SARTORI, Rejane; MACHADO, Hilka Pelizza Vier; TONIAL, Graciele. Conhecimento Crítico na Área da Saúde:
análise da produção científica e agenda de pesquisas. Brazilian Journal of Information Studies: research
trends, vol. 17, publicação continua, 2023, e023035. DOI: 10.36311/1981-1640.2023.v17.e023035
CONHECIMENTO CRÍTICO NA ÁREA DA
SAÚDE:
análise da produção científica e agenda de pesquisas
Critical Knowledge in the Area of Health: analysis of scientific production and research agenda
Rejane Sartori (1), Hilka Pelizza Vier Machado (2), Graciele Tonial (3)
(1) Universidade Cesumar, Universidade Estadual de Maringá e Instituto Cesumar de
Ciência, Tecnologia e Inovação (ICETI), Brasil, rejanestr@gmail.com
(2) Universidade Cesumar e Instituto Cesumar de Ciência, Tecnologia e Inovação
(ICETI), Brasil, hilkavier@yahoo.com
(3) Universidade do Oeste de Santa Catarina, Brasil, graciele.tonial@unoesc.edu.br
Resumo
O objetivo deste artigo é mapear e analisar a produção científica em conhecimento crítico na área da saúde,
a fim de compreender os temas e sugerir uma agenda de pesquisa. A pesquisa é caracterizada como
exploratória, e utilizou o método da revisão sistemática. O levantamento de dados foi realizado por meio
de pesquisas nas bases de dados Emerald, Scopus e Web of Science. Foram identificados 641 artigos com
a utilização das strings de busca critical knowledge AND health”. Após análise dos títulos e de acordo com
critérios de inclusão e exclusão previamente estabelecidos, foram selecionados 45 artigos para análise de
conteúdo. Os resultados demonstram que o tema é investigado em 10 temáticas distintas, as quais foram
desdobradas em 45 subtemas, evidenciando o estado da arte. Por fim, foram sugeridos temas que podem
trazer novos insights e estimular pesquisadores nesse campo de estudos.
Palavras-chaves: Gestão do conhecimento; Conhecimento crítico; Saúde; Gestão da Saúde.
Abstract
This research aims to map and analyze the scientific production in critical knowledge in health, to
understand the themes and suggest a research agenda. The research is characterized as exploratory and used
the systematic review method. Data collection was carried out through searches in the Emerald, Scopus and
Web of Science databases. 641 articles were identified using the search strings “critical knowledge AND
health”. After analyzing the titles and according to previously established inclusion and exclusion criteria,
45 articles were selected for content analysis. The results show that the theme is investigated in 10 different
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themes, which were divided into 45 sub-themes, showing the state of the art. Finally, themes were suggested
that could bring new insights and stimulate researchers in this field of study.
Keywords: Knowledge management; Critical knowledge; Health; Health organizations.
1 Introdução
A experiência vivida com a pandemia, ocasionada pela COVID-19, requereu mudanças
não planejadas por organizações de diferentes setores (Mariano 2021) e colocou em evidência a
relevância do conhecimento especializado para resolver questões complexas (Wang e Wu 2020).
Ao mesmo tempo, essas circunstâncias reforçaram a premissa de que o conhecimento é um recurso
estratégico e de valor para as organizações (Grant 1996).
Contudo, gerenciar o conhecimento depende da natureza e da complexidade do
conhecimento envolvido, que pode ser simples em um determinado contexto e ou complexo em
outro (Kim e Anand 2018). Um dos contextos em que a gestão do conhecimento tem sido aplicada
é o da saúde (Wang e Wu 2020). O conhecimento e as inovações nesse setor dependem cada vez
mais de recursos intangíveis e de capacidades dinâmicas (Wu et al. 2022). A gestão do
conhecimento na área da saúde é importante para orientar a retenção de conhecimento crítico
(Wang e Wu 2020), bem como para estimular inovação (Ermine et al. 2006), resiliência (Barney
et al. 2011) e compartilhamento de informações (Pereira e Santos 2019).
Organizações da área de saúde são intensivas em conhecimento (Cruz e Ferreira 2016) e
apresentam particularidades, sendo desafiadas a criar soluções rápidas para os problemas que
surgem, além disso, elas enfrentam uma demanda crescente por seus serviços. No entanto, a
constante evolução das tecnologias e o crescimento de múltiplas fontes de conhecimento
possibilitam que essas organizações compartilhem conhecimento com parceiros e comunidades
para oportunizarem soluções e apoiar processos de decisões (Pereira e Santos 2013). Assim,
estabelecer estratégias para gestão e absorção do conhecimento parece ser uma alternativa
estratégica para essas empresas (Wu et al. 2022).
Algumas pesquisas buscam analisar e ampliar o entendimento sobre gestão do
conhecimento na área de saúde, tais como as de Huang e Cummings (2011), Cannavacciuolo et al.
(2017), Johnson et al. (2018), porém, a abordagem sobre o conhecimento crítico nesse campo
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ainda não é suficiente para que os gestores analisem, identifiquem, retenham e compartilhem esse
tipo de conhecimento, e em decorrência dessa gestão possam aprimorar os processos da área de
saúde. Com isso, compreender os elementos e a complexidade da estrutura do conhecimento crítico
constitui importante agenda de pesquisa (Balaid et al. 2016).
