DO CAOS AO COSMOS: AS ORIGENS DA TOMADA DE CONSCIÊNCIA DO SI MESMO

  • Mariana Inés Garbarino Doutora e Pós-Doutora pelo Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP). Professora substituta no curso de Pedagogia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Campus Guarulhos.
  • Maria Thereza Costa Coelho de Souza Professora Titular do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP)
Palavras-chave: Tomada de consciência, Autovalorização, Egocentrismo, Si mesmo

Resumo

Em tempos de uma infância vulnerável ao bullying, ao fracasso escolar, à patolo- gização, ao imediatismo e ao stress; em tempos de poucos espaços para refletir acerca da experiência do pensamento e das próprias ações, temáticas como a autovalorização e a tomada de consciência do si mesmo resultam incontornáveis. Diante desse panorama atual, o presente trabalho aborda as seguintes perguntas: Como se origina o processo de autovalorização e da tomada de consciência do si mesmo? A partir de quais relações da cognição e da inteligência são gestados? Para responder essas perguntas o artigo mapeia estudos pós-piagetianos contemporâneos e revisita conceitos clássicos da psicologia genética desde um prisma pouco habitual: a evolução da tomada de consciência de si mesmo, processo-chave da constituição subjetiva. O texto foi organizado em quatro eixos interdependentes que contextualizam e explicam as origens da tomada de consciência do si mesmo: a primeira parte aborda a concepção piagetiana do sujeito epistêmico e psicológico; a segunda retoma as relações afetividade-inteligência à luz da constituição subjetiva do Eu na matriz da intersubjetividade; o terceiro discute o construto de autovalorização e as dimensões afetivas do si mesmