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MAIA, Francisca Clotilde de Andrade; BATISTA, Andreza Pereira; FARIAS, Maria Giovanna Guedes; FARIAS,
Gabriela Belmont de. Contribuição de Grupos de Pesquisa em Ciência da Informação para a Formação
Acadêmica. Brazilian Journal of Information Science: research trends, vol. 17, publicação contínua, 2023,
e023023. DOI: 10.36311/1981-1640.2023.v17.e023023
CONTRIBUÃO DE GRUPOS DE PESQUISA EM
CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO PARA A
FORMAÇÃO ACADÊMICA
Contribution of Information Science research groups to academic education
Francisca Clotilde de Andrade Maia (1), Andreza Pereira Batista (1),
Maria Giovanna Guedes Farias (3), Gabriela Belmont de Farias (4)
(1) Universidade Federal do Ceará, Brasil, clotildeoth@gmail.com
(2) andrezapereira@alu.ufc.br
(3) mgiovannaguedes@gmail.com
(4) gabibfarias@gmail.com
Resumo
Esta pesquisa objetiva compreender se a participação de graduandos em grupos de pesquisa contribui para
potencializar o ingresso de alunos em programas de pós-graduação em Ciência da Informação (CI). Trata-
se de estudo com abordagem quanti-qualitativa e de cunho exploratório-descritivo. Para a coleta de dados
fez-se uso de questionário, o qual foi aplicado a discentes de programas de pós-graduação em CI, que
tenham participado como membros em grupos de pesquisa durante a graduação. Para a análise de dados,
empregou-se a análise de conteúdo, com o estabelecimento das seguintes categorias: a) Atividades
realizadas no âmbito dos grupos de pesquisa em CI; e b) Incentivo e contribuição da participação em grupos
de pesquisa para ingresso na pós-graduação em CI. A amostra de dados é composta por 34 respondentes.
Os resultados indicam que quase metade dos sujeitos da pesquisa são oriundos de programas de pós-
graduação em CI da região Sudeste, e apontam que entre as principais atividades desenvolvidas nos grupos
estão a participação em debates e discussões sobre a literatura e a organização de eventos e seminários da
área. No que diz respeito à percepção sobre a contribuição dos grupos para a formação acadêmica, a maioria
dos participantes afirma ter recebido incentivo dos líderes do grupo para o ingresso na pós-graduação e que
tal ação acontecia, majoritariamente, por meio do diálogo e da coparticipação em produções científicas.
Conclui que, no que tange às perspectivas expostas pelos respondentes, os grupos de pesquisa constituem-
se como espaços de constante fomento ao desenvolvimento científico e social, e a participação ativa nesses
ambientes contribui, sobremaneira, para a formação acadêmica e para o ingresso em programas de pós-
graduação.
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MAIA, Francisca Clotilde de Andrade; BATISTA, Andreza Pereira; FARIAS, Maria Giovanna Guedes; FARIAS,
Gabriela Belmont de. Contribuição de Grupos de Pesquisa em Ciência da Informação para a Formação
Acadêmica. Brazilian Journal of Information Science: research trends, vol. 17, publicação contínua, 2023,
e023023. DOI: 10.36311/1981-1640.2023.v17.e023023
Palavras-chave: Grupos de pesquisa; Ciência da Informação; Formação acadêmica. Desenvolvimento
científico; Desenvolvimento social.
Abstract
This research aims to understand whether the participation of undergraduates in research groups contributes
to enhance the admission of students in graduate programs in Information Science (IC). This is a study with
a quanti-qualitative and exploratory-descriptive approach. For data collection a questionnaire was used,
which was applied to students from graduate programs in IC, who had participated as members in research
groups during their undergraduate studies. For data analysis, content analysis was used, with the
establishment of the following categories: a) Activities carried out in the scope of IC research groups; and
b) Incentive and contribution of the participation in research groups for entering graduate studies in IS. The
data sample is composed of 34 respondents. The results indicate that almost half of the research subjects
come from IC graduate programs in the Southeast region, and point out that among the main activities
developed in the groups are the participation in debates and discussions about the literature and the
organization of events and seminars in the area. In regards to the perception about the contribution of the
groups to their academic education, most of the participants affirmed that they had received encouragement
from the group leaders to enter graduate studies and that this action happened mostly through dialogue and
co-participation in scientific productions. It concludes that, as far as the perspectives exposed by the
respondents are concerned, the research groups constitute as spaces of constant encouragement to scientific
and social development, and the active participation in these environments contributes, above all, to the
academic formation and to the entry into graduate programs.
