TRANS/FORM/AÇÃO: Revista de Filosofia http://revistas.marilia.unesp.br/index.php/transformacao <p>A <em>Trans/Form/Ação: Revista de Filosofia</em>&nbsp;tem por missão publicar, por meio impresso e eletrônico, textos de excelência em filosofia ou de relevância filosófica, socializando&nbsp; e ampliando o conhecimento, buscando promover o debate e a interlocução de ideias. O conteúdo dos textos é exposto em forma de artigos, resenhas, traduções, além de entrevistas aplicadas a profissionais cujos papéis concernem à relevância da produção e dedicação à área filosófica. Todas as formas de publicação obedecem à variedade temática, metodológica e de época, mantendo-se, com isso, o respeito às diversas tendências do conhecimento filosófico, assim como às diversas orientações de pensamento.</p> pt-BR TRANS/FORM/AÇÃO: Revista de Filosofia 0101-3173 Transformação v. 43, n. 3, 2020 http://revistas.marilia.unesp.br/index.php/transformacao/article/view/10934 Equipe Editorial ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2020-09-10 2020-09-10 43 3 1 394 Apresentação http://revistas.marilia.unesp.br/index.php/transformacao/article/view/10931 <p>Com alegria, apresentamos o terceiro número do volume 43 da Trans/Form/Ação: revista de filosofia da Unesp. Do total de 12 artigos aqui publicados, dois são escritos em espanhol, um deles em francês e os demais na língua portuguesa. Este número também socializa uma entrevista com o filósofo francês Renaud Barbaras. Os autores brasileiros deste fascículo são oriundos de todas as regiões do Brasil, representadas pelo Distrito Federal e pelos estados da Bahia, Espírito Santo, Goiás, Minas Gerais, Pará, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Já os estrangeiros estão vinculados a instituições da Argentina e do Chile.&nbsp;</p> Marcos Antonio Alves ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2020-09-10 2020-09-10 43 3 9 16 10.1590/0101-3173.2020.v43n3.01.p9 Entrevista com Renaud Barbaras http://revistas.marilia.unesp.br/index.php/transformacao/article/view/10650 <p>Em março de 2020, pouco antes do início da quarentena, ocasionada pela evolução da pandemia de COVID-19, Fabrício Rodrigues Pizelli, aluno do curso de Filosofia da UNESP-Marília, em estágio de pesquisa na França, juntamente com Gabriel Gurae Guedes Paes, ex-aluno do curso de Filosofia da UNESP e doutorando na UFSCar, ambos em Paris, realizaram uma entrevista&nbsp;com um dos principais nomes da fenomenologia contemporânea: Renaud Barbaras.&nbsp;</p> Paulo César Rodrigues Fabrício Rodrigues Pizelli Renaud Barbaras Gabriel Gurae Guedes Paes ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2020-09-10 2020-09-10 43 3 17 34 10.1590/0101-3173.2020.v43n3.02.p17 Desfamiliarização e ficção científica http://revistas.marilia.unesp.br/index.php/transformacao/article/view/8670 <p style="text-indent: 2cm; margin-bottom: 0cm; font-style: normal; font-weight: normal; line-height: 150%;" align="justify"><span style="color: #000000;">O presente artigo propõe uma descrição da construção dos objetos literários na experiência humana, tomando como base as ideias de Erwin Schrödinger para a construção da realidade, publicadas em seus escritos filosóficos de 1928 a 1964. Sugere-se que a construção de tais objetos pode ser descrita por um processo parecido com o de resgate de invariantes e a construção de objetos científicos, na abordagem schrödingeriana, mas que essa abordagem não é suficiente para explicar alguns casos. É preciso incluir, então, a conceituação de desfamiliarização, proposta por Viktor Shklovsky em 1917 e revisitada por Sally Banes em 2003. Essa concepção consiste basicamente em tornar estranho o que é familiar, provocando a atenção na sua direção e despertando a consciência, em uma experiência marcante. A desfamiliarização mostra-se adequada para descrever os momentos em que há quebra de expectativas e por vezes também resgate de sensações. Este trabalho explora, ainda, exemplos que ilustram esses processos, estudando trechos de algumas obras de ficção científica, com ênfase em objetos científicos que são resgatados na ficção. Esta análise mostra que esses objetos também sofrem desfamiliarização, e que esta se dá de forma ligeiramente distinta dos objetos cotidianos. Além disso, especificidades do gênero escolhido encontradas em alguns dos trechos examinados sugerem que a desfamiliarização pode ocorrer de maneira peculiar, mais acentuada, na leitura de ficção científica.