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ALONSO, Beatriz Tarré; BARROS, Camila Monteiro de; PADILHA, Renata Cardozo. Descrição e Representação
de Informação sobre Obras de Arte dos Acervos de Museus. Brazilian Journal of Information Science: research
trends, vol. 17, publicação continua, 2023, e023054. DOI: 10.36311/1981-1640.2023.v17.e023054.
DESCRIÇÃO E REPRESENTAÇÃO DE
INFORMAÇÃO SOBRE OBRAS DE ARTE DOS
ACERVOS DE MUSEUS
Description and information representation of works of art in museum collections
Beatriz Tarré Alonso (1), Camila Monteiro de Barros (2), Renata Cardozo Padilha (3)
(1) Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Brasil, bettytarrealonso@gmail.com
(2) camila.c.m.b@ufsc.br
(3) renata.padilha@ufsc.br
Resumo
A representação de informação no mundo da arte enfrenta o problema da ausência de profundidade nas
descrições. O presente estudo tem abordagem quantitativa, caráter descritivo, desenho experimental e corte
transversal. Seu objetivo é analisar o processo de descrição para a representação de informação sobre obras
de arte nos acervos dos museus. Entre seus procedimentos metodológicos estão à entrevista individual em
profundidade (in-depth interviews), como método para coleta de dados e as visitas técnicas guiadas. Para
alcançar seu propósito, caracterizam-se as coleções e analisam-se as práticas de descrição, por meio dos
sites e bases de dados do DOMUS ARTIUM; Museu de Salamanca; Museu Art Nouveau e Art co - Casa
Lis; Arquivo da Catedral de Salamanca; e do Museu Nacional de Belas Artes de Cuba. O comportamento
da descrição não tem o nível de profundidade necessário. Portanto, as linguagens, normas e modelos
conceituais para a descrição devem ser utilizados coerentemente e evoluir ainda mais. A aplicação de
métodos semânticos e interdisciplinares resulta de extrema importância para alcançar um senso de
informação mais preciso e logicamente estruturado, revelar novos conhecimentos e oferecer dados
interoperáveis sobre os acervos museológicos, que possam ser recuperados de forma eficaz, obtendo assim
um maior aprofundamento no estudo das obras de arte.
Keywords: Descrição de obras de arte; Representação de informação em arte; Museologia; Objetos
museológicos.
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de Informação sobre Obras de Arte dos Acervos de Museus. Brazilian Journal of Information Science: research
trends, vol. 17, publicação continua, 2023, e023054. DOI: 10.36311/1981-1640.2023.v17.e023054.
Abstract
Representation of information in art faces a problem, the lack of depth in descriptions. The present study
has a quantitative approach, descriptive character, experimental design and cross-sectional. Its objective is
to analyze the process of description for the representation of information about works of art in museum
collections. Among its methodological procedures are individual in-depth interviews, as a method for data
collection and guided technical visits. To achieve its purpose, the DOMUS ARTIUM; Museum of
Salamanca; Art Nouveau and Art Deco Museum - Casa Lis; Salamanca Cathedral Archive; and the National
Museum of Fine Arts of Cuba collections are characterized and description practices of the selected
institutions are analyzed, through the websites and databases. Description behavior lacks the required level
of depth. Therefore, languages, norms and conceptual models for description must be used coherently and
evolve even further. Application of semantic and interdisciplinary methods is extremely important to
achieve a more precise and logically structured sense of information, to reveal new knowledge and to offer
interoperable data on museological collections, which can be retrieved efficiently, thus for obtaining a
greater depth in the study of works of art.
Keywords: Art description; Representation of information in art; Museology; Museological objects.
1 Introdução
As características, as técnicas, os tipos de suportes das pinturas, das esculturas e das
instalações são diferentes. Uma pintura não pode ser representada da mesma forma que uma
fotografia, vídeo arte ou performance, além disso, o processo de musealização levanta outros
aspectos relacionados aos objetos. Segundo Padilha (2018), a musealização torna o objeto antes
utilitário em objeto de valor simbólico e histórico. “Muitas são as intenções que estimulam os
museus a adquirirem e salvaguardarem os objetos: pela raridade, pela sua produção, pelo valor
científico e cultural, pelo material que o constitui ou pela sua antiguidade” (Ibid. p. 42).