Keywords: Research groups; Information Science; Academic education. Scientific development; Social
development.
1 Introdução
A pesquisa científica é responsável pela produção de conhecimentos especializados que
contribuem para a expansão de campos do saber. A profusão de informações advém da colaboração
e continuidade de estudos realizados por pesquisadores, e, no Brasil, as práticas científicas estão
frequentemente atreladas às instituições de ensino superior (IES), uma vez que mais de 95% das
publicações científicas são desenvolvidas nas universidades públicas (Moura 2019), seja no âmbito
da graduação ou da pós-graduação, que possuem entre seu rol de atividades os grupos de pesquisa
(GPs).
Os GPs se caracterizam pela interação e contribuição de seus membros, especialmente no
que diz respeito às possibilidades de apreensão de informações científicas e tecnológicas (C&T)
por estudantes de graduação, que em sua maioria são iniciantes nas dinâmicas acadêmicas-
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MAIA, Francisca Clotilde de Andrade; BATISTA, Andreza Pereira; FARIAS, Maria Giovanna Guedes; FARIAS,
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científicas. Segundo Santana et al. (2014 p. 235), o “[...] agrupamento de indivíduos agindo com
o mesmo objetivo permite uma interação e um descobrimento das habilidades de cada um,
possibilitando que os pares se conheçam e passem a gerar produtos científicos e tecnológicos”.
Diante desta perspectiva, conduziu-se esta investigação com o objetivo de compreender se a
participação de graduandos em GPs, contribui para potencializar o ingresso de alunos em
programas de pós-graduação (PPG) em Ciência da Informação (CI).
A justificativa para este estudo pauta-se em dois aspectos, um deles parte da experiência
vivenciada pelas autoras no Grupo de Pesquisa Competência e Mediação em Ambientes de
Informação (CMAI), certificado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e
Tecnológico (CNPq), da Universidade Federal do Ceará (UFC). O segundo aspecto pauta no
entendimento de que a troca e o compartilhamento de conhecimentos por meio do diálogo, da
produção de comunicações e das demais ações realizadas pelos GPs contribuem para que discentes
da graduação tenham o interesse pelo ingresso na pós-graduação e possam contribuir para o
desenvolvimento da ciência brasileira, especialmente no contexto da CI.
2 Grupos de pesquisa e a formação acadêmica
O desenvolvimento e crescimento da ciência compreende a participação ativa de
pesquisadores/cientistas, envolvidos nos mais diversos estudos em prol de proporcionar melhorias
em todos os aspectos da vida da população. Desse modo, é frequente que cientistas mais
experientes orientem discentes nos níveis de graduação e pós-graduação, até mesmo colegas de
trabalho, buscando dialogar e também estabelecer colaborações, o que pode, por vezes, resultar na
formação de GPs, os quais, segundo o CNPq ([201-]), são definidos como conjuntos de indivíduos
organizados hierarquicamente em torno de uma ou duas lideranças:
cujo fundamento organizador dessa hierarquia é a experiência, o destaque
e a liderança no terreno científico ou tecnológico;
no qual existe envolvimento profissional e permanente com a atividade
de pesquisa;
cujo trabalho se organiza em torno de linhas comuns de pesquisa que se
subordinam ao grupo (e não ao contrário);
e que, em algum grau, compartilha instalações e equipamentos.
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O conceito de grupo admite aquele composto de apenas um pesquisador
e seus estudantes.