</span></p> Caroline Elisa Murr ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2020-09-10 2020-09-10 43 3 35 64 10.1590/0101-3173.2020.v43n3.03.p35 Comentário ao artigo Desfamiliarização e ficção científica: uma abordagem de base schröndigeriana à construção do objeto literário http://revistas.marilia.unesp.br/index.php/transformacao/article/view/10932 <p>O texto “Desfamiliarização e ficção científica: uma abordagem de base schröndigeriana à construção do objeto literário” apresenta instigantes considerações sobre a construção de objetos científicos e a sua relação com obras de ficção. A comparação entre ficção e ciência nos remete, por sua vez, a uma série de questões relacionadas aos elementos centrais da reflexão filosófica da atividade científica: pode a ficção científica ser um instrumento relevante para a filosofia da ciência? O que um gênero literário, de cinema e entretenimento em geral poderia nos ensinar acerca das nossas ferramentas especulativas?</p> Pedro Pricladnitzky ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2020-09-10 2020-09-10 43 3 65 70 10.1590/0101-3173.2020.v43n3.04.p65 A dimensão literária do diagnóstico do presente em Foucault http://revistas.marilia.unesp.br/index.php/transformacao/article/view/8094 <p>Neste artigo propomos uma investigação sobre a definição foucaultiana do papel da filosofia enquanto a construção de um diagnóstico do presente. Sustentamos que o pensamento de Foucault em torno à figura do diagnóstico incorpora algumas de suas considerações sobre a linguagem e literatura modernas. Destacamos essa apropriação notadamente os partir dos temas do apagamento do rosto, a relação entre linguagem e morte, e seu artigo sobre Georges Bataille. Para sustentar essa hipótese de leitura, elencamos uma série de encadeamentos e deslocamentos de ideias em textos de diferentes momentos de Foucault, o que sugere a existência de uma dimensão literária do diagnóstico. Terminamos apresentando algumas repercussões ético-políticas de todas essas considerações em alguns de seus textos derradeiros, de modo a sugerir que sua relação com o pensamento literário é profunda, podendo ser encontrada em suas considerações sobre história e sobre o funcionamento de seus próprio livros enquanto livros-experiência.</p> Daniel Verginelli Galantin ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2020-09-10 2020-09-10 43 3 71 100 10.1590/0101-3173.2020.v43n3.05.p71 Comentário ao artigo “A dimensão literária do diagnóstico do presente em Foucault” de Daniel Verginelli Galantin http://revistas.marilia.unesp.br/index.php/transformacao/article/view/10933 <p>“Não me pergunte quem eu sou nem me diga para permanecer o mesmo: é uma moral de estado civil, ela rege nossos papéis. Que ela nos deixe livres quando se trata de escrever”, diz Foucault (1969, p. 28). Essa famosa passagem, que encerra a Introdução de A arqueologia do saber, é relembrada por Daniel Verginelli Galantin (daqui em diante, DVG), em seu belo artigo sobre a dimensão literária do diagnóstico do presente em Michel Foucault. Ela é muito bem escolhida. Afinal de contas, Foucault não apenas reivindicou a liberdade da escrita filosófica, mas efetivamente a praticou, não hesitando em mudar a direção de suas pesquisas e seus métodos de análise, quando considerava necessário. E o mais importante é que essas mudanças de&nbsp;percurso, longe de colocarem seu trabalho sob o risco da contradição, estão incorporadas em sua filosofia.&nbsp;</p> Helton Adverse ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2020-09-10 2020-09-10 43 3 101 106 10.1590/0101-3173.2020.v43n3.06.p101 Comentário ao artigo “A dimensão literária do diagnóstico do presente em Foucault” de Daniel Verginelli Galantin http://revistas.marilia.unesp.br/index.php/transformacao/article/view/10935 <p>Em texto publicado em 1984, pouco antes de sua morte, Foucault volta-se uma vez mais para o clássico texto de Kant sobre a Aufklärung, que assume para ele uma decisiva centralidade na autocompreensão de sua própria tarefa e trajetória como filósofo. Em seu texto, Kant se empenha por compreender o presente buscando antes pela diferença que ele instaura em relação ao passado, em vez de procurar compreendê-lo a partir de alguma totalidade ou de alguma realização futura. Foucault acaba por indicar que independentemente de o diagnóstico de Kant de uma saída da menoridade poder não ser tomado por acurado em nossos dias, resta claro que em sua interrogação sobre o presente e sobre nós mesmos ele revelou um modo de filosofar que não teria perdido sua atualidade e seu vigor. Foucault conclui indicando que a ontologia crítica de nós mesmos “tem de ser compreendida como uma atitude, um êthos, uma vida filosófica em que a crítica do que somos é simultaneamente a análise&nbsp;histórica dos limites que nos são impostos e um experimento com a possibilidade de ir além deles” (FOUCAULT, 1984, p. 50).