Uma vez no museu, segundo Ferrez (1994), é no processo de ressignificação de funções e
sentidos que este se torna um objeto museológico, a partir do qual são identificadas características
informacionais intrínsecas e extrínsecas. De acordo com o autor, as características intrínsecas são
aquelas identificadas por meio da análise do próprio objeto, ou seja, propriedades físicas como
cor, dimensão, material, estado de conservação, entre outras. Já as características extrínsecas são
as informações interpretadas e por meio de outras fontes que não o objeto, dessa forma, pode-se
compreender o contexto em que o objeto permaneceu, funcionou e adquiriu sentido histórico e
simbólico num determinado grupo e/ou sociedade. Essas fontes, no entanto, não são padronizadas
e exigem formas de acesso e análise específicas. Um dos inconvenientes encontrados para a
representação da memória contextual do objeto artístico é precisamente a variedade de tipologias,
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evolução constante e versatilidade da arte. Além de técnicas e suportes em evolução, a própria
natureza da arte também se modifica. Ao longo do tempo, a arte passou do status de um objeto
físico ligado ao seu autor para um objeto de múltiplas facetas, incluindo conceitos, ideias e
metáforas.
Entre os elementos importantes na configuração de uma área de conhecimento, como a
Museologia ou a Ciência da Informação encontram-se a precisão conceitual, a linguagem
específica da área e a forma de representação do campo, para fins de recuperação e preservação da
informação registrada. Sendo assim, uma questão a analisar seria como na definição das autoras
Medeiros e Café (2008) está presente o conceito de representação da informação, que pode ser
entendido como parte do processo da Organização de Informação ou como resultado do mesmo.
Outro aspecto seria a elaboração de instrumentos de descrição e linguagens específicas da
Museologia, como podem ser as classificações outorgadas aos acervos, tesauros de arte,
taxonomias e ontologias, que se produzem como produto da cadeia de processos informativos.
Dessa forma, ao elaborar classificações a indexação também estaria de alguma maneira, entrando
em contato com os conceitos presentes nas obras, atuando no campo da Organização do
Conhecimento. Segundo Medeiros e Ca (2008), esses processos atuam com os conceitos
contidos no objeto informacional, tendo uma noção restringida ou ampliada, segundo a visão
particular. Assim, para a representação da informação sobre as obras, intervêm técnicas formais
como a modelagem conceitual, que oferece a possibilidade de identificar entidades em inter-
relação com seu contexto, tendo em conta a atribuição de metadados. Da mesma forma, permitem
melhorar a gestão, acessibilidade e a precisão da recuperação da informação das obras.
Para todo processo de representação, ocorre então uma desconstrução da realidade, que é
traduzida levando em consideração padrões e tornando-a uma nova linguagem que constitui um
referente dela. Deste modo, podem ser delineados dos tipos de representações: a representação da
informação, produto do processo de Organização da Informação, que envolve atributos que
descrevem ao objeto, desde o ponto de vista físico e de conteúdo; mas também a representação do
conhecimento, que estrutura conceitualmente modelos do mundo. Acrescenta Campos (2004) que
os mecanismos de representação de conhecimento permitem que processos de formalização sobre
os objetos e suas relações, em contextos predefinidos, possam ser facilmente representados.
