1
FONSECA, Luciana Di Paula Andrade da; REDIGOLO, Franciele Marques; CÂNDIDO, Gilberto Gomes; MORAES
João Batista Ernesto de. Relações entre Política de Indexação e Política Linguística. Brazilian Journal of
Information Science: research trends, vol.17, publicação contínua, 2023, e023006. DOI: 10.36311/1981-
1640.2023.v17.e023006
RELAÇÕES ENTRE POLÍTICA DE INDEXAÇÃO E
POLÍTICA LINGUÍSTICA
Relations between indexing policy and language policy
Luciana Di Paula Andrade da Fonseca (1),
Franciele Marques Redigolo (2),
Gilberto Gomes Cândido (3),
João Batista Ernesto de Moraes (4)
(1) Universidade Federal do Pará (UFPA), Brasil, luhandra16de@gmail.com,
(2) franciele@ufpa.br
(3) ggcandido@ufpa.br
(4) Universidade Estadual Paulista (UNESP), Brasil, joao.batista@unesp.br
Resumo
Esta pesquisa discute as primeiras aproximações entre a política de indexação e a política linguística. Tem-
se como objetivo analisar as políticas de indexação de unidades de informação para destacar aspectos
implícitos e explícitos de uma política linguística. Trata-se de uma pesquisa exploratória e descritiva,
dividida em três etapas: levantamento teórico, busca e seleção documental e aplicação da técnica de análise
de conteúdo. Resultou-se que as decisões registradas em uma política de indexação, que direcionam a
utilização da linguagem documentária para indexar e recuperar documentos mediante o processo de
indexação e suas variáveis de escolha da linguagem documentária, especificidade e exaustividade podem
ser diretrizes de uma política linguística no contexto da ciência da informação. Concluiu-se que política de
indexação se aproxima de uma política linguística por apresentar decisões explícitas de uso da linguagem
documentária identificadas nas variáveis de escolha da linguagem, especificidade e exaustividade,
demonstrando uma interseção entre a Ciência da Informação e a Linguística, bem como também com a área
da Sociolinguística, por englobar relações sociolinguísticas que fazem parte do contexto, planejamento e
dos eixos horizontais e verticais que são elementos em comum nas duas políticas.
Palavras-chave: Política de indexação; Política linguística; Ciência da informação; Linguística textual
2
FONSECA, Luciana Di Paula Andrade da; REDIGOLO, Franciele Marques; CÂNDIDO, Gilberto Gomes; MORAES
João Batista Ernesto de. Relações entre Política de Indexação e Política Linguística. Brazilian Journal of
Information Science: research trends, vol.17, publicação contínua, 2023, e023006. DOI: 10.36311/1981-
1640.2023.v17.e023006
Abstract
This research discusses the first approximations between indexing policy and language policy. The
objective is to analyze the indexing policies of information units in order to highlight implicit and explicit
aspects of a language policy. This is an exploratory and descriptive research, divided into three stages:
theoretical survey, search and document selection and application of the content analysis technique. It
turned out that the decisions recorded in an indexing policy, which direct the use of documentary language
to index and retrieve documents through the indexing process and their variables of choice of documentary
language, specificity and exhaustiveness can be guidelines of a language policy in the context of
Information Science. It was concluded that indexing policy is close to a linguistic policy because it presents
explicit decisions on the use of documentary language identified in the variables of language choice,
specificity and exhaustiveness, demonstrating an intersection between Information Science and Linguistics,
also including the area of Sociolinguistics, for encompassing sociolinguistic relations that are part of the
context, planning, and the horizontal and vertical axes that are elements in common in both policies.
Keywords: Indexing policy; Language policy; Information Science; Textual linguistics
1 Introdução
A Política de Indexação (PI) no contexto de unidades de informação (bibliotecas, arquivos,
museus, centros de documentação, dentre outros) pode ser uma ferramenta de padronização dos
procedimentos de indexação e de determinação de uso da linguagem (Carneiro 1985; Fujita 2016),
conforme os interesses dos usuários da instituição (Lancaster 2004).