</p> Adriano Correia ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2020-09-10 2020-09-10 43 3 107 110 10.1590/0101-3173.2020.v43n3.07.p107 La différence phénoménologique selon Barbaras et Marion. http://revistas.marilia.unesp.br/index.php/transformacao/article/view/8116 <p>Cet article se propose de proposer les conditions d’une confrontation entre la phénoménologie de la donation de Jean-Luc Marion et l’ontologie de la vie de Renaud Barbaras. Cela suppose d’établir un certain plan de convergence à propos du projet d’une description de l’apparaître pur, de la méthode et de la conception "événementiale" du phénomène et du sujet afin de faire valoir une divergence quant à la question de la naissance transcendantale du sujet.</p> Eric Pommier ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2020-09-10 2020-09-10 43 3 111 136 10.1590/0101-3173.2020.v43n3.08.p111 Comentário "La différence phénoménologique selon Barbaras et Marion (Projet, méthode et ligne de tension)" http://revistas.marilia.unesp.br/index.php/transformacao/article/view/10937 <p>Diante da cisão radical entre sujeito e objeto, aprofundada pela ontologia moderna como uma forma de alcançar a objetividade do conhecimento científico, a fenomenologia se coloca como um método de investigação que pretende descrever a experiência do sorrir, de tal modo que recupere o sentido do ato originário, cujo extremo subjetivismo ou objetivismo comprometeu. Que o sorriso não é pura expressão de um sujeito solipsista ou simplesmente a manifestação neurofisiológica de um estímulo exterior, mas algo que se deve compreender justamente naquilo que se encontra não reduzido ao sujeito&nbsp;ou ao objeto, parece-nos evidente. Contudo, como ter acesso a esse campo originário da experiência do mundo sensível, sem que esse campo se objetifique pela própria descrição e reinstaure os prejuizos clássicos do subjetivismo e do objetivismo? Seria possível fazer filosofia sobre uma experiência já perdida no tempo e que apenas ganha sentido enquanto fenômeno de expressão?</p> Rodrigo Alvarenga ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2020-09-10 2020-09-10 43 3 137 142 10.1590/0101-3173.2020.v43n3.09.p137 A Tese da mente estendida à luz do externismo ativo http://revistas.marilia.unesp.br/index.php/transformacao/article/view/8734 <p style="margin-bottom: 0cm; line-height: 150%;" align="justify">A tese da mente estendida sustenta que alguns estados mentais e processos cognitivos se estendem para além do cérebro e do corpo do indivíduo. Itens externos ao organismo ou ações envolvendo a exploração ou manipulação do ambiente externo podem constituir, em parte, alguns estados mentais ou processos cognitivos. No artigo inaugural de Clark e Chalmers, “The Extended Mind”, essa tese recebe apoio do <em>princípio da paridade</em><span style="font-style: normal;"> e do </span><em>externismo ativo. </em><span style="font-style: normal;">No artigo dos filósofos, é dada maior ênfase ao princípio da paridade, que é apresentado como neutro em relação à natureza da cognição. Seria uma vantagem que as extensões propostas não envolvessem uma reforma da nossa concepção pré-teórica de cognição. Neste artigo, proponho que maior ênfase seja dada ao externismo ativo, </span><span style="font-style: normal;">o qual</span><span style="font-style: normal;"> não é neutro em relação à natureza da cognição. Embora esse movimento possa parecer desvantajoso, ele é necessário para a correta compreensão e defesa do caso Otto. </span><span style="font-style: normal;">O princípio da paridade não dá conta da</span><span style="font-style: normal;"> crítica de </span><span style="font-size: medium;"><span lang="en-US"><span style="font-style: normal;">W</span></span></span><span style="font-size: medium;"><span lang="en-US"><span style="font-style: normal;">eiskopf </span></span></span><span style="font-size: medium;"><span style="font-style: normal;">de que os registros no caderno de notas de Otto não são responsiv</span></span><span style="font-size: medium;"><span style="font-style: normal;">o</span></span><span style="font-size: medium;"><span style="font-style: normal;">s a razões. </span></span><span style="font-size: medium;"><span style="font-style: normal;">Para responder a essa crítica, temos de mobilizar o externismo ativo e a consequente compreensão da cognição que ele envolve.