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KOHLER, Andre; DIGIAMPIETRI, Luciano Antonio. Periódicos Brasileiros de Turismo: Avaliação de sua estrutura
intelectual, por meio do método de acoplamento bibliográfico (autores e documentos). Brazilian Journal of
Information Science: Research trends, vol. 17, publicação continua, 2023, e023017. DOI: 10.36311/1981-
1640.2023.v17.e023017.
PERIÓDICOS BRASILEIROS DE TURISMO:
Avaliação de sua estrutura intelectual, por meio do
método de acoplamento bibliográfico (autores e
documentos)
Brazilian tourism journals: evaluation of its intellectual structure, by means of bibliographic coupling
(authors and documents)
Andre Kohler (1), Luciano Antonio Digiampietri (2)
(1) Universidade de São Paulo, Brasil, afontan@usp.br. (2) digiampietri@usp.br
Resumo
O trabalho avalia a estrutura intelectual de 16 periódicos brasileiros de turismo, por meio da citação e
cocitação de 108.595 referências de 3.887 artigos (1990-2018). Busca-se traçar um panorama dessa
estrutura intelectual, apresentar rankings de autores e documentos mais influentes, e “mapear” a estrutura
intelectual (temas, subcampos etc.). Com o passar das décadas, a estrutura intelectual tem tornado-se,
crescentemente, mais complexa e robusta. O contínuo crescimento da média e mediana de referências por
artigo e aumento da importância dos artigos de periódico indicam, ceteris paribus, que as redes de
acoplamento bibliográfico tendem a revelar, mais apuradamente, essa estrutura intelectual, com seus
subcampos, temas e escolas de pensamento. Contudo, apesar desse aumento, há, ainda, poucos artigos de
periódico dentre os documentos mais influentes e cocitados. É patente a grande influência e centralidade
de livros didáticos e/ou introdutórios ao turismo, secundados por manuais de metodologia, os quais, em
conjunto, indicam certo predomínio da pesquisa qualitativa. Nos agrupamentos de ciências sociais, percebe-
se o domínio de livros, com a quase inexistência de artigos de periódico muito citados. marcada
influência da sociologia, antropologia e geografia. Nos agrupamentos de estudos de negócios turísticos,
predominam os trabalhos sobre destino turístico. Cumpre destacar que, nas redes de acoplamento
bibliográfico (autores e documentos), dado que seu centro é ocupado por autores e livros de ampla
utilização, os subcampos e principais temas da estrutura intelectual são observáveis, apenas, na
semiperiferia e periferia dessas redes.
Palavras-chave: Turismo; Ciência da informação; Periódicos brasileiros de turismo; Estrutura intelectual;
Redes de acoplamento bibliográfico.
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intelectual, por meio do método de acoplamento bibliográfico (autores e documentos). Brazilian Journal of
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1640.2023.v17.e023017.
Abstract
We evaluate the intellectual structure of 16 Brazilian tourism journals, by means of the citation and co-
citation of 108,595 references from 3,887 articles (1990-2018). We aim to provide an overview of this
intellectual structure, to present rankings of the most influential authors and documents, and to “map” the
intellectual structure (themes, subfields, etc.). Over the decades, the intellectual structure has become
increasingly more complex and robust. The continuous growth of the average and median of references per
article and the increase in the importance of journal articles indicate, ceteris paribus, that bibliographic
coupling networks tend to reveal, more accurately, this intellectual structure, with its subfields, themes, and
schools of thought. However, despite this increase, there are still few journal articles among the most
influential and co-cited documents. The great influence and centrality of textbooks and/or introductory
books is evident, stepped up by manuals of research methodology, which, together, indicate a certain
predominance of qualitative research. In the social science clusters, the domain of books is evident, with
few highly cited journal articles. There is a marked influence of sociology, anthropology, and geography.
In clusters of tourism business, works centered on tourist destinations predominate. It should be noted that,
in the bibliographic coupling networks (authors and documents), given that their center is composed by
widely used authors and books, the subfields and main themes of the intellectual structure are only
observable in the semi periphery and periphery of these networks.
Keywords: Tourism; Information science; Brazilian tourism journals; Intellectual structure; Bibliographic
coupling networks.
1 Introdução
A publicação científica reúne o conjunto de teorias, metodologias de pesquisa, aplicações
e resultados de uma ciência, disciplina ou campo, e forma, dessa maneira, sua base de
conhecimento. Dentro da publicação científica, os periódicos são considerados vitais para a
criação, troca e circulação de conhecimento científico, ao reunir o tipo de trabalho visto como o
mais relevante e qualificado. Isso se deve, essencialmente, ao fato de os periódicos contarem com
uma política editorial bem definida e o sistema de avaliação duplo cega por pares (double blind
review), por meio dos quais os artigos publicados são vistos como conhecimento “qualificado” e
“certificado” (Tribe 1997; Pechlaner et al. 2004; Miranda e Rejowski 2013).
Via de regra, os autores não partem sua pesquisa do zero. É, crescentemente, difícil
encontrar artigos de periódico desprovidos de referências bibliográficas. Os autores costumam
citar trabalhos que foram importantes para sua pesquisa, os quais são listados nas referências do
artigo. Esse conjunto de citações permite verificar as bases teóricas, conceituais e metodológicas
e as principais influências da pesquisa, assim como seu tema e especialidade. Para uma ciência,
disciplina ou campo como um todo, a citação e cocitação das referências de um conjunto de
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publicações (por exemplo, artigos de periódico) permitem verificar sua estrutura intelectual e
principais áreas temáticas.
Uma área de conhecimento pode ser estudada por meio de diferentes abordagens. Pode-se
avaliar o que está sendo produzido (por exemplo, com a utilização das palavras-chave dos artigos),
a autoria (autores, instituições e países), os tipos de trabalhos publicados (artigos de periódico,
livros, capítulos de livro etc.) e o veículo da publicação, entre outros. Pode-se avaliar, também, o
impacto das publicações de determinada área (quais são os documentos que citam os artigos dessa
área), e ver, também, o que é referenciado por essas publicações, isto é, quais são os documentos
presentes em suas referências bibliográficas.
Como objeto de estudo, trabalha-se com o conjunto de 16 periódicos brasileiros de turismo,
mais especificamente suas referências bibliográficas. Foram contemplados, apenas, os artigos
completos publicados no período 1990-2018, em cada uma dessas revistas científicas, no total de
3.887. A pesquisa não contemplou outros tipos de documentos publicados em periódicos, a
exemplo de resenhas, editoriais e entrevistas.
três objetivos principais. Primeiro, busca-se caracterizar a estrutura intelectual dos
periódicos brasileiros de turismo (1990-2018), no que concerne à média e mediana de referências
por artigo e ao tipo de documento referenciado, a saber: a) artigo de periódico (campo de turismo);
b) artigo de periódico (outros); c) livro; d) capítulo de livro; e) monografia (mestrado/doutorado);
f) comunicação (artigo completo em anais de evento técnico-científico); e g) outros. Essa
caracterização é enriquecida com a trajetória dessa estrutura intelectual, a qual permite apontar
tendências nela presentes.
Segundo, apresentam-se rankings de autores e documentos, por meio das citações na
estrutura intelectual. Objetiva-se, com isso, verificar quais são os autores e obras mais influentes,
ou seja, mapear as principais influências intelectuais dos artigos sob análise. Para os principais
autores e documentos, observam-se pontos como, por exemplo, tipo de produção científica
(documentos) e área de atuação, a fim de compreender os padrões eventualmente existentes no
conjunto de elementos mais influentes.
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intelectual, por meio do método de acoplamento bibliográfico (autores e documentos). Brazilian Journal of
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Terceiro, cumpre “mapear” a estrutura intelectual, por meio de citações e acoplamento
bibliográfico. Busca-se destacar as características dos autores e documentos mais citados e mais
centrais nas redes de acoplamento bibliográfico, assim como destacar e avaliar os principais temas
e escolas de pensamento presentes. Pretende-se, também, verificar a existência de eventuais
silêncios e lacunas na estrutura intelectual.
