Dossiê Temático: “Imperialismo diante dos impasses do fim do mundo”

2021-09-01

Equipe Editorial do Dossiê Temático

Fábio Antonio de Campos (UNICAMP|IBEC); Carlos Alberto Cordovano Vieira (UNICAMP|IBEC); Ivan Lucon Jacob (Doutorando UNICAMP|IBEC); Aline Marcondes Miglioli (Doutoranda UNICAMP|IBEC)

Ementa

A Revista Fim do Mundo, inserida nas questões candentes de nosso tempo, convida a todos para a submissão de trabalhos de sua edição número 6 cuja temática aborda o “Imperialismo diante dos impasses do fim do mundo”. Centenariamente debatido e combatido e sustentando o movimento de expansão do capital desde o fim do século XIX, o tema do imperialismo continua a ser central como objeto de reflexão política na atualidade.

São muitas as contradições contemporâneas que justificam reflexões sobre o tema. A escalada do confronto entre EUA e China, em ponto cada vez mais alto no plano retórico, tem em sua superfície a aparência de uma guerra comercial pelo posto de maior economia do mundo, mas traz em sua essência uma disputa tecnológica em diversas frentes – biotecnologia, capacidade de armazenamento e processamento de dados, tecnologia 5G etc. – cujo domínio abrirá as perspectivas de controle hegemônico sobre a próxima etapa de acumulação do capital.

Em meio a esta disputa entre as duas potências do capital pelo polo hegemônico se reconfigura a questão do complexo industrial-militar. Sua hipertrofia na contemporaneidade se baseia principalmente em sua centralidade adquirida para o processo de reprodução do capital, e mesmo com o papel de líder inconteste que o complexo industrial-militar estadunidense tem no processo de expansão, seu caráter internacionalizado permite que um conjunto de países aliados, direta ou indiretamente, também possa se beneficiar para expandir suas economias. Isto faz com que, do ponto de vista sistêmico, alguns setores importantes do capital – principalmente as tecnologias de informação e comunicação – possam ser conduzidas e obter alta lucratividade nas encomendas feitas pelos Estados para seus respectivos complexos de inteligência e segurança, não sem aumentar o poder de destruição e caminhar a passos largos para o colapso da civilização, na hipótese de uma guerra.

No aspecto conjuntural, a pandemia de covid-19 escancarou a proeminência dos países ricos no acesso aos itens elementares para o combate dos problemas sanitários em detrimento dos países mais pobres, radicalizando desta forma as contradições imperialistas. No primeiro momento, a preferência (forçada) na compra de respiradores artificiais e itens básicos como agulhas e seringas; posteriormente, a prevalência na aquisição e entrega das vacinas mesmo quando o momento apresentava índices maiores de contaminação e mortalidade nas regiões mais pobres do globo. Ademais, um outro aspecto do mesmo problema, a pandemia escancarou o predomínio dos grandes conglomerados privados, onde o monopólio dos grandes laboratórios tornou explícito o controle sobre o conhecimento da biotecnologia assim como da capacidade de produção destes insumos tão vitais ao fim das mortes por covid-19.

Tudo somado, estas questões contemporâneas emergem como “ponto de chegada” do importante debate histórico sobre o imperialismo, lócus do estudo das relações internacionais dentro da tradição do materialismo histórico. Desde o debate pioneiro que se inicia às portas da Primeira Guerra Mundial – com as contribuições fundadoras de Hobson, Hilferding, Luxemburgo, Bukharin, Lenin – passando por sua reconfiguração pós-Segunda Guerra no “debate fordista” – nas leituras de Baran, Sweezy, Magdoff – até as leituras contemporâneas sobre a temática – nas contribuições de Wood, Harvey, Mészáros, Negri – o imperialismo continua a representar um campo fértil para a interpretação das contradições sistêmicas do capital, e com isso a Revista Fim do Mundo espera contribuir em mais uma edição.

Prazo para submissão: 15/10/2021

Previsão de publicação: novembro de 2021.

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