumpeterian school). This article
showed that Schumpeter left a contribution to the study of innovation and innovation policy, with his theory,
with new schools, and with new thinkers (new elements and foundations), so that this set of contributions
strengthens the creation, diffusion, implementing and carrying out actions aimed at the industrial and
innovative process, and the development of organizations and society.
Keywords: Bibliometric network; Industrial policy; Innovation; Innovation policy; Schumpeter.
1 Introdução
A inovação se constitui em uma das principais forças motrizes para a evolução e criação
de vantagem competitiva das firmas (SANTOS, 2020). Além disso, o processo inovativo
desencadeia a geração de emprego, renda e desenvolvimento econômico. Para auxiliar nesse
processo é importante uma política de inovação, que não se limite a ofertar recursos para inovar,
mas que incentive as pessoas e firmas a efetivamente realizarem atividades inovativas,
promovendo aprendizado, gerando conhecimento, incentivando a interação entre os agentes,
aprimorando a competitividade e contribuindo com o desenvolvimento econômico
(CAVALCANTE, 2023).
O tema “política de inovação” é enfocado em vários artigos publicados, porém, não se
encontra nenhum que tenha feito uma análise das publicações de forma sistemática, considerando
a inovação na visão de Schumpeter, e realizando a construção de uma rede bibliométrica de autores
e fontes citadas. A partir dessa premissa, buscou-se mapear a pesquisa científica sobre políticas de
inovação. Esse mapeamento auxiliará novos estudos no que tange aos elementos/fundamentos que
têm sido utilizados, mostrando as contribuições que os pesquisadores têm trazido para o debate
sobre inovação e políticas de inovação.
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Nestor, SÁ, Hellen Alves. Análise da Produção Científica sobre Política de Inovação: uma perspectiva
schumpeteriana de inovação. Brazilian Journal of Information Science: research trends, vol. 17, publicação
continua, 2023, e023058. DOI: 10.36311/1981-1640.2023.v17.e023058.
Desse modo, para analisar as publicações, optou-se por realizar a pesquisa no banco de
dados Scopus, haja vista ter uma abrangência de mais de 91 milhões de artigos, referências citadas,
perfis de autores, livros, títulos de séries, perfis institucionais e editoras. Assim, a questão que o
artigo procura responder é “os artigos que tratam de política de inovação tem referenciado
Schumpeter?”. Dentre as possibilidades, destacam-se duas: os artigos têm utilizado a teoria
schumpeteriana para abordar as políticas de inovação, ou a discussão sobre políticas de inovação
tem avançado as contribuições de Schumpeter e trazido novos elementos/fundamentos para o
debate.
Isso posto, o objetivo é mapear como os artigos que estudam inovação e políticas de
inovação têm fundamentado suas discussões. A questão de pesquisa e o objetivo do artigo vão de
encontro com o que é apresentado por Adam (2022), que diz que a teoria schumpeteriana mostra
que o desenvolvimento econômico é promovido por inovações, sendo necessário para sua
realização, políticas de inovação. Assim, na primeira parte do artigo foi abordado a fundamentação
teórica sobre inovação, na perspectiva schumpeteriana, e as concepções sobre políticas de
inovação e industrial. Depois, descreveu-se os procedimentos metodológicos da pesquisa,
destacando os parâmetros iniciais de busca e os refinamentos realizados no banco de dados Scopus.
O resultado da pesquisa retornou 41 artigos, que foram lidos, sendo que dois foram descartados
(fora do escopo do estudo). Os demais documentos foram analisados e apresentados, por meio de
três gráficos e duas redes bibliométricas. Ao final, concluiu-se o trabalho.
2 Inovação e política de inovação
A inovação é fundamental para as organizações e para a sociedade, especialmente diante
de uma economia globalizada. A atividade inovativa deve ser vista como elemento propulsor do
crescimento econômico, da geração de emprego e renda e do bem-estar da população. Joseph Alois
Schumpeter, em sua obra A Teoria do Desenvolvimento Econômico (1911), destaca a importância
das inovações e dos avanços tecnológicos no desenvolvimento das firmas e da economia.