Diante disso, o uso da linguagem documentária pode ser um dos aspectos pertinentes da
política de indexação, que é utilizada para representação do conteúdo de um documento por
meio de termos, ou seja, uma linguagem documentária emergida da práxis da indexação (Fujita
2003).
Essa representação da informação é orientada por diretrizes para o uso da linguagem
documentária e pode ser característica de uma Política Linguística (PL), vista como uma "[...] área
de políticas públicas, concebidas e executadas por instituições [...], como os Estados, os governos,
as empresas, as igrejas, as empresas, as ONGs e associações, até em famílias" (Oliveira 2016 p.
382). Além disso, pode ter decisões explícitas e implícitas a respeito do uso da linguagem e, muitas
vezes, tem um aspecto menos formal (Garcez e Schulz 2016), sendo possível estar inserida dentro
de outras políticas (Oliveira 2016).
3
FONSECA, Luciana Di Paula Andrade da; REDIGOLO, Franciele Marques; CÂNDIDO, Gilberto Gomes; MORAES
João Batista Ernesto de. Relações entre Política de Indexação e Política Linguística. Brazilian Journal of
Information Science: research trends, vol.17, publicação contínua, 2023, e023006. DOI: 10.36311/1981-
1640.2023.v17.e023006
Dessa forma, o artigo propõe investigar a relação existente entre a política de indexação e
a política linguística como áreas que possuem uma interseção por meio da escolha da linguagem
documentária para indexação e recuperação da informação. Para tanto, buscou-se analisar a
política de indexação como uma política linguística no contexto das unidades de informação. A
partir da problemática apresentada, tem-se como objetivo analisar as políticas de indexação de
bibliotecas universitárias para destacar aspectos implícitos e explícitos de uma política linguística.
Para alcançar o objetivo proposto, a pesquisa utilizará como metodologia a análise de
conteúdo, que para Minayo (2000) e Bardin (2016) trata-se de um conjunto de técnicas que
analisam discursos diversificados, para mostrar a relação entre as áreas da Ciência da Informação
e da Linguística por meio de aproximações entre política de indexação e política linguística. Desse
modo, na seção seguinte discute-se o percurso metodológico do estudo.
2 Metodologia
A metodologia da pesquisa é de caráter exploratório e descritivo, com abordagem
qualitativa e foi desenvolvida em três momentos:
- momento - Levantamento teórico: A partir do levantamento teórico foi possível traçar
aproximações entre a política de indexação e a política linguística discutidas na seção 3.
- momento - Busca e seleção documental: Nesta etapa foram determinadas quais
políticas de indexação seriam analisadas para verificação de uso da linguagem documentária em
bibliotecas universitárias. Durante a busca e seleção das políticas de indexação, notou-se que
poucas instituições públicas e privadas possuem uma política de indexação registrada em manual
de indexação e disponibilizada no site da rede de bibliotecas da instituição.
Por isso, motivou-se a seleção de três políticas de indexação de regiões geográficas
diferentes, a saber: Universidade Federal de Goiás (UFG/Região Centro-Oeste); Universidade
Federal do Amazonas (UFAM/Região Norte); e a Universidade Estadual Paulista Júlio de
Mesquita Filho (UNESP/Região Sudeste).
4
FONSECA, Luciana Di Paula Andrade da; REDIGOLO, Franciele Marques; CÂNDIDO, Gilberto Gomes; MORAES
João Batista Ernesto de. Relações entre Política de Indexação e Política Linguística. Brazilian Journal of
Information Science: research trends, vol.17, publicação contínua, 2023, e023006. DOI: 10.36311/1981-
1640.2023.v17.e023006
As políticas de indexação estabelecidas fazem parte dos sistemas de bibliotecas das
instituições citadas acima, mostrando a forma de aplicação da linguagem documentária entre as
regiões brasileiras e em contextos específicos, que foi realizada por meio da análise de conteúdo.
- momento - Análise de conteúdo: A práxis utilizada nesta segunda etapa da
metodologia foi a técnica da análise de conteúdo, que se refere a um conjunto de instrumentos
metodológicos que ajudam na compreensão de discursos variados (Minayo 2000; Bardin 2016).