</span></span></p> Eros Moreira de Carvalho ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2020-09-10 2020-09-10 43 3 143 166 10.1590/0101-3173.2020.v43n3.10.p143 O tempo como critério de verificação da possibilidade do discurso filosófico http://revistas.marilia.unesp.br/index.php/transformacao/article/view/8020 <p>O objetivo principal do presente estudo é identificar o tempo como o critério de verificação da possibilidade de um discurso filosófico, isto é, de uma possibilidade discursiva ser capaz de falar adequadamente acerca das palavras fundamentais. Para tanto, interessará mostrar como o tempo é o elemento vinculador das condições de possibilidade do enunciado em geral e como este se fundamenta na estrutura imprópria da temporalidade. Tal prerrogativa é o que inviabiliza o enunciado tratar adequadamente qualquer palavra fundamental. Caberá, então, afirmar que somente uma possibilidade discursiva que se fundamente na estrutura própria da temporalidade poderá ter um acesso adequado às palavras fundamentais.</p> Estevão Lemos Cruz ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2020-09-10 2020-09-10 43 3 167 186 10.1590/0101-3173.2020.v43n3.11.p167 Comentário ao artigo "O tempo como critério de verificação da possibilidade do discurso filosófico" http://revistas.marilia.unesp.br/index.php/transformacao/article/view/10938 <p>Penso ser ocioso reiterar as qualidades do texto de Estevão Lemos Cruz, que possui precisão filológica e um argumento em boa medida original. Para o leitor atento, tal artigo é uma importante contribuição para se pensar, segundo as palavras do autor, o fato de que "[...] o tempo é o elemento vinculador das condições de possibilidade da predicação e que só pode haver algo assim como o enunciado na medida em que há temporalidade; [no entanto, a predicação] é incapaz de expor adequadamente tanto o próprio tempo quanto todas as outras palavras fundamentais”, porque “o enunciado se fundamenta na estrutura imprópria da temporalidade (CRUZ, 2020, p. 183)." Trata-se, portanto, do desdobramento de uma conhecida tese que abre novos horizontes para o pensamento filosófico nos anos 1920, descoberta pelo hercúleo trabalho de Martin Heidegger, a saber, ser é tempo</p> Augusto B. de Carvalho Dias Leite ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2020-09-10 2020-09-10 43 3 187 192 10.1590/0101-3173.2020.v43n3.12.p187 El Iusnaturalismo frente a la ley de Hume http://revistas.marilia.unesp.br/index.php/transformacao/article/view/8669 <p>Según autores como Grisez y Finnis, la teoría clásica de la ley natural es inmune a la crítica contenida en el argumento de la <em>ley de Hume</em>, porque aquella teoría no aspira a derivar la ética de la metafísica, ni los enunciados prácticos de enunciados fácticos. La autonomía de la razón práctica, sostienen estos autores, permite una explicación de la teoría de la ley natural que no exige ningún recurso a la metafísica o a cualquier otro conocimiento teórico de la naturaleza. Esta tesis ha sido fuertemente discutida por autores vinculados al <em>neo-tomismo</em> que niegan la validez de la regla lógica expresada en la <em>ley de Hume</em>. Sin embargo, tanto los autores de la <em>New Natural Law Theory</em> como sus críticos parecen comprender equívocamente la <em>ley de Hume, </em>pues no consideran adecuadamente los supuestos nominalistas y empiristas desde los que tal <em>ley</em> es formulada por la filosofía analítica.</p> Felipe Francisco Widow Lira ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2020-09-10 2020-09-10 43 3 193 212 10.1590/0101-3173.2020.v43n3.13.p193 Liberdade democrática como desenvolvimento de si, resistência à opressão e à injustiça epistêmica http://revistas.marilia.unesp.br/index.php/transformacao/article/view/9295 <p>O artigo busca elaborar um conceito de liberdade democrática como desenvolvimento de si, resistência à opressão e à injustiça epistêmica mediante engajamento crítico com as obras de Paulo Freire, Amílcar Cabral e Augusto Boal. No pensamento dos três autores, democracia, liberdade e desenvolvimento de si constituem uma tríade de mútua influência, de sorte que o pleno exercício de quaisquer destes itens é impossível na ausência de qualquer um dos outros dois. Trata-se de mostrar, ademais, a maneira pela qual a opressão é compreendida nos trabalhos dos três pensadores como o oposto da liberdade, e a injustiça epistêmica, como uma dimensão psíquica da opressão.</p> Gustavo Hessmann Dalaqua ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2020-09-10 2020-09-10 43 3 213 234 10.1590/0101-3173.2020.v43n3.14.p213 Da liberdade democrática à vontade de potência: comentários ao texto de Gustavo Hessmann Dalaqua http://revistas.marilia.unesp.br/index.php/transformacao/article/view/10939 <p>O artigo de Gustavo Hessmann Dalaqua – Liberdade democrática como desenvolvimento de si, resistência à opressão e à injustiça epistêmica – propicia uma discussão sobre a noção de liberdade democrática, conforme Freire, Cabral e Boal, a partir de provocações que encontro numa perspectiva nietzschiana sobre luta de forças e vontade de potência. A leitura é instigante e dá o que pensar, perguntar, desdobrar. Destaco o valor atribuído ao processo de conscientização – de entendimento de si e de sua condição – que contribui para que o oprimido tenha clareza das possibilidades de resistência e de ocupação de espaços justos. A conscientização é tomada como fator relevante ao processo de mudança e de prática de liberdade.</p> Emília Carvalho Leitão Biato ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2020-09-10 2020-09-10 43 3 235 238 10.1590/0101-3173.2020.v43n3.15.p235 Comentário Quatro teses acerca de Liberdade democrática como desenvolvimento de si, resistência à opressão e à injustiça epistêmica http://revistas.marilia.unesp.br/index.php/transformacao/article/view/10940 <p>Pretendo, neste ensaio, impulsionada e motivada pela leitura que fiz do artigo do Professor Gustavo Hessmann Dalaqua, lançar quatro teses gerais que interconectam os conceitos tratados no texto. A primeira tese compila uma retomada teórica do conceito de democracia, por meio de uma abordagem que fará com que os leitores, de alguma forma, se sintam situados e colocados frente a frente com os demais conceitos – desenvolvimento de si, resistência à opressão e injustiça epistêmica. A segunda, a terceira e a quarta teses trarão apontamentos sobre esses conceitos, desde uma metodologia relacional, e focalizarão aspectos de intertextualidade, o que pode ser salutar para o tipo de argumentação levada a cabo em um Ensaio como este.&nbsp;</p> Neiva Afonso Oliveira ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2020-09-10 2020-09-10 43 3 239 244 10.1590/0101-3173.2020.v43n3.16.p239 Valores, Verdade e Investigação http://revistas.marilia.unesp.br/index.php/transformacao/article/view/8629 <p style="margin-bottom: 0cm; line-height: 150%;" align="justify"><span style="font-family: Times New Roman, serif;">Este artigo apresenta um referencial pragmatista para compreender o estatuto epistêmico da valoração que é produzida na reflexão acerca das consequências sociais de propostas científicas e tecnológicas. O problema é posto seguindo as considerações de Bertrand Russell sobre o impacto da ciência na sociedade<span style="font-style: normal;">. Russell argumenta que a valoração de arranjos sociais fica fora dos limites do conhecimento, porque valorações não podem ser verdadeiras ou falsas em sentido correspondencial. Isso leva o pensamento social a um impasse, pois não se pode saber que dado arranjo social seria indesejável ou inadequado. Este artigo esboça uma alternativa a partir dos trabalhos sobre valoração de Clarence Irving Lewis tomados em continuidade com a teoria da investigação de John Dewey. </span><span style="font-style: normal;">E</span><span style="font-style: normal;">ste referencial alternativo </span><span style="font-style: normal;">assume </span><span style="font-style: normal;">noções epistêmicas de verdade e justificação, </span><span style="font-style: normal;">o que permite que </span><span style="font-style: normal;">valorações </span><span style="font-style: normal;">possam ser</span><span style="font-style: normal;"> concebidas em contextos de investigação e, assim, como objetos de conhecimento.