Entende-se, assim, que os membros de GPs compartilham conhecimentos especializados,
envolvendo-se com as atividades de pesquisa e subdividindo-se em campos do conhecimento e
linhas de pesquisa responsáveis por agrupar estudiosos de temáticas em comum. O destaque no
campo científico traz consigo a concepção do aporte aos membros do grupo, o que potencializa,
sobremaneira, para bons resultados de estudos a partir da sinergia dos envolvidos.
Ao apontar que um grupo admite apenas o pesquisador e seus estudantes, uma alusão
ao diálogo com discentes mais incipientes na pesquisa, o que corrobora para o entendimento da
participação destes nas atividades científicas dentro dos grupos. Mesmo quando lida-se com
estudantes de mestrado e doutorado, frequentemente vinculados à construção de pesquisas, os GPs
trazem consigo a capacidade de interlocução e de aprimoramentos, visto que a posição hierárquica
dos membros diz respeito às experiências, renome e liderança no campo. Um grupo de pesquisa é
composto, conforme Santana et al. (2014 p. 235), por:
[...] um corpo de pesquisadores (geralmente docentes mestres ou doutores),
discentes (de graduação, especialização, mestrado ou doutorado) e de pessoal de
apoio técnico, que se organizam para explorar linhas de pesquisa segundo uma
regra hierárquica fundamentada na experiência e na competência técnico
científica.
Apesar da hierarquia de formação e experiência existente entre os participantes, como
apontado pelos autores, reitera-se a importância de manter uma relação dialógica pautada na
horizontalidade, de modo que os membros com mais vivências e “bagagens acadêmicas” devem
atuar como mediadores do processo de aprendizagem e do desenvolvimento da autonomia dos
membros estudantes, conforme Souza e Chapani (2019).
Além disso, a heterogeneidade entre os membros é um fator relevante, pois Oliveira (2011
p. 185) reitera que o grupo de pesquisa “[...] constitui um intercâmbio que possibilita o
reconhecimento de si e do outro. No momento em que interagimos com diferentes pessoas,
conhecemos outros pontos de vista e, possivelmente, (res)significamos saberes e representações”.
Para a autora, a vida acadêmica é, por muitas vezes, focada em experiências individuais e
competitivas, de modo que as vivências coletivas e de produção partilhadas são, constantemente,
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preteridas. Isto posto, o grupo de pesquisa torna-se um dos espaços, no âmbito da universidade,
que tem a capacidade de estimular de modo significativo o compartilhamento de conhecimentos,
experiências e a colaboração, aspectos que contribuem para a formação acadêmica.
Santana et al. (2014) corroboram ainda que a cooperação entre pesquisadores contribui
como um fator de desenvolvimento econômico, político e social, pois as relações em rede dos
membros de GPs se configuram por seus mecanismos de interação e pela exploração das linhas de
pesquisa, que aproximam estudiosos de temáticas semelhantes em agrupamentos sociais de debate
e de diálogo em prol das pesquisas científicas. Logo, os GPs integram o processo de construção
da ciência que envolve interações entre seus diversos atores, tais como docentes e discentes de
instituições de ensino.
Ser membro de um grupo de pesquisa resulta em amadurecimento na vida acadêmica do
graduando, uma vez que ele será designado a realizar tarefas distintas das exigidas no âmbito das
disciplinas da graduação e que auxiliam no seu desenvolvimento pessoal, profissional e
acadêmico. Tais demandas proporcionam o amadurecimento de competências essenciais para a
sua formação acadêmica, e algumas das atividades que possibilitam tal crescimento podem ser
visualizadas no Quadro 1, sob a perspectiva de diferentes autores:
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Quadro 1 - Atividades realizadas em grupos de pesquisa
Krahl et al. (2009)
Odelius e Sena (2009)
produção textual a partir da revisão de
literatura, com buscas eletrônicas em
bibliotecas e revistas virtuais e no acervo
bibliográfico da instituição e do grupo;
acompanhamento regular das reuniões do
grupo para discussões e deliberações;
organização e realização de seminários sobre
o referencial teórico envolvido na pesquisa;
validação da entrevista semi-estruturada até o
envolvimento com a coleta de dados,
favorecendo o contato com a realidade e
estabelecendo paralelos com o referencial
teórico;
participação ativa no processo de transcrição,
elaboração do banco de dados e análise dos
resultados e elaboração de resumo, pôsteres e
artigos.