Dito isso, a análise de conteúdo foi construída em três etapas: a) pré-análise; b) categorias; e c)
tratamento dos resultados.
a) Pré-análise: foi realizada nas categorias que indicam o uso da linguagem documentária
dentro da política de indexação uma leitura flutuante, que consiste “em conhecer o texto deixando-
se invadir por impressões e orientações, [...] chamada de leitura ‘flutuante’ por fazer analogia com
a atitude do psicanalista” (Bardin 2016 p. 126).
b) Categorias: foi definida como categorias de análise o elemento processo de indexação e
suas variáveis conforme Carneiro (1985), Gil Leiva e Fujita (2012) para identificar os aspectos
implícitos e explícitos sobre decisões de uso da linguagem que caracterizam a política linguística,
como expõe o seguinte quadro.
Quadro 1 Categorias de análise das políticas de indexação
Categoria
Definição
Objetivos
Fonte
Escolha da
linguagem
documentária
Linguagem livre e/ou controlada; pré-
coordenada e/ou pós-coordenada; uso
de sistemas de organização do
conhecimento.
Verificar como a escolha
da linguagem é
estabelecida pelo sistema
de bibliotecas nas políticas
de indexação.
Carneiro (1985),
Gil Leiva e Fujita (2012)
Especificidade
Uso de termos específicos para
representação de um documento.
Identificar de que forma a
especificidade é trabalhada
pelos sistemas de
bibliotecas a partir da
política de indexação.
Exaustividade
Todos os termos extraídos podem ser
considerados para representar o
conteúdo de um determinado
documento, estabelecendo um
quantitativo de termos para
representação.
Observar o quantitativo de
termos definidos pelo
sistema de bibliotecas para
representação da
informação.
Carneiro (1985)
Fonte: Elaborado pelos autores (2022)
5
FONSECA, Luciana Di Paula Andrade da; REDIGOLO, Franciele Marques; CÂNDIDO, Gilberto Gomes; MORAES
João Batista Ernesto de. Relações entre Política de Indexação e Política Linguística. Brazilian Journal of
Information Science: research trends, vol.17, publicação contínua, 2023, e023006. DOI: 10.36311/1981-
1640.2023.v17.e023006
As categorias de análise, expostas no quadro 1, funcionaram como marcações para extração
de conteúdo da política de indexação por aproximação teórica com a política linguística. Desta
forma, foram selecionados trechos das políticas de indexação para análise nas três categorias
propostas, feito a partir da última etapa da análise de conteúdo, que é o tratamento dos resultados.
c) Tratamento dos resultados: Deu-se por meio de interpretações e inferências que se
referem às categorias de análise a partir de um recorte textual de partes das três políticas de
indexação, que sinalizam o uso da linguagem no contexto das bibliotecas universitárias e da teoria
estudada. Com isso, o próximo tópico narra sobre a política de indexação e suas aproximações
com a política linguística baseada na fundamentação teórica, tendo como autores Carneiro (1985),
Calvet (2007), Rubi (2008), Gil Leiva e Fujita (2012), Severo (2013), Garcez e Schulz (2016),
Oliveira (2016), Lima, Fujita e Redigolo (2021).
3 A Política de Indexação e a Política Linguística: diferenças e aproximações
A política de indexação para autores como Carneiro (1985), Fujita (2016), Garcia, Redigolo
e Benchimol (2018), Fonseca e Redigolo (2020) e Gomes e Lima (2021) é um conjunto de
diretrizes que orientam o profissional indexador na atividade da indexação, com objetivo da
recuperação, tornando a indexação e a recuperação faces da mesma moeda (Gil Leiva 2008). A
vista disso, a política de indexação pode ser considerada um documento administrativo, pois é
elaborada a partir de três requisitos: os objetivos da instituição, recursos financeiros, materiais e
humanos, e os usuários (Dal’Evedove e Fujita 2015).
Além disso, a política de indexação contém elementos que atuam na indexação e
recuperação da informação, são eles: cobertura de assunto, seleção e aquisição de documentos-
fontes, processo de indexação, avaliação do sistema, forma de saída, estratégias de busca e o tempo
de resposta do sistema (Rubi 2004, 2008; Fujita 2016).
Assim, infere-se que o sistema de recuperação da informação faz parte do planejamento de
uma política de indexação, que “[...] a indexação é um dos processos mais relevantes da
Organização da Informação em um Sistema de Recuperação da Informação (SRI)” (Lima, Fujita
6
FONSECA, Luciana Di Paula Andrade da; REDIGOLO, Franciele Marques; CÂNDIDO, Gilberto Gomes; MORAES
João Batista Ernesto de. Relações entre Política de Indexação e Política Linguística. Brazilian Journal of
Information Science: research trends, vol.17, publicação contínua, 2023, e023006. DOI: 10.36311/1981-
1640.2023.v17.e023006
e Redigolo 2021 p. 284). Entende-se, dessa forma, que a política de indexação é elaborada para
orientar o profissional indexador, demonstrando que a indexação é o seu principal elemento.
A indexação é uma atividade que obtém variáveis que estão conexas com o sistema de
recuperação da informação, sendo eles: a especificidade, exaustividade, precisão, revocação e
escolha da linguagem. Essas variáveis da indexação estabelecem de que forma a linguagem será
utilizada para representar o conteúdo documental no sistema de informação, sendo como uma
linguagem geral e/ou específica, por exemplo, como uma linguagem natural (utilizada no dia-a-
dia) e/ou uma linguagem documentária (sistemas de organização do conhecimento) (Cintra et al.,
2002; Cervantes 2009).
Segundo Cintra et al. (2002 p. 34) as linguagens documentárias agem “como instrumentos
intermediários ou instrumentos de comutação, através dos quais se realiza a ‘tradução’ da síntese
dos textos e das perguntas dos usuários". Essa síntese e tradução dos textos ocorre a partir da
Análise de Assunto e a Tradução, etapas da indexação (Lancaster 2004).
Com base nisso, todas as decisões tomadas a respeito da indexação e recuperação deverão
estar registradas em uma política de indexação para padronizar a aplicação dos procedimentos:
leitura documentária, identificação e seleção de conceitos, sendo vista, não como um conjunto de
regras, e sim como uma filosofia a ser seguida (Rubi 2004, 2008), uma vez que os profissionais da
informação possuem visões de mundo distintos em um mesmo contexto.
Para Lima, Fujita e Redigolo (2021 p. 285) “[...] a determinação e a representação dos
conceitos dos documentos estão ligadas ao discurso e às atividades em um contexto [...]”. Assim,
entende-se o contexto pelo “[...] enunciado que exprime uma ideia completa, no qual o termo
estudado se encontra atualizado. E a identificação das características de um conceito em um
contexto é possível graças aos descritores” (Barros 2004 p. 109). Dessa forma, o conceito pode ser
definido por meio de suas características, representado por um símbolo verbal - o termo (Lima,
Fujita e Redigolo 2021).
A influência do contexto para a definição dos termos para representar a informação
contribui no uso da linguagem documentária, para “[...] evitar a ambiguidade e polissemia, pois
uma expressão linguística pode apresentar mais de um entendimento” (Lima, Fujita e Redigolo
7
FONSECA, Luciana Di Paula Andrade da; REDIGOLO, Franciele Marques; CÂNDIDO, Gilberto Gomes; MORAES
João Batista Ernesto de. Relações entre Política de Indexação e Política Linguística. Brazilian Journal of
Information Science: research trends, vol.17, publicação contínua, 2023, e023006. DOI: 10.36311/1981-
1640.2023.v17.e023006
2021 p. 285), fazendo-se um controle terminológico. Desse modo, a linguagem pode ter várias
interpretações em um contexto, podendo sofrer equívocos e, assim, levar ao erro na representação,
bem como refletir na recuperação da informação.
Definir as funções da linguagem para representação e recuperação é possível mediante a
interdisciplinaridade da área da Ciência da Informação com outros campos do conhecimento, como
o campo da Linguística (Borko 1968; Pinheiro 1998), e podendo ir além, para o campo da
Sociolinguística (Etto e Carlos 2017). No estudo de Mendonça (2000 p. 50) uma das interseções
entre a área da Linguística e a Ciência da Informação é a representação da informação,
entrelaçando “a contribuição da linguística, via linguagem, e a função social da ciência da
informação, via comunicação [...]”.
