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ARAÚJO, Joana Ferreira de; SILVA, Alzira Karla Araújo da. Altmetria e Redes Sociais de Coautoria na Produção
Científica: análise em periódicos nacionais da Ciência da Informação. Brazilian Journal of Information
Science: research trends, vol.17, publicação contínua, 2023, e023040. DOI: 10.36311/1981-
1640.2023.v17.e023040.
ALTMETRIA E REDES SOCIAIS DE COAUTORIA
NA PRODUÇÃO CIENTÍFICA:
análise em periódicos nacionais da Ciência da
Informação
(1)
Altmetrics and co-authorship social networks in scientific production: analysis in national journals of
Information Science
Joana Ferreira de Araújo (1), Alzira Karla Araújo da Silva (2)
(1) Universidade Federal da Paraíba (UFPB), Brasil, joanah028@gmail.com
(2) alzirakarlaufpb@gmail.com
Resumo
Analisa a rede social de coautoria da produção dos periódicos nacionais da Ciência da Informação na
temática altmetria. Caracteriza-se como pesquisa de natureza básica com abordagem quantitativa e
qualitativa; descritiva quanto aos objetivos; bibliográfica e de levantamento. O corpus compreendeu artigos
publicados entre 2010-2022 em periódicos científicos nacionais da área de Ciência da Informação com
Qualis CAPES (2017-2020) A1 e A2, a saber: Transinformação, Perspectivas em Ciência da Informação,
Informação & Sociedade: estudos, Informação & Informação, Encontros Bibli e Em Questão. Obtiveram-
se 30 artigos, a maioria publicada entre 2019 e 2021. Entre as palavras-chave, destacaram-se: altmetria,
bibliometria, métricas alternativas, atenção on-line, indicadores altmétricos, divulgação científica,
visibilidade e engajamento público. Na rede social de coautoria, identificaram-se 44 nós/atores, agrupados
em nove sub-redes, sendo cinco díades, uma tríade, uma rede com quatro atores e uma com cinco, além de
um cluster composto por 20 atores. ARAÚJO, R. F. e CAREGNATO, S. E. mostraram-se em grau de
centralidade. Os atores apresentaram vínculo com instituições nacionais e internacionais. Conclui-se que a
colaboração e os vínculos institucionais reiteram a riqueza dos elos construídos, principalmente quando
observada a troca de saberes e construção colaborativa de novos conhecimentos.
Palavras-chave: Altmetria; Métricas alternativas; Redes sociais de coautoria; Ciência da Informação
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ARAÚJO, Joana Ferreira de; SILVA, Alzira Karla Araújo da. Altmetria e Redes Sociais de Coautoria na Produção
Científica: análise em periódicos nacionais da Ciência da Informação. Brazilian Journal of Information
Science: research trends, vol.17, publicação contínua, 2023, e023040. DOI: 10.36311/1981-
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Abstract
It analyzes the social network of co-authorship of the production of national journals of Information Science
in the altmetrics theme. It is characterized as research of a basic nature with a quantitative and qualitative
approach; descriptive as to the objectives; bibliography and survey. The corpus comprised articles
published between 2010-2022 in national scientific journals in the area of Information Science with Qualis
CAPES (2017-2020) A1 and A2, namely: Transinformação, Perspectivas em Ciência da Informação,
Informação & Sociedade: estudos, Informação & Informação, Encontros Bibli and Em Questão. 30 articles
were obtained, most published between 2019 and 2021. Among the most used keywords, the following
stand out: altmetrics, bibliometrics, alternative metrics, on-line attention, altmetric indicators, disclosure
science, visibility and public engagement. In the social network of co-authorship, 44 nodes/actors were
identified, grouped into nine sub-networks, five dyads, one triad, one network with four actors and one with
five, in addition to a cluster composed of 20 actors. ARAÚJO, R. F. and CAREGNATO, S. E. showed a
degree of centrality. The actors showed links with national and international institutions. It is concluded
that collaboration and institutional links reiterate the richness of the links built, especially when observing
the exchange of knowledge and the collaborative construction of new knowledge.
Keywords: Altmetrics; Alternative metrics; Co-authorship social networks; Information Science
1 Introdução
O ser humano constrói laços a partir de interações que, por sua vez, podem ser analisadas
sob a égide dos estudos de redes sociais. Marteleto (2001) entende que as redes sociais são
compostas por participantes/atores com interesses e objetivos compartilhados que, ao se
relacionarem, são conectados por arestas ou laços, formando um sistema de nós e elos em uma
estrutura que não apresenta fronteiras, principalmente quando observado o desenvolvimento de
Tecnologias Digitais de Informação e Comunicação (TDIC).
Essas tecnologias impactaram a formação das redes sociais, dirimindo distâncias e
amplificando a comunicação entre pessoas, organizações e países. Existem diversos tipos de redes
sociais, dentre as quais estão as de coautoria.