laboração do banco de dados e análise dos
resultados e elaboração de resumo, pôsteres e
artigos
planejamento de pesquisa (elaboração de
projeto de pesquisa, observando critérios
científicos);
revisão de literatura (identificação de fontes e
discernimento quanto à qualidade dos estudos
e à contribuição para a pesquisa);
coleta e análise de dados (elaboração,
validação e aplicação de instrumentos);
utilização de técnicas de coleta e de análise de
dados quantitativas e qualitativas;
organização e tratamento de banco de dados;
comunicação de resultados (elaboração de
relatórios de pesquisa, de trabalhos e de
comunicações científicas em encontros e
seminários);
devolução de resultados aos sujeitos
pesquisados e coordenação de atividades de
pesquisa (planejamento, distribuição de
atividades, suprimento de recursos, atividades
administrativas e organização de reuniões).
Fonte: adaptado de Krahl et al. (2009) e Odelius e Sena (2009)
De acordo com o exposto, as atividades desempenhadas no âmbito dos GPs envolvem
especialmente as etapas relacionadas à metodologia da pesquisa, abordando tópicos como
planejamento inicial, produção de texto e de instrumentos de coleta, tratamento e análise de dados
quantitativos e qualitativos e feitura de relatórios e comunicações para apresentação de resultados.
Para Krahl et al. (2009) essas tarefas proporcionam uma visão amplificada da pesquisa, auxiliando
o discente a desenvolver competências e capacidades inerentes à função de pesquisador. Além
disso, constata-se também atividades referentes à gestão do grupo, como planejamento das metas,
organização de reuniões, criação de canais de comunicação e demais tópicos administrativos.
Na pesquisa denominada “Formação Universitária de professores: a participação de
licenciandos de ciências biológicas em Grupos de Pesquisa”, Souza e Chapani (2019) investigaram
a contribuição dos grupos de pesquisa para a formação universitária de licenciados em Ciências
Biológicas do Campus Jequié da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia. O estudo teve a
participação de 16 líderes e 24 licenciados participantes de GPs vinculados ao Departamento de
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MAIA, Francisca Clotilde de Andrade; BATISTA, Andreza Pereira; FARIAS, Maria Giovanna Guedes; FARIAS,
Gabriela Belmont de. Contribuição de Grupos de Pesquisa em Ciência da Informação para a Formação
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e023023. DOI: 10.36311/1981-1640.2023.v17.e023023
Ciências Biológicas (DCB) da universidade. As autoras chegaram à conclusão de que, na
perspectiva dos participantes, os grupos podem proporcionar os seguintes aspectos elencados no
Quadro 2:
Quadro 2 - Contribuição dos grupos de pesquisa para a formação universitária
Mais entendimento sobre o curso, pois amplia o conhecimento das disciplinas e contato com a
literatura atualizada, uma vez que, entre as atividades realizadas em grupos de pesquisa, há a
leitura e o debate de livros da área que, em alguns casos, não são apresentados na graduação;
Incentiva a participação em eventos - tendo em vista ser uma prática comum os grupos de
pesquisa organizarem eventos acadêmicos e científicos;
Proporciona conhecimentos sobre práticas de pesquisa no âmbito acadêmico e elaboração de
trabalhos de conclusão de curso;
Auxilia no desenvolvimento do hábito de leituras e das rotinas de estudos dos discentes.