O presente trabalho permite o estudo do turismo como um campo de conhecimento,
centrando-se em sua estrutura intelectual. Por meio dele, é possível perceber o estado atual do
campo, com as obras e autores mais citados e os temas e escolas de pensamento proeminentes,
assim como eventuais lacunas e silêncios. Isso é de particular valor tanto para recém-ingressantes
no campo, os quais podem ter dificuldades para sua devida compreensão e conhecimento, quanto
para pesquisadores mais experientes, para os quais os resultados servem de objeto de reflexão.
2 Trabalhos relacionados
A epistemologia é o ramo da filosofia que estuda o conhecimento. Como bem sintetiza
Tribe (1997 p. 639, tradução nossa), a epistemologia do turismo ocupa-se com as seguintes
questões:
[…] as características do conhecimento em turismo, as fontes do conhecimento em
turismo, a validade e credibilidade das alegações de conhecimento do mundo
exterior do turismo, a utilização de conceitos, as fronteiras dos estudos turísticos e
a categorização dos estudos turísticos como uma disciplina ou campo.
Segundo Broadus (1987 p. 376, tradução nossa), a bibliometria é: “[...] o estudo
quantitativo de unidades físicas publicadas, ou de unidades bibliográficas, ou de substitutos de
ambos”. A bibliometria não é uma teoria; trata-se de um conjunto de métodos e técnicas, o qual
permite a descrição, análise e avaliação da publicação científica, em pontos como, por exemplo,
sua estrutura intelectual, estrutura social e autores com mais alta produção. Por meio de técnicas
estatísticas básicas e avançadas, a bibliometria consegue medir a produção e disseminação do
conhecimento feitas por meios formais de publicação científica (por exemplo, artigos de periódico)
(Andrade et al. 2014; Koseoglu et al. 2016; Mulet-Forteza et al. 2019).
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intelectual, por meio do método de acoplamento bibliográfico (autores e documentos). Brazilian Journal of
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Kirilenko e Stepchenkova (2018 p. 1-2, tradução nossa) bem sintetizam a importância dos
estudos bibliométricos para o campo de turismo:
[…] [o] exame sistemático da publicação científica é utilizado para rastrear a
evolução da disciplina, identificar novas tendências e desenvolvimentos, apontar
lacunas no conhecimento e áreas de inconsistência nos resultados de pesquisa,
sugerir direções para pesquisas futuras, e, de forma geral, prover um panorama
atualizado do campo. Para uma disciplina tão ampla e diversa como o turismo, a
qual recebe contribuições de vários campos de investigação, a análise de suas
propriedades estruturais é de particular valor.
As técnicas e métodos bibliométricos podem ser divididos, de modo geral, em avaliativos
e relacionais. Os estudos avaliativos medem o desempenho de um artigo, autor, instituição ou
mesmo país, por meio de medidas de produtividade, de impacto e/ou híbridas. Os estudos
relacionais trabalham com as relações existentes entre os dados analisados, como, por exemplo, o
acoplamento bibliográfico de autores e documentos, a análise de cocitação de autores e
documentos e a coautoria de documentos publicados (autores, instituições e/ou países das
instituições) (Benckendorff e Zehrer 2013; Koseoglu et al. 2016).
Segundo González-Alcaide et al. (2016), há três métodos mais utilizados para a avaliação
das referências de um conjunto de documentos, a saber: a) citação; b) acoplamento bibliográfico;
e c) análise de cocitação. O primeiro refere-se ao impacto de determinado documento ou autor
(nesse caso, conjunto de suas publicações), e serve como indicador de sua influência e mérito no
processo de construção de conhecimento. É, também, comum o lculo do impacto de revistas
científicas.
O acoplamento bibliográfico e a análise de cocitação são métodos de análise relacional das
referências bibliográficas, os quais, segundo Grácio (2016 p. 84): “[...] [são] destinados a mapear
as proximidades temáticas, teóricas e/ou metodológicas entre artigos, autores, periódicos, países
ou outras unidades de análise: [...]”.