Nesse sentido, considerando a relevância do conhecimento crítico para a área da saúde, este
estudo foi delineado para responder essas questões: Como se apresenta a produção científica sobre
conhecimento crítico e saúde? Quais são os temas de estudos sobre conhecimento crítico e saúde
em produções científicas? Portanto, este estudo tem como objetivo mapear e analisar a produção
científica em conhecimento crítico na área da saúde, a fim de compreender temas privilegiados
pela comunidade científica. A partir dos estudos identificados, propõe-se uma agenda de pesquisas.
A apresentação deste artigo está estruturada em cinco seções. Após esta seção introdutória,
a seção seguinte contém os elementos teóricos que embasam a pesquisa. Na terceira seção são
descritos os procedimentos metodológicos empregados e na quarta, apresentados os resultados,
seguidos de discussão. Encerra-se com as conclusões, seguidas das referências utilizadas.
2 Considerações sobre conhecimento crítico
A teoria da visão baseada no conhecimento preconiza que o conhecimento é um recurso
significativo para as organizações (Argote e Ingram 2000; Grant 1996). Para essa abordagem,
estratégias para mapear, classificar, estruturar e compartilhar o conhecimento contribuem para
melhorar a transferência, aplicação e reutilização de conhecimento crítico em organizações
(Weightman e Curson 2018).
Huang e Cummings (2011 p. 669) definem o conhecimento crítico como “a informação
mais influente, o know-how ou feedback que contribui diretamente para os resultados de tarefas, é
complexo e incorpora experiências anteriores, integração e interpretação”. Os autores apresentam
três tipos de conhecimento crítico: exploratório, combinado e explorador. Para os três tipos eles
salientam que o conhecimento crítico é complexo, envolvendo múltiplos passos ou procedimentos,
requerendo sense making e incorporação de experiências anteriores.
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Neste contexto, Cepeda-Carrion et al. (2017) sugerem que a utilização de combinações de
processos de gestão do conhecimento crítico, como capacidade de absorção, transferência e
aplicação de conhecimento, contribui para criação de valor. E para melhorar a transferência,
aplicação e reutilização de conhecimento crítico em uma organização, Weightman e Curson (2018)
ressaltam que práticas de gestão do conhecimento podem contribuir para a tomada de decisão.
Neste mesmo sentido, Ermine et al. (2006) apontam que fatores como raridade, utilidade,
dificuldade para capturar o conhecimento e a natureza do conhecimento devem ser considerados
para mapear o conhecimento crítico das organizações e definir estratégias de gestão do
conhecimento, pois a compreensão da complexidade e de elementos estruturais dos conhecimentos
existentes permitem impulsionar aprendizagem (Enkel et al. 2017), desempenho de organizações
(Balaid et al. 2016) e inovação (Ermine et al. 2006).
O conhecimento crítico é complexo e sua compreensão requer avaliação de múltiplas
conexões entre eventos ao longo do tempo (Tsoukas 2005). Huang e Cumming (2011) consideram
que identificar a estrutura do conhecimento crítico é uma das principais iniciativas da gestão do
conhecimento, assim, gerir o conhecimento crítico é um desafio para qualquer organização.
Argote et al. (2003) salientam que a estrutura do conhecimento influencia na quantidade e
no lugar onde o conhecimento é retido, bem como com que facilidade ele se difunde dentro e além
dos limites da organização. Nesse sentido, os efeitos da gestão do conhecimento se propagam para
além da organização, e quando se trata de conhecimento crítico, a sua complexidade pode
influenciar a organização na exploração de mecanismos de aprendizagem e podem ser fatores que
potencializam a inovação (Enkel et al. 2017).
Do mesmo modo, Dávila et al. (2021) observam que a complexidade do conhecimento
pode afetar a capacidade de absorção da organização, uma vez que tarefas que exigem maior nível
de processamento cognitivo tendem a ser mais difícil de codificar e compartilhar. Quando o
conhecimento crítico é complexo, os fluxos e processamento da informação provocam dificuldade
para seu compartilhamento, o que também pode afetar sua reutilização, dificultando a interação.
Fatores críticos do conhecimento foram analisados por AlShamsi e Ajmal (2018), que
identificaram a importância de aspectos gerenciais, tais como liderança, cultura organizacional e
estratégia. Além disso, os autores salientam o papel imprescindível de processos e da estrutura
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organizacional, bem como a necessidade de engajamento de empregados. Neste contexto, surgem
aspectos direcionados às organizações da saúde, que enfrentam um paradigma para gerenciar e ou
organizar o conhecimento crítico.
2.1 Conhecimento crítico em organizações da saúde
O conhecimento crítico tem sido estudado em diversos tipos de organizações. Na saúde,
ele apresenta uma perspectiva importante para os desafios impostos pela realidade tecnológica, na
medida em que a superação de fatores críticos do conhecimento depende da cooperação de diversos
parceiros a fim de possibilitar a oferta de serviços de qualidade (Morr e Subercaze 2010), bem
como ampliação de uso, acesso e compartilhamento do conhecimento (Pereira e Santos 2019).
Além da complexidade, salienta-se a necessidade de confidencialidade e privacidade,
inerentes à ontologia do conhecimento crítico em saúde, na medida em que as organizações lidam
com informações pessoais de pacientes e conhecimento de diferentes fontes (Pereira e Santos
2013). Mundy e Chadwick (2004) observam que o gerenciamento do conhecimento é uma prática
essencial para mitigar os efeitos dos riscos de vazamento de informações. Assim, as organizações
de saúde precisam assegurar que o conhecimento crítico seja capturado, armazenado, distribuído,
usado, destruído e restaurado com segurança. Os autores destacam distintas abordagens para
minimizar riscos, com base nos