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No âmbito internacional, o Conselho Internacional de Museus (ICOM, 2019) como
organização global, oferece uma estrutura comum para museus, um fórum para discussão
profissional e constitui uma plataforma para questionar, além de celebrar o patrimônio e as
coleções de museus e instituições culturais. No contexto brasileiro especificamente, um intenso
trabalho está sendo realizado. Os museus cada vez mais integram-se ao fluxo das cidades,
evoluindo com os movimentos contemporâneos e atuando como polos de reflexão sobre temas
atuais. O Instituto Brasileiro de Museus (Ibram, 2018) foi criado pela Lei nº. 11.906, de 20 de
janeiro de 2009, com a finalidade, dentre outras, de promover e assegurar a execução de políticas
públicas para o setor museológico, contribuindo para a organização, gestão e desenvolvimento de
instituições museológicas e seus acervos. Neste sentido, entre as iniciativas que têm sido
desenvolvidas encontra-se a Portaria Ibram 215, de 4 de março de 2021, que dispõe sobre a
instituição da plataforma Museusbr como sistema nacional de identificação de museus e
plataforma para mapeamento colaborativo, gestão e compartilhamento de informações sobre os
museus brasileiros. Além disso, pode ser mencionada a Resolução Normativa 2, de 29 de agosto
de 2014, atualizada e revogada pela Resolução Normativa Ibram 6, de 31 de agosto de 2021,
que normatiza o Inventário Nacional dos Bens Culturais Musealizados, em consonância com os
decretos e leis que institui o Estatuto de Museus no Brasil.
A presente pesquisa teve como objetivo geral: analisar o processo de descrição para a
representação de informação sobre obras de arte nos acervos dos museus DOMUS ARTIUM;
Museu de Salamanca; Museu Art Nouveau e Art Déco - Casa Lis; Arquivo da Catedral de
Salamanca; e do Museu Nacional de Belas Artes de Cuba.
2 Procedimentos metodológicos
Esta pesquisa tem uma abordagem quantitativa, pois permite mensurar, relacionar, verificar
e prever a natureza da representação de obras de arte com elementos informativos. Tem caráter
exploratório e descritivo, pois busca especificar as propriedades, características e dimensões de
um fenômeno ou contexto que é objeto de análise. Tem um desenho não experimental, porque as
variáveis não são manipuladas deliberadamente. O corte transversal se dá pela coleta de dados em
um único período de tempo e por analisar sua incidência no momento estudado.
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O método utilizado na coleta de dados foi a entrevista individual em profundidade (in-
depth interviews) (Boyce e Neale 2006), semi-estruturada. O formulário da entrevista (Apêndice
A) foi composto por 8 questões sobre sistemas, instrumento e técnicas utilizados na descrição das
obras de arte e mais uma questão para informações gerais do museu. Para a transcrição das
entrevistas gravadas, com prévia autorização dos participantes, foi utilizada a ferramenta on-line
Transkriptor (https://transkriptor.com/es/).
As entrevistas foram conduzidas no idioma espanhol e ocorreram durante a estadia
realizada na Faculdade de Tradução e Documentação da Universidade de Salamanca (Espanha),
por meio da Secretaria Geral Ibero-Americana (SEGIB) - Fundação Carolina, durante os meses de
março a maio de 2021, presencialmente em cada um dos museus. No museu de Cuba, as entrevistas
foram realizadas em junho de 2021, juntamente com a realização de visita técnica. As entrevistas
ocorreram com diretivos e especialistas do DOMUS ARTIUM; Museu de Salamanca; Museu Art
Nouveau e Art Déco - Casa Lis; Arquivo da Catedral de Salamanca; e do Museu Nacional de Belas
Artes de Cuba. Antes de iniciar as entrevistas e visitas técnicas, estes deram consentimento para
sua realização.
3 Resultados e discussão
Os resultados apresentados a seguir cobrem três eixos: as características das coleções, o
sistema utilizado para registro das informações sobre as obras e a experiências dos profissionais
que realizam a atividade de representação da informação. Essas informações são uma combinação
das entrevistas e das visitas técnicas, com adição de informações oficiais dos websites, sendo
sinalizado com aspas quando se trata de trecho de entrevista transcrito literalmente.