Fonte: adaptado de Souza e Chapani (2019)
Constata-se que as contribuições expostas no quadro 2 - ampliar o repertório intelectual
sobre as temáticas relacionadas ao curso, participação em eventos, conhecimento sobre
metodologia da pesquisa e criação de rotina de estudos -, estão diretamente relacionadas às
atividades apresentadas no quadro 1, de modo a tornar evidente a relevância da criação e
solidificação dos GPs, uma vez que as práticas realizadas em seu âmbito proporcionam
colaborações concretas e diferenciais para a formação acadêmica do discente.
Porém, para além da contribuição técnica e científica, também a formação social e o
desenvolvimento de habilidades interpessoais, tendo em vista os momentos de interação e
socialização, ocorridos mediante os encontros e debates entre os membros. Algumas das
habilidades interpessoais que podem ser desenvolvidas por meio da atuação em GPs envolvem:
[...] a assertividade para trabalhar com pessoas com características diferentes,
trabalho em equipe, ponderação de aspectos políticos para tomada de decisão,
proatividade, desenvolvimento de autonomia para resolver problemas, resolução
de conflitos, comunicação e tornar-se consciente de seu papel (Odelius e Sena
2009 p. 14).
Tais habilidades, como assertividade, cooperação, proatividade, comunicação e tomada de
decisão, mostram-se essenciais nos mais diversos cenários - acadêmico, profissional e social -, e
seu desenvolvimento no âmbito dos GPs resulta do fato de a ciência ser, conforme Souza e Chapani
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MAIA, Francisca Clotilde de Andrade; BATISTA, Andreza Pereira; FARIAS, Maria Giovanna Guedes; FARIAS,
Gabriela Belmont de. Contribuição de Grupos de Pesquisa em Ciência da Informação para a Formação
Acadêmica. Brazilian Journal of Information Science: research trends, vol. 17, publicação contínua, 2023,
e023023. DOI: 10.36311/1981-1640.2023.v17.e023023
(2019), uma atividade notadamente colaborativa, por isso demanda a reunião de pesquisadores em
grupos, ou em redes, capazes de fortalecer a produção científica e desenvolver suas próprias
capacidades enquanto investigadores científicos.
Apesar dos evidentes benefícios apontados, é preciso ressaltar o desafio envolvido no
processo de conciliar as atividades diárias e obrigatórias das disciplinas da graduação com as
demais atividades extracurriculares, bolsas, estágios e com o grupo de pesquisa, pois demandam
dedicação e atenção em suas execuções. No entanto, sobre este tópico, no estudo de Souza e
Chapani (2019) um dos sujeitos da pesquisa apontou que a participação no grupo de pesquisa não
atrapalhou, mas, de fato, contribuiu para que houvesse maior rendimento e aprofundamento das
temáticas discutidas em sala de aula, tendo em vista que o estudante foi capaz de criar conexões
significativas com o conteúdo exposto e o conteúdo anteriormente estudado no grupo.
Isto posto, infere-se que, conforme apontado por Krahl et al. (2009), o percurso trilhado
nos GPs fortalece o elo criado entre os membros, favorece o processo de ensino aprendizagem e,
consequentemente, oportuniza o desenvolvimento da área de estudo em questão, tendo em vista
que, apesar de cada segmento científico ter características e perfis únicos, crescem e se solidificam
mediante as diversas tipologias de contribuições acadêmicas e científicas.
2.1 Grupos de pesquisa na área de Ciência da Informação
Segundo o último censo realizado pelo CNPq em 2016 (censo atual), disponível no
Diretório de Grupos de Pesquisa (DGP/CNPq), existe um total de 37.640 grupos e 199.566
pesquisadores. Sobre o universo de grupos vinculados à área de Ciência da Informação, os dados
coletados pelo estudo de Moreira et al. (2020) apontaram a existência de 269 grupos no Brasil. No
que diz respeito à quantidade de membros, os autores contabilizaram 4.316 participantes, de modo
que 2.347 são pesquisadores e 1.969 são estudantes. Eles apontam também o expressivo
crescimento da produção científica dos grupos ao descobrir que mais de </