O método de acoplamento bibliográfico foi criado por Kessler (1963). Parte-se do princípio
de que se dois artigos incluem, em suas referências bibliográficas, um mesmo elemento (por
exemplo, documento, autor ou revista científica), eles guardam algum tipo de relação entre si, seja
o tema de pesquisa ou base teórica, conceitual e/ou metodológica (González-Alcaide et al. 2016;
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KOHLER, Andre; DIGIAMPIETRI, Luciano Antonio. Periódicos Brasileiros de Turismo: Avaliação de sua estrutura
intelectual, por meio do método de acoplamento bibliográfico (autores e documentos). Brazilian Journal of
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Grácio, 2016). O acoplamento bibliográfico é uma análise retrospectiva, e se baseia nas escolhas
de quem cita, ou seja, os autores do documento em questão. Outro ponto importante do
acoplamento bibliográfico é que ele considera todas as referências bibliográficas dos documentos
sob análise, ponto de distinção importante em relação à análise de cocitação (Grácio, 2016;
Glänzel, 2003).
A análise de cocitação foi proposta por Small (1977), tendo sido, inicialmente, aplicada
para mapear o então rápido crescimento da pesquisa sobre o colágeno. Segundo González-Alcaide
et al. (2016), a cocitação ocorre quando dois documentos estão presentes nas referências
bibliográficas de um terceiro documento. Logo, a análise de cocitação é baseada: “[...] na
identificação e quantificação da frequência com a qual pares de documentos aparecem,
conjuntamente, nas bibliografias de publicações científicas sob estudo(González-Alcaide et al.
2016 p. 711 tradução nossa).
A análise de cocitação é útil para mapear as principais linhas de pesquisa, assim como a
proximidade temática e de base teórica, conceitual e metodológica dos documentos a autores
cocitados. Trata-se de uma análise prospectiva, ao se basear não no que os autores colocam nas
referências bibliográficas de seu documento, como faz o acoplamento bibliográfico, mas sim por
quem esse documento é citado. Ou seja, a estrutura intelectual é definida pelos citantes, e não pelos
próprios autores na montagem de suas referências bibliográficas. Isso faz com que a análise de
cocitação acabe por se restringir aos documentos e autores mais citados, ao contrário do
acoplamento bibliográfico, o qual contempla todas as referências (González-Alcaide et al. 2016;
Grácio, 2016).
Para apenas um artigo, essa cocitação pode trazer carga considerável de ruídos e distorções,
dado que as referências são citadas por motivos diversos. Para um amplo conjunto de artigos, esses
ruídos e distorções são minimizados, já que se estudam as cocitações mais relevantes. Para mapear
a estrutura intelectual de uma ciência, disciplina ou campo, cumpre verificar tanto a frequência das
citações (autores e obras) quanto as cocitações mais relevantes (Otte e Rousseau 2002;
Benckendorff 2009; Benckendorff e Zehrer 2013). Por meio de um levantamento de 190 estudos
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KOHLER, Andre; DIGIAMPIETRI, Luciano Antonio. Periódicos Brasileiros de Turismo: Avaliação de sua estrutura
intelectual, por meio do método de acoplamento bibliográfico (autores e documentos). Brazilian Journal of
Information Science: Research trends, vol. 17, publicação continua, 2023, e023017. DOI: 10.36311/1981-
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bibliométricos em turismo, Koseoglu et al. (2016) apontam que há, apenas, três que contemplam
a análise de cocitação de referências.
Os dois métodos são úteis para a análise da estrutura intelectual dos periódicos brasileiros
de turismo, por mais que possam produzir resultados particularmente muito diferentes entre si.
Como será visto, na seção “3 Materiais e métodos”, a presente pesquisa é baseada no acoplamento
bibliográfico (autores e documentos), não realizando uma análise de cocitação.
Gilmet-Pagés et al. (2022) destacam a gradativa migração da importância, nas ciências
humanas, da publicação de livros para a publicação de artigos científicos. Os autores defendem a
realização de estudos que não contemplem, apenas, periódicos muito conhecidos e/ou com alto
fator de impacto, pois é importante conhecer a produção científica veiculada em revistas científicas
de alcance nacional ou regional.
Benckendorff e Zehrer (2013) estudam as referências de artigos dos Annals of Tourism
Research, Tourism Management e Journal of Travel Research, publicados em 1996-2010, com a
extração de dados por meio do Scopus. Segundo os autores, a estrutura intelectual é marcada por
um centro, o qual representa os temas centrais da literatura de turismo. Já a periferia concentra os
subcampos emergentes, assim como os autores e obras ligados a pontos consolidados na literatura
de turismo, porém muito especializados.
O centro é composto por três agrupamentos, a saber:
A análise fatorial identificou três agrupamentos claros de obras, as quais são,
frequentemente, citadas conjuntamente obras que representam, fortemente,
temas de sociologia, antropologia e psicologia, trabalhos que têm uma base de
geografia e planejamento, e obras com foco no comportamento do consumidor.
Dessa forma, a análise fatorial realçou a natureza interdisciplinar da pesquisa em
turismo. Evidente na análise dos autores [constantes nas referências] são três temas
claros: turismo como um fenômeno social; planejamento do turismo e percepção
dos residentes [locais]; e comportamento do consumidor e percepções do turista
sobre os destinos. Uma interpretação pós-disciplinar dos resultados pode sugerir
que um tema foca nos turistas, outro na oferta [turística] e planejamento do destino
e um terceiro na imagem do destino e marketing. (Benckendorff e Zehrer 2013 p.
140-141 tradução nossa)
Gusmão et al. (2010) analisam o consumo de informação do periódico Informação &
Sociedade: Estudos, por meio das referências de seus artigos. Os autores destacam que diferentes
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áreas de conhecimento possuem distintas abordagens de consumo; por exemplo, em física,
química, biologia e medicina, o consumo é centrado em artigos de periódico, ao passo que em
outras, caso de Ciência da Informação, há um consumo maior de monografias. Isto foi confirmado
para o periódico Informação e Sociedade: Estudos, dado que monografias correspondiam a 44,95%
dos documentos mais citados. O conjunto de referências não permitiu a identificação de um
referencial teórico básico compartilhado entre os artigos publicados.
Tribe (2010) aponta que o prestígio acadêmico deriva não apenas de medidas objetivas, a
exemplo de número de artigos publicados nos principais periódicos internacionais de turismo, mas,
também, do pioneirismo dentro do campo. Valene L. Smith é um caso emblemático, ao ter
defendido com sucesso que a antropologia, geografia, sociologia e economia podiam ser
reunidas e trabalhadas, conjuntamente, na pesquisa em turismo, por meio de novas abordagens e
aplicações.
Tribe (2010) aponta uma série de livros, os quais “inauguraram” novas linhas de pesquisa,
e ajudaram a definir o turismo como um campo, a exemplo de Smith (1989), Turner e Ash (1976),
MacCannell (1999), Urry (2002) e Cooper et al. (2001).
3 Materiais e métodos
O objeto de estudo do presente artigo é o conjunto de periódicos brasileiros de turismo, os
quais cumprem quatro requisitos. O primeiro é ter o sistema de avaliação duplo cega por pares
para a publicação de artigos, não se constituindo o periódico em um magazine. O segundo é a
revista estar ativa, com a publicação regular de novos números. Isso excluiu periódicos inativos, a
exemplo de Turis Nostrum, o qual conta com, apenas, um número publicado (2012). O terceiro é
a revista ser, apenas, de turismo, sem abordar outra ciência, disciplina ou campo, a exemplo de
lazer, esporte ou administração. Isso evitou a inclusão de artigos que não pesquisam o turismo, os
quais distorceriam os resultados da pesquisa. O quarto requisito é a revista estar avaliada, em
março de 2017, no Qualis Periódicos, Área Administração Pública e de Empresas, Ciências
Contábeis e Turismo, com, no mínimo, B5 nas classificações de periódicos (quadriênio 2013-
2016).