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VARGAS, Marcelo; RADAELLI, Andressa Benvenutti, KLOC, Antônio Eduardo, FERREIRA, Mara Angelita
Nestor, SÁ, Hellen Alves. Análise da Produção Científica sobre Política de Inovação: uma perspectiva
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continua, 2023, e023058. DOI: 10.36311/1981-1640.2023.v17.e023058.
2.1 Inovação na perspectiva schumpeteriana
A Revolução Industrial, no século XVIII, foi um período de transformações no processo
de produção industrial, impulsionado pelas invenções, como a máquina a vapor. Naquela época, o
termo utilizado para apresentar as descobertas era invenção. Por volta do século XIX, o termo
inovação começou a surgir e esteve ligado à ciência, à indústria e ao desenvolvimento da
economia.
Segundo List (1856), é o acúmulo de descobertas, invenções, melhorias e esforços de todas
as gerações que constituem um capital intelectual a proporcionar a atual situação econômica dos
países. Ele ressalta que, esse conjunto de conhecimento deve ser aumentado e aprimorado, fazendo
com que a produtividade seja modificada, aproveitando-se os recursos naturais, a posição
geográfica e o número de habitantes. Para o autor, não progresso ou nenhuma descoberta que
não melhore e transforme as indústrias, pois a falta de cultura ou instrução induz os homens de
talento a dedicarem-se à profissão de professores ou escritores. Esses homens talentosos realizam
trabalhos científicos que influenciam o desenvolvimento da ciência e das indústrias, tornando as
firmas mais avançadas.
Porém, a discussão sobre inovação, em escala empresarial e macroeconômica, foi iniciada
por Schumpeter em 1911, haja vista ter baseado sua teoria do desenvolvimento na inovação. O
autor distingue esse conceito das invenções, pois para ele estas são economicamente irrelevantes
se não forem disponibilizadas no mercado. Por sua vez, para ele, as inovações geram algum tipo
de vantagem econômica para os empresários e para a sociedade.
Assim, Schumpeter (1961) estabeleceu reflexões sobre o papel das inovações como um
importante elemento para o entendimento da dinâmica do sistema capitalista. Segundo o autor, a
transformação industrial altera constantemente a estrutura econômica interna da firma, destruindo
o velho e criando novos elementos. Desse modo, para Schumpeter, a compreensão do capitalismo
depende desse processo de destruição criadora. Logo, é nele que o capitalismo começa e toda firma
capitalista deve se ajustar a ele para continuar existindo.
Para Schumpeter (1997), a inovação acontece por meio de cinco tipos básicos: i) introdução
de um novo produto ou nova qualidade; ii) introdução de um novo processo de produção ou uma
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continua, 2023, e023058. DOI: 10.36311/1981-1640.2023.v17.e023058.
nova forma de administrar comercialmente um produto; iii) abertura de um novo mercado; iv)
obtenção de uma nova fonte de oferta de matérias-primas ou produtos parcialmente
manufaturados; e v) estabelecimento de um novo processo de organização.
Schumpeter (1997) reforça o argumento de que a inovação é determinante para o
desenvolvimento do sistema econômico. Nesse contexto, o autor associa o processo inovativo das
firmas à concorrência existente no mercado. As firmas, através dos seus empresários, são
responsáveis por incorporar e difundir as novas tecnologias e inovações como resposta a essa
concorrência. A competição é vista como ponto inicial para o desenvolvimento econômico, e as
inovações mantêm este desenvolvimento em constante evolução. Segundo Costa (2006), se a
concorrência fosse perfeita, os inovadores não conseguiriam se apropriar de nenhum retorno das
suas inovações e sem estas, as economias acabariam por se estagnar.
2.2 Políticas de inovação e industrial
A necessidade de mudança no ambiente econômico, institucional e tecnológico como um
todo, envolvendo um conjunto de ações que abrange a atividade pública e privada, é impulsionada
pela política industrial, que é ativa e abrangente, voltada a setores ou atividades industriais. Essa
política influencia a evolução das organizações. Incentiva o desenvolvimento econômico e
determina a competitividade sistêmica da indústria (SUZIGAN; FURTADO, 2006). Segundo os
autores, essa ideia de política industrial tem relação com a economia evolucionária e
neoschumpeteriana, a qual baseiam-se, principalmente, em uma observação dos fenômenos
econômicos, sendo chamada de teoria apreciativa. Essa abordagem propõe que, combinada com
as formalizações teóricas da economia evolucionária e com a visão schumpeteriana do papel
estratégico da inovação no desenvolvimento econômico, a inovação impulsiona a coevolução de
tecnologias, estruturas de organizações industriais, bem como instituições em sentido amplo,
incluindo infraestrutura, normas e instituições de apoio à indústria.