Esse tipo de rede busca, por exemplo, analisar os elos estabelecidos entre pesquisadores
que produzem em colaboração; permitindo descortinar quem são os indivíduos que se debruçam
sobre determinada temática e como têm desenvolvido seus estudos, se em colaboração científica
ou não (Silva, 2014).
No que concerne à comunicação científica, em especial, as TDIC podem aferir eficiência e
eficácia no processo de divulgação, tornando mais acessível à sociedade os conhecimentos
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produzidos por universidades. Nesse sentido, redes sociais on-line como o Facebook, Instagram e
Twitter têm sido bastante utilizadas (Dau, 2020).
Assim, a análise de indicadores de uso da produção no meio acadêmico-científico deve ser
desenvolvida paralelamente ao comportamento de uso. É nesta feita que se inserem os Estudos
Métricos da Informação (EMI), que contribuem para mensurar a disseminação e o uso da
informação.
Buscando integrar as novas formas de disseminação da produção científica, surgem os
primeiros estudos sobre altmetria, que se caracteriza em razão do uso de métricas alternativas para
obter dados a respeito da visibilidade e impacto da produção científica, que passa a ser
compartilhada de forma mais rápida, acompanhando a adoção de redes sociais on-line.
A altmetria parte de algumas considerações acerca dos métodos tradicionais de análise
quantitativa da produção científica, afirmando que estas, quando aplicadas sozinhas, não
conseguem contemplar a diversidade de indicadores que, com as redes sociais on-line, podem ser
coletados (Priem et al., 2010).
Diante do exposto, entendendo que o estudo da rede social de coautoria permite
compreender as relações entre autores e instituições e perceber a formação das interações na
produção científica em altmetria, apresenta-se a seguinte questão norteadora: Como se configura
a rede social de coautoria, em periódicos da área de Ciência da Informação, a respeito da
temática altmetria?
O objetivo do estudo é analisar a rede social de coautoria da temática altmetria nos
periódicos nacionais da Ciência da Informação, Qualis A1 e A2. Para tanto, levantam-se os artigos
publicados em periódicos nacionais da CI Qualis A1 e A2 sobre altmetria; representa-se a rede
social de coautoria e rede autor-instituição sobre a temática altmetria e; reflete-se sobre a
colaboração científica no desenvolvimento de pesquisas.
Sua relevância pauta-se na importância de desenvolver e disseminar estudos com a temática
métricas alternativas, uma vez que o cenário de produção dessa seara ainda se encontra em estado
incipiente. As redes sociais de coautoria contribuirão para a compreensão da interação existente
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entre os autores que produzem sobre altmetria, bem como suas características, subsidiando a
ampliação de parcerias e, consequentemente, o conhecimento e a análise da produção científica
sobre o tema.
2 Redes sociais na comunicação científica
A socialização é uma característica intrínseca aos indivíduos e, por esta razão, a
necessidade de estabelecer relações e conexões. Estes elos criados ao socializar com outras pessoas
constituem as redes sociais, entendidas como estruturas de uma sociedade, formadas pelos
indivíduos que a compõem e os relacionamentos que estabelecem entre si (Meira et al., 2011).
Na rede social, cada um dos indivíduos desempenha uma função específica e constrói sua
identidade cultural que, de forma coesa, contribui para a constituição da representação e identidade
da rede (Tomáel, Alcará e Chiara, 2005).
Dentre as características das redes sociais, destacam-se: participação voluntária dos
sujeitos e/ou organizações; presença de autonomia e diversidade, uma vez que as conexões
ocorrem de modo não-linear e imprevisível, com base nos desejos e decisões de cada integrante;
normas, aceitas e atendidas por todos que compõem a rede; respeito à diferença, entendendo que
existirão modos de agir e pensar distintos; isonomia, igualdade política regida pelas normas;
coordenação e democracia, com planejamento de execução conjunta de ações e; multiliderança,
desconcentrando o poder (Costa et al., 2003).
Ao tratar das redes sociais é preciso atentar-se, ainda, sobre os aspectos que envolvem os
atores que as compõem, bem como os laços que estabelecem entre si e seus atributos. Soma-se
uma série de categorizações, na qual é possível dividir os tipos de redes, entre as quais se
encontram, segundo Silva (2014): redes sociais formais, informais, naturais, artificiais e de
coautoria. Por coautoria entender-sea colaboração entre pesquisadores no desenvolvimento de
suas pesquisas (Alvarez, 2022).
As redes sociais formais ocorrem quando o elo entre os membros da rede é estimulado
institucional ou juridicamente; as redes sociais informais, por outro lado, são aquelas construídas
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a partir de encontros informais entre os indivíduos, que compartilham dos mesmos interesses,
formados sem quaisquer elos contratuais, baseados na cooperatividade e confiança. Os laços
estabelecidos naturalmente ao longo da vida, como aqueles com a família, permitem a criação das
redes naturais, ao passo em que as redes artificiais são criadas para fins específicos, como o alcance
de metas e objetivos (Silva, 2014).