A área da Linguística pode ser representada por Ferdinand de Saussure, com a obra Curso
de Linguística Geral, compilado depois de sua morte por alunos franceses, dando uma grande
contribuição para o desenvolvimento da linguística básica e aplicada, mostrando a diferença entre
língua e linguagem, signo, significado e significante, dando um aspecto estruturalista para a
linguística (Maimone e Tálamo 2011).
Todavia, Mikhail Bakhtin aborda a questão da linguística e sua natureza social, como a
fala, a enunciação, a valorização dos dados reais, onde a fala está conectada as estruturas sociais,
partindo do individual para o social e se contrapondo com a linguística básica e aplicada de
Saussure (Bakhtin 2006). Além de Saussure e Bakhtin, temos Noam Chomsky, que na década de
60 trouxe contribuições mais avançadas à área da linguística, dando o status de ciência
transformacional, com uma gramática generalista (Mendonça 2000).
A partir das contribuições dadas por Saussure, Bakhtin e Chomsky para o desenvolvimento
da ciência linguística, foi possível que a mesma fosse solicitada para “a construção de conceitos
em diversos campos do conhecimento humano” (Mendonça 2000 p. 50), tal como o campo da
Ciência da Informação, sendo a linguagem documentária um elo entre a Linguística e a Ciência da
Informação. Visto que, Maimone e Tálamo (2011 não paginado) expõe a linguagem documentária
como “hipóteses de organização da informação que intentam promover o encontro informação
8
FONSECA, Luciana Di Paula Andrade da; REDIGOLO, Franciele Marques; CÂNDIDO, Gilberto Gomes; MORAES
João Batista Ernesto de. Relações entre Política de Indexação e Política Linguística. Brazilian Journal of
Information Science: research trends, vol.17, publicação contínua, 2023, e023006. DOI: 10.36311/1981-
1640.2023.v17.e023006
usuário, utilizando-se de conhecimentos teóricos e práticos, dentre outras, de áreas como a
Linguística”; dando aspectos da linguística documental.
Conforme Almeida et al. (2020) a linguagem documental (documentária) tem como base
conceitual a linguística documental, tendo como representante García Gutiérrez, que considera a
linguística documental uma disciplina fornecedora de “[...] subsídios teóricos e conceituais ao
campo da recuperação da informação [...]” (Almeida et al. 2020 p. 4). Vale ressaltar que, as
linguagens documentárias são identificadas por meio da indexação, que pode ser feita em um
contexto específico, assim, sendo necessário a elaboração de diretrizes para orientar os afazeres da
indexação.
Desse modo, é possível visualizar uma relação da política de indexação com a linguística,
por conter decisões sobre como a linguagem documentária deverá ser manipulada dentro de um
ambiente organizacional, e estas decisões devem ser explícitas nas variáveis do processo de
indexação, como a escolha da linguagem, especificidade e exaustividade (Carneiro 1985; Gil Leiva
e Fujita 2012). Essas decisões de uso da linguagem podem ser consideradas diretrizes de uma
política linguística.
As primeiras discussões sobre a política linguística, de acordo com Calvet (2007),
ocorreram na Europa em 1959, por Einar Haugen, no qual o autor aborda problemas de variações
linguísticas na Noruega. Uma vez que essa temática retorna em um evento no qual marcou o
surgimento da Sociolinguística, no ano de 1964 na Califórnia, que foi trazida pelo próprio autor,
envolvendo questões da política linguística e suas relações com a sociedade (Calvet 2007). Desse
modo, compreende-se que a política linguística pode ser diretrizes que vão além da linguística, já
que “[...] implica ao mesmo tempo uma abordagem científica das situações sociolinguísticas [...]”
(Calvet 2007 p. 19).
Ainda sobre isso, Calvet (2007) explica que a política linguística pode ser retratada como
um conjunto de decisões referentes às relações entre o uso das línguas e a sociedade por meio do
Estado - ações governamentais, em que a sua implantação ocorre por meio do planejamento
linguístico (language planning); de ações não-governamentais em um âmbito local (Calvet 2007;