Nessa perspectiva, tem-se a política de inovação schumpeteriana, a qual implica em um
processo de interação que visa abordar a atividade de inovação, assim como outros aspectos da
economia de um país que impactam na estratégia comercial das firmas (BITTENCOURT;
RAUEN, 2021). Segundo Suzigan (2017), a política de inovação neo-schumpeteriana tende a
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VARGAS, Marcelo; RADAELLI, Andressa Benvenutti, KLOC, Antônio Eduardo, FERREIRA, Mara Angelita
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schumpeteriana de inovação. Brazilian Journal of Information Science: research trends, vol. 17, publicação
continua, 2023, e023058. DOI: 10.36311/1981-1640.2023.v17.e023058.
promover a aprendizagem, a acumulação de conhecimento e o desenvolvimento de habilidades
tecnológicas. Em um sentido amplo, ela visa se articular com a política macroeconômica, incluindo
políticas complementares e de apoio, envolvendo escolhas setoriais e/ou tecnológicas.
Melo, Fucidji e Possas (2015) descrevem que uma política de inovação é um poderoso
instrumento da política industrial que estimula e implementa mecanismos específicos para o
desenvolvimento tecnológico. Segundo Costa (2016), nesta perspectiva, essa política se preocupa
com a geração de conhecimento e aplicação no desenvolvimento de novas tecnologias,
aumentando a variedade de produtos, processos produtivos e métodos organizacionais que são
melhores do que os existentes. Assim, está direcionada para a promoção do aprendizado, de modo
a criar novidades e ser propagada na economia. Logo, a política industrial pode ter um viés na
política de inovação, sendo direcionada para incentivar setores, atividades inovativas e de
propagação de conhecimento e aprendizado, tendo o governo como um dos agentes responsáveis
por formular e implementá-las. A política de inovação deve contemplar os vários instrumentos de
apoio diretos e indiretos à inovação, como suporte e financiamento ao desenvolvimento de
infraestrutura em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D), nas atividades inovativas e no
desenvolvimento dos atores envolvidos; nas políticas de compras públicas; nos instrumentos de
regulação setorial, entre outros (SZAPIRO; MATOS; CASSIOLATO, 2021).
Para Porter (1999), o papel do governo é o de catalisar e desafiar, porquanto consiste em
encorajar as firmas a elevar suas pretensões e buscar níveis mais altos de desempenho competitivo.
As políticas governamentais bem-sucedidas criam um ambiente em que as firmas são capazes de
ganhar vantagem competitiva. Assim, o governo deve estimular as firmas a realizarem mudanças,
promover a concorrência nacional e incentivar a inovação. O governo, por exemplo, pode cooperar
em P&D, através dos institutos públicos de pesquisa. Segundo o autor, a firma pode realizar
atividades inovativas em conjunto ou de forma isolada (política privada ou estratégica). Em
conjunto, visa reduzir custos e riscos. De forma isolada, a firma busca processos inovativos
exclusivos, pois proporciona uma exploração e ampliação da promoção e melhora da inovação,
gerando vantagens competitivas.
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VARGAS, Marcelo; RADAELLI, Andressa Benvenutti, KLOC, Antônio Eduardo, FERREIRA, Mara Angelita
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continua, 2023, e023058. DOI: 10.36311/1981-1640.2023.v17.e023058.
Além disso, Gordon e Cassiolato (2019) descrevem que o Estado, no papel de elaborar
políticas de inovação, pode definir e promover a interação de vários instrumentos que contribuam
para aumentar a capacidade inovativa e de investimentos em inovação. Logo, a utilização e
implementação desses instrumentos são fundamentais para a elaboração e possibilidade de uma
política de inovação. Desse modo, a escolha de quais instrumentos serão empregados pelo Estado
mostra onde serão suas ações e incentivos.