3.1 DOMUS ARTIUM 2002
O DA2 (DOMUS ARTIUM 2002) é um centro de arte contemporânea, integrado à
Fundação Cidade da Cultura e Conhecimento de Salamanca. De acordo com informações extraídas
do seu website, o DA2 foi inaugurado em 2002 como um espaço especializado aliando o
patrimônio histórico à programação contemporânea na área das artes visuais, artes cênicas e
música. São realizados projetos multiculturais de grande escala, como o Festival Internacional de
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Artes de Castilla y León ou Salamanca Plaza Mayor de Europa (DOMUS ARTIUM 2002 2021).
Geralmente reúne exposições individuais de artistas de referência nacional e internacional que
trabalham com todos os tipos de mídias e linguagens.
O DOMUS ARTIUM é composto por três coleções principais, duas das quais são
exposições permanentes: DA2 e Fundação Coca-Cola (arte espanhola e portuguesa), mais uma
temporária denominada A Round Trip (arte contemporânea cubana), pertencente ao artista de
Salamanca, Luciano Méndez Sánchez. A primeira mencionada acumula um total entre 200 e 300
obras, enquanto a de Luciano Méndez, aproximadamente 1000 obras de arte cubana (Ballate e
Armas 2019). “Para o registro das suas obras, o DA2 dispõe de uma base de dados no sistema
Access, como mostra o Anexo A, e outras em formato PDF e um website, desenvolvido por
ALTER BI, SL, empresa de publicidade e relações públicas” (informação verbal)
(1)
.
A base de dados no Access inclui imagens, embora não de todas as coleções. Dentro das
entradas gerais estão os campos: título, artista, ano, data de compra, data de criação, número de
inventário, tipo (classificação por coleção), localização no DA2. Outra seção é a das medidas
(interior, exterior, embalagem), alcance (por escalas), estado (por avaliação) e embalagem (por
formato de armazenamento). Dentro da técnica, é permitido indicar uma geral com sua descrição
e outras específicas enquadradas na anterior, como a fotografia (em cores, acrílico sobre tela,
algodão, madeira, tecido, colagem sobre tela). Por sua vez, é permitido anexar uma imagem do
trabalho com o apoio de um hiperlink. Existe uma área de séries que permite atribuir o título de
cada peça da série, bem como algum outro detalhe a destacar no campo de notas. O campo caixa
inclui o número de itens contidos em cada caixa, identificando-a com um número. Também existe
um campo de notas gerais para qualquer outra informação que precise ser adicionada. Respeito às
buscas, podem ser feitas através dos nomes dos artistas, de filtros ou do número de registro.
3.2 Museu de Salamanca
O Museu de Salamanca, localizado no Pátio de Escuelas da Universidade de Salamanca,
de acordo com dados consultados em seu website, o foi inaugurado em 1848, com os objetos
artísticos dos conventos suprimidos pela legislação de confisco do Presidente do Conselho de
Ministros (1836-1837) Juan Álvarez Mendibal, recolhidos pela Comissão Provincial de
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Monumentos. Depois de passar por vários locais, desde 1948 está instalado em um edifício do
final do século XV, conhecido como Palácio de Álvarez Abarca. A ornamentação da sua fachada
faz com que seja um dos monumentos mais representativos da arquitetura civil dos Reis Católicos
de Salamanca, em que se combinam os estilos gótico e renascentista. Na década de 1980, o edifício
foi ampliado, incorporando espaço adicional e dotando o Museu com sala de estudos, oficina de
restauro e pequenos armazéns. A exposição permanente está instalada no interior do edifício
histórico, distribuída pelas diferentes salas que circundam o pátio de dois pisos. Os espaços
resultantes da ampliação são reservados para exposições temporárias, uma vez que o novo edifício
tem um layout moderno e versátil (Junta de Castilla... 2021).