</span></span></p> Ivan Ferreira da Cunha ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2020-09-10 2020-09-10 43 3 245 268 10.1590/0101-3173.2020.v43n3.17.p245 Comentário a “Valores, verdade e investigação: uma alternativa pragmatista ao não cognitivismo de Russell” http://revistas.marilia.unesp.br/index.php/transformacao/article/view/10941 <p>O artigo ‘Valores, verdade e investigação: uma alternativa pragmatista ao não cognitivismo de Russell’, de autoria de Ivan Ferreira da Cunha, em uma apresentação clara e objetiva, propõe uma teoria pragmatista do conhecimento inspirada nos trabalhos de Clarence Lewis e John Dewey. A teoria proposta pelo autor teria o mérito de permitir a avalição do estatuto epistêmico de juízos valorativos, como, por exemplo, “um arranjo social de determinado tipo é benéfico/agradável/utópico”. Em pensamentos como o de Bertrand Russell, apoiados sobre uma noção correspondencial de verdade, juízos valorativos como esses não seriam passíveis de avaliação do ponto de vista epistêmico: enquanto juízos subjetivos, permanecendo no domínio das preferências pessoais, eles não guardariam qualquer correspondência com a realidade. Cunha nota, no entanto, que cada um de nós tem uma intuição de que esses juízos constituem conhecimento. Por exemplo, temos a “sensação” de que os juízos valorativos do próprio Russell – e também de Aldous Huxley – sobre os impactos negativos dos avanços tecnológicos em sociedades futuras&nbsp;são verdadeiros. A teoria pragmatista proposta pelo autor pretende explicar o estatuto epistêmico desses juízos que intuitivamente aceitamos como conhecimento.&nbsp;</p> Vinícius França Freitas ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2020-09-10 2020-09-10 43 3 269 272 10.1590/0101-3173.2020.v43n3.18.p269 Comentário ao artigo "Valores, Verdade e Investigação: uma alternativa pragmatista ao não cognitivismo de Russell." http://revistas.marilia.unesp.br/index.php/transformacao/article/view/10942 <p>Em seu texto, Ivan F. da Cunha apresenta um dos maiores embates da filosofia contemporânea, a saber, a divisão entre realistas e não realistas, em outras palavras, entre aqueles que acham que a divisão metafísica entre real e aparente é fundamental, para definir um critério de verdade correspondentista, e aqueles que não acham que essa diferença seja importante. Mostra por que, apesar de realista e correspondentista, Russell defende, na parte final do The Scientific Outlook, que a ciência não pode ser a única a definir os rumos da sociedade, pois isso nos levaria à possibilidade de que uma oligarquia detentora dos meios de financiamento da pesquisa científica e de seu direcionamento, para a aplicação do conhecimento científico no desenvolvimento de tecnologias, definisse que toda pesquisa e tecnologia fosse direcionada para o aprimoramento dos modos de produção – inclusive com o desenvolvimento de tecnologia genética voltada para a criação de castas de trabalhadores dóceis ao sistema de trabalho.</p> Susana de Castro ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2020-09-10 2020-09-10 43 3 273 276 10.1590/0101-3173.2020.v43n3.19.p273 Capitalismo como prática social? http://revistas.marilia.unesp.br/index.php/transformacao/article/view/7345 <p>Este artigo procura apresentar e discutir tentativas recentes em filosofia social de analisar e interpretar o capitalismo a partir de uma perspectiva praxeológica. O <em>practice turn </em>em teoria social procurou superar o dualismo entre agência e estrutura, ou entre ação e sistema, por meio da noção de prática social. Seria possível então interpretar o capitalismo como um tipo especifico de prática social? Para tentar encaminhar esta questão, apresento brevemente, em um primeiro momento, em que consiste o <em>practice turn </em>em teoria social. Num segundo momento, analiso e discuto a proposta de Rahel Jaeggi de conceber a economia como uma rede de práticas sociais. Em seguida, exponho e avalio a tentativa de Christian Lotz em ver no dinheiro a chave para compreender aquilo que ele chama de esquema capitalista. Por fim, concluo chamando a atenção para os potenciais e desafios ligados ao empreendimento de interpretar o capitalismo a partir de uma teoria da prática, sugerindo que talvez um aprofundamento na análise da plasticidade e diversidade do capitalismo possa ajudar a avançar neste campo. &nbsp;</p> Leonardo da Hora Pereira ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2020-09-10 2020-09-10 43 3 277 302 10.1590/0101-3173.2020.v43n3.20.p277 Comentário sobre el capitalismo como práctica social http://revistas.marilia.unesp.br/index.php/transformacao/article/view/10943 <p>Pensar el capitalismo actual (ya también llamado post capitalismo en algunos