Na produção científica, as colaborações podem ocorrer sob inúmeros vieses e
intencionalidades, quer seja através de parcerias, entre laboratórios de pesquisa, instituições,
organizações e empresas, ou por meio da produção conjunta de conhecimento científico, como na
coautoria de artigos científicos, a partir da criação de laços fracos (efêmeros) ou fortes
(duradouros) (Granovetter, 1973).
O trabalho em colaboração justifica-se pela diversidade de conhecimentos necessários,
aliado à complexidade da tarefa a ser executada. É a partir dessa concepção que surge o termo
“conhecimento coletivo”. Combinar diferentes perspectivas às habilidades, saberes e
competências singulares dos indivíduos que compõem uma rede torna a construção do
conhecimento mais significativa, rica e plural, como nas colaborações científicas (Borges, 2011).
As colaborações científicas têm sido cada vez mais prezadas não somente pelos
pesquisadores, mas, também, por ser considerada como aspecto importante a ser observado por
entidades avaliadoras e de fomento à pesquisa em ciência e tecnologia (Balancieri et al., 2005).
Dessa forma, [...] a atual configuração do setor acadêmico se pauta na utilização de práticas
colaborativas, que se materializam na interação entre os pesquisadores em suas atividades voltadas
ao progresso científico e tecnológico [...]” (Sobral, 2015, p. 41).
A representação e análise de interações e colaborações científicas dão-se por meio do
estudo de redes sociais de coautoria, percebidas
[...] nas relações entre pesquisadores de um mesmo grupo (endógenas) e de
grupos distintos (exógenas), [...] nas produções com mais de um autor,
expressando vínculos entre pesquisadores, configurando assim redes sociais de
colaboração científica (Sobral, 2015, p. 41).
As redes sociais de coautorias são representadas através de grafos, na qual é possível
identificar os atores, neste caso os pesquisadores que compõem a rede, bem como os nós, elos ou
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ligações que estabelecem entre si em participações de coautoria, representados por arestas (Mena-
Chalco, Digiampietri e Cesar Júnior, 2012).
3Métricas alternativas: altmetria
Dado o desenvolvimento tecnológico e o uso cada vez mais frequente das redes sociais on-
line, observa-se a preocupação em acompanhar a disseminação da informação, a visibilidade e os
canais pelos quais percorre para além dos canais formais. Como exemplo dessa realidade, alguns
pesquisadores já fazem uso de seus perfis na rede para compartilhar dados e produções de cunho
científico, de modo a trazer à população, que não se encontra na comunidade científica,
informações que possam ser úteis, além de aumentar o alcance e contribuir para o desenvolvimento
da ciência.
Pensando nisso, tem-se as métricas alternativas, que passam a ser aplicadas no contexto da
web social, incluindo a análise em redes sociais on-line, a exemplo do Facebook, YouTube,
LinkedIn e Twitter. A utilização dessas redes para divulgação científica tem permitido o
compartilhamento da produção de pesquisadores do mundo todo, em tempo recorde e amplo
alcance. Isto, por sua vez, faz com que esses estudos ganhem visibilidade e engajamento público.
Oliveira e Grácio (2012) compreendem a visibilidade como algo intrínseco à comunicação
científica, observando a possibilidade de uma fonte de informação influenciar o público a que se
destina, assim como ser recuperada e acessada quando demandada por algum indivíduo.
Nesse contexto, as redes sociais on-line surgem como um espaço para ampliar a
visibilidade da produção científica, agregando o acesso de forma mais democrática. Isto porque,
um cidadão comum pode não conhecer periódicos para acessar seu conteúdo, mas boa parte
conhece e/ou utiliza esses canais.
Barcelos e Maricato (2021) complementam ao afirmar que o engajamento público,
adquirido pela visibilidade em redes sociais on-line, em conjunto com a possibilidade de diálogo
através destas, viabiliza outras maneiras de participação e colaboração da sociedade.
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1640.2023.v17.e023040.
Esses novos comportamentos fizeram com que um movimento surgisse para construção de
uma métrica da informação que considerasse as particularidades da produção científica
compartilhada em redes sociais on-line. É assim que despontam os estudos sobre altmetria.
Embora a discussão a respeito da temática prescinda anos atrás, o termo altmetria surge
somente em 2010, em um tweet do pesquisador Jason Priem. No tweet, o autor menciona que
apesar de gostar do termo articlelevelmetrics, até então utilizado pela comunidade acadêmica,
percebe que este não contempla a diversidade de medidas, demonstrando uma inclinação positiva
ao uso do termo altmetrics (Priem, 2010). A menção é relativamente recente, mas impulsionou a
criação de um movimento que traria contribuições significativas para dar visibilidade e otimizar o
desenvolvimento de estudos voltados para a temática da altmetria (Priem et al., 2010).
Entende-se que a altmetria é o estudo das métricas de impacto acadêmico-científico, com
base em atividades, ferramentas, recursos e ambientes on-line. Parte da coleta de dados,
observando as plataformas em que são disseminados seu conteúdo semântico, perfis dos usuários,
hashtags, datas de publicação, interações