Em face do exposto, os autores que vieram apresentando estudos ao longo dos anos
referentes à inovação e a política de inovação/industrial acrescentaram contribuições a essa análise,
pois observaram que o processo de interação entre agentes, corrobora para o desenvolvimento das
políticas citadas. Para Santos (2003), a política de inovação, em sua abrangência, reúne um
aumento nos níveis de conhecimento formal e codificado, uma linha para a construção de redes de
cooperação, e uma dinâmica de proximidade. Pode ser orientada para a propagação ou para um
propósito, incentivando o processo para alcançar um caminho na busca de desenvolvimento de
alguma área de conhecimento, ramo de atividade, investigação de novos campos, ou novos
paradigmas tecnológicos.
Segundo Dosi (1992), a forma como são realizadas as interações dos envolvidos influencia
as pesquisas tecnológicas, o comportamento e competitividade das firmas, e a organização e
crescimento da indústria. Nesse passo, é importante destacar o papel do Estado no estabelecimento
e/ou consolidação de políticas industriais e de inovação. De acordo com o autor (1988), o progresso
tecnológico ocorre por meio do desenvolvimento e exploração do conhecimento compartilhado
por todos os envolvidos na atividade industrial. Dessa forma, o progresso induz ao surgimento de
paradigmas tecnológicos que direcionam forças para a inovação da indústria, sendo necessário o
envolvimento de políticas públicas para alavancar a competitividade e crescimento das firmas
(DOSI, 1984).
Para Nelson (1992), as atividades e investimentos em inovação realizados dentro das firmas
são importantes, mas esta situação não é uniforme, variando de indústria para indústria. Segundo
esse autor, é fundamental o papel das organizações governamentais, dos institutos de pesquisa, das
universidades e do governo nas políticas de inovação/industrial. Para ele, as pesquisas realizadas
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VARGAS, Marcelo; RADAELLI, Andressa Benvenutti, KLOC, Antônio Eduardo, FERREIRA, Mara Angelita
Nestor, SÁ, Hellen Alves. Análise da Produção Científica sobre Política de Inovação: uma perspectiva
schumpeteriana de inovação. Brazilian Journal of Information Science: research trends, vol. 17, publicação
continua, 2023, e023058. DOI: 10.36311/1981-1640.2023.v17.e023058.
pelas universidades estão associadas a tecnologias específicas dos países e são introduzidas em
determinadas indústrias, pois geram competitividade para as firmas e resultados econômicos para
o país. Porém, os países podem possuir limitação de recursos, como fontes de financiamentos,
características empresariais, participação das universidades e políticas governamentais de
inovação.
Lundvall (1985) destaca que as universidades são centros de pesquisa básica e científica,
mas adverte que nem toda a ciência é produzida dentro das universidades, pois há firmas privadas
e órgãos públicos que possuem unidades de pesquisa. Por outro lado, o autor enfatiza que alguns
tipos de indústrias aproveitam mais da ciência do que outras, como as indústrias eletrônica e
química, as quais interagem com organizações de pesquisa, especialmente as universidades.
Freeman (1995) diz que a introdução de inovação através de P&D se constitui em um
instrumento relevante para gerar lucratividade, bem como situar as firmas na liderança. Para o
autor supracitado, esse posicionamento de mercado pode ocorrer devido às firmas perceberem que
a pesquisa de novos produtos e/ou o desenvolvimento de novos processos de forma regular,
sistemática e profissional as colocariam em um novo patamar frente aos concorrentes.
Além desses autores, também outros que acrescentaram contribuições, alguns com
maior ênfase às interações e outros menos. Isso pode ser observado na série de livros publicados
pela Editora da Unicamp, “Clássicos da Inovação”. Esses autores são: Christopher Freeman (citado
acima), David C. Mowery, Donald E. Stokes, Edith Penrose, Giovanni Dosi (citado acima), Linsu
Kim, Luc Soete, Nathan Rosenberg, Richard R. Nelson (citado acima), e Sidney G. Winter.
3 Procedimentos metodológicos da pesquisa
Esse artigo propõe uma análise das publicações de forma sistemática com o intuito de
mapear os artigos sobre “política de inovação”. Para tanto, optou-se pelo banco de dados Scopus,
por abranger mais de 1,8 bilhão de referências citadas desde 1970, mais de 91 milhões de artigos,
mais 17,6 milhões de perfis de autores, mais de 292 mil livros, mais 94,8 mil perfis institucionais,