casos, como lo hizo Romandini (2018), entre otros) es un ejercicio tan complejo como necesario. Complejo porque la crisis actual (acelerada por la llegada del estado de alerta frente al COVID-19 o Coronavirus, pero que es notoria y evidente por lo menos desde el año 2008), fruto de una serie de políticas globales en favor de las minorías más ricas del planeta que se vienen llevando a cabo desde la década de 1970, reclama una reelaboración en todos los contornos de la vida humana, desde los hábitos más automatizados hasta las concepciones más profundas y desde la metafísica hasta la economía. Y necesario porque ya se ha puesto de manifiesto sobradamente que las condiciones actuales de vida ponen en claro peligro la subsistencia del género humano y, más en general, de todo el sistema ecológico del planeta.</p> Hernán Gabriel Borisonik ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2020-09-10 2020-09-10 43 3 303 306 10.1590/0101-3173.2020.v43n3.21.p303 Comentário ao artigo Capitalismo como prática social?: os potenciais e desafios de uma aproximação entre o practice turn em teoria social e a interpretação do capitalismo. http://revistas.marilia.unesp.br/index.php/transformacao/article/view/10944 <p>El artículo busca discutir críticamente las tentativas recientes en filosofía social de interpretar el capitalismo a partir de las reactualización de las premisas del pragmatismo. Se trata por cierto de un modelo de teoría social que busca desafiar los presupuestos de objetivismo como clave de lectura económica. Para ello el artículo se concentra en el trabajo de dos pensadores contemporáneos pertenecientes a la teoría crítica: Rahel Jaeggi y Christian Lotz. En el caso de Jaeggi, el texto destaca su esfuerzo por concebir la economía como una red de practicas sociales. Según lo anterior, el malestar del capitalismo pasa entonces por una comprensión indebida de la economía, de forma que la pensadora nos invita a entender la economía en un sentido más amplio, esto es, como conjunto de prácticas socio económicas que presuponen relaciones interpersonales de coordinación que cuyos presupuestos de validez implican un dominio de sentido social preconstitutido por convenciones que permiten interpretar y dotar las practicas económicas de un cierto significado.</p> Cristobal Balbontin-Gallo ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2020-09-10 2020-09-10 43 3 307 312 10.1590/0101-3173.2020.v43n3.22.p307 Esclarecimento e dominação masculina http://revistas.marilia.unesp.br/index.php/transformacao/article/view/7778 <p>O diagnóstico fundamental da modernidade de uma perspectiva da teoria crítica incluía o entrelaçamento entre mito e esclarecimento durante o processo de civilização ocidental. Esse artigo pretende analisar tal diagnóstico com base nas considerações apresentadas no livro <em>Dialética do Esclarecimento</em>, levando em consideração o fato de que a modernidade é um projeto fundamentalmente masculino. Se, por um lado, como portadores por excelência da racionalidade ocidental, os homens recusaram às mulheres a “honra da individualização” para estabelecer a dominação masculina, por outro, a indefinição da identidade feminina é justamente o elemento que pode se apresentar como uma potencialidade do ponto de vista da crítica do esclarecimento.</p> Patrícia da Silva Santos ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2020-09-10 2020-09-10 43 3 313 334 10.1590/0101-3173.2020.v43n3.23.p313 Comentário ao artigo "Esclarecimento e Dominação masculina" http://revistas.marilia.unesp.br/index.php/transformacao/article/view/10945 <p>Há, pelos menos, dois postulados fundamentais e incontornáveis –&nbsp;portanto, que se impõem ao pensamento –, quando alguém se ocupa de uma obra filosófica como a de Theodor W. Adorno e Max Horkheimer. O primeiro deles é a primazia do objeto. Isto é, qualquer pensamento que não esteja disposto a abdicar de sua necessária criticidade não pode simplesmente partir de uma teoria para, em função dela, “entender” o que está acontecendo. O próprio desdobramento da realidade, ao invés disso, precisa ser rigorosamente acompanhado, para que seja possível estabelecer algo como uma teoria. Dito de outro modo, a teoria não é a finalidade da filosofia. É apenas o resultado provisório do exercício, sempre em curso, de compreender. Por mais óbvio que isso possa parecer, compreender esse ponto é condição para uma atitude crítica para com os textos.