Suas coleções estão organizadas em três seções: arqueologia, belas artes e etnologia. Na
seção de arqueologia, além dos depósitos e doações de particulares, a legislação prevê que nele
sejam depositados os vestígios arqueológicos das intervenções previstas. A seção de belas artes é
a mais extensa, pois abrange desde o século XIV até o presente. O núcleo inicial são as obras do
confisco do século XIX. Posteriormente, aumentou com depósitos do Museu do Prado e do Museu
do Centro Nacional de Arte Reina Sofía, além de obras de um período mais recente, realizadas por
artistas destacados de Salamanca. A seção etnográfica é sustentada e enriquecida com compras e
doações de peças representativas da vida tradicional de Salamanca (Ibid.).
Constitui um museu público, cuja coleção pertence ao Estado e à Junta de Castilla y León.
Para controlar suas obras (atualmente 1.242), utiliza o sistema informatizado de documentação e
gestão museológica, denominado DOMUS, conforme apresentado no Anexo B, derivado do
projeto de Normalização Documental de Museus e realizado pela Subdiretoria Geral de Museus
do Estado (SGME).
As principais desvantagens do DOMUS são “a incapacidade do sistema de descobrir peças
arqueológicas e, a ausência de tesauros gerais como instrumentos de controle terminológico”
(informação verbal)
(2)
, para neutralizar a sinonímia e polissemia, o que dificulta a indexação e a
recuperação de informação.
A grande maioria das obras está incluída no CER.es (Coleções em Rede) que, de acordo
com o website do Ministério, Cultura e Esporte da Espanha, é um catálogo coletivo online que
reúne informações e imagens das coleções dos mais de 120 museus que fazem parte da Rede
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de Informação sobre Obras de Arte dos Acervos de Museus. Brazilian Journal of Information Science: research
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Digital de Coleções de Museus na Espanha. Os museus têm em comum o fato de serem usuários
do Sistema Integrado de Documentação e Gestão de Museus Domus, desenvolvido pelo Ministério
da Cultura e atualmente utilizado por mais de 120 museus (CER.ES 2021).
Ao contrário dos grandes museus, como o Reina Sofía ou o Museu do Prado, que o
utilizam a Domus, senão um sistema próprio de gestão de suas obras; o Museu de Salamanca
utiliza o CER.es para complementar as descrições das obras em sua base de dados, realizando o
procedimento de cópia automatizada, também conhecido como catalogação por cópias. No
entanto, dadas as suas características de museu e a peculiaridade de algumas das suas peças, como
as pizarras escritas do período visigótico, a maioria e particularmente as encontradas nas
províncias de Salamanca e Ávila, precisa ter seu próprio tesauro ou dicionário de sinônimos
especializado. Além de conter dados mais gerais, como a classificação genérica, e técnicos, como
as dimensões e números de inventário, o sistema Domus também inclui um campo para relatórios
sobre o estado de conservação das obras. Além disso, contém duas seções: Coleções
Documentárias e Coleções do Museu, sendo a primeira menos utilizada, pois contém referências
às fotografias em preto e branco das coleções e inclui parte do arquivo de negativos do Museu.
A catalogação dos fundos museográficos inclui dados de identificação,
descrição/classificação e administrativos. Dentro da identificação aparece o número do inventário
(tipo alfanumérico), localização, departamento, classe genérica, objeto, número específico,
tipologia, conjunto, número de objetos (componentes, numeração própria, visível na web), título,
autor/oficina, emissor, material (por cor, por partes do objeto), técnicas, dimensões. A
descrição/classificação inclui a caracterização da obra, a iconografia (com apoio do próprio
tesauro), inscrições, assinaturas/marcas, contexto cultural, datação, data textual, onomástica, dados
geográficos, proveniência, local específico, classificação fundamentada, local de produção,
uso/função e uma imagem da obra.
Outra das seções é a de conservação, que contém: número de inventário, arquivo de
conservação, arquivo de movimentação, peças descritas, dimensões, material, técnica, relatórios
sobre o estado de conservação, tipo de análise e resultados, tipo de tratamentos, descrição,
condições, observações, completado por. A seção de documentação gráfica inclui: o tipo de
documentação gráfica, o número de inventário, arquivo, tipo de documento, número de controle,