</p> Oneide Perius ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2020-09-10 2020-09-10 43 3 335 338 10.1590/0101-3173.2020.v43n3.24.p335 Morte impune, luto proibido http://revistas.marilia.unesp.br/index.php/transformacao/article/view/9164 <p>Giorgio Agamben tece a genealogia da “vida nua”, no percurso que vai do <em>homo sacer</em> ao <em>Muselmann</em>, do primeiro paradigma da política ocidental à fabricação do morto-vivo em <em>Auschwitz</em>, como vida insacrificável e impunemente matável. Judith Butler segue argumento semelhante ao desenvolver o conceito de “vida precária”, com o qual problematiza a seperação entre vulnerabilidade universal e formas de produção da precariedade, a distinção entre vidas cujas perdas importam e as indignas de pranto e luto. A finalidade deste artigo consiste em aproximar as concepções dos dois autores, sob a hipótese de que em ambos trata-se da fabricação de vidas matáveis, sobre as quais pesa a proibição do luto.</p> Reginaldo Oliveira Silva ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2020-09-10 2020-09-10 43 3 339 360 10.1590/0101-3173.2020.v43n3.25.p339 Comentário ao artigo " Morte impune, luto proibido: vida nua e vida precária em Giorgio Agamben e Judith Butler" http://revistas.marilia.unesp.br/index.php/transformacao/article/view/10946 <p>O excelente e original artigo de Reginaldo Oliveira Silva, “Morte impune, luto proibido: vida nua e vida precária em Giorgio Agamben e Judith Butler”, procura fazer confluir dois conceitos que já gozam de uma fortuna crítica considerável, vale dizer, vida nua e vida precária, respectivamente, em um terreno comum. Embora possamos enquadrar Agamben e Butler em algo como uma segunda geração daquilo que Peters (2000) chamou de pós-estruturalismo ou filosofia da diferença e, ainda que ambos colham diversas de suas hipóteses no canteiro aberto por Foucault, sobremaneira na hipótese biopolítica, essa singular aproximação nos é desconhecida, ao menos em pesquisa na língua nacional.</p> Raphael Guazzelli Valerio ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2020-09-10 2020-09-10 43 3 361 364 10.1590/0101-3173.2020.v43n3.26.p361 Comentário Fazer morrer, deixar morrer http://revistas.marilia.unesp.br/index.php/transformacao/article/view/10947 <p>Há muito a ganhar, do ponto de vista teórico e conceitual, na aproximação entre os conceitos de vida nua, em Giorgio Agamben, e vida precária, em Judith Butler. O artigo de Reginaldo Oliveira Silva cumpre muito bem essa função, legando-nos, no entanto, a tarefa de ainda refletir sobre os pontos divergentes que decerto também existem, seja pelo contexto histórico e político em que filósofo e filósofa conceberam suas ideias – Agamben, na Europa pós-queda do Muro de Berlim, Butler nos EUA, pós-11 de setembro –, seja pelo que ambos recusam, no pensamento do outro.</p> Carla Rodrigues ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2020-09-10 2020-09-10 43 3 365 368 10.1590/0101-3173.2020.v43n3.27.p365 Las Objeciones gassendianas a las Meditaciones metafísicas de Descartes en su contexto filosófico http://revistas.marilia.unesp.br/index.php/transformacao/article/view/9471 <p>En general la disputa entre Gassendi y Descartes ha sido tratada desde el punto de vista cartesiano y, en ese contexto, nuestro artículo se centra en la filosofía de Gassendi. Buscamos un modo para entender la lógica o la estrategia de las objeciones gassendianas, tratando de mostrar los supuestos filosóficos que operan bajo las críticas a Descartes. Junto con ello, mostraremos parte de la recepción contemporánea de la polémica y explicaremos los tópicos más problemáticos adoptados por Gassendi relativos al método y las asunciones relativas a la sustancia. Para cumplir estos objetivos, estudiaremos las objeciones de Gassendi a Descartes en las <em>Quintas Objeciones a las Meditaciones Metafísicas </em>y, también, en la <em>Disquisitio metaphysica&nbsp;seu dubitationes et instantiae adversus Renati Cartesii metaphysicam et responsa, </em>obra publicada por Gassendi en 1644.</p> Samuel Herrera-Balboa ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2020-09-10 2020-09-10 43 3 369 390 10.1590/0101-3173.2020.v43n3.28.p369 Normas para publicação http://revistas.marilia.unesp.br/index.php/transformacao/article/view/10948 <p>Normas de submissão e avaliação. Normas para apresentação dos originais</p> Revista TRANS/FORM/AÇÃO ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2020-09-10 2020-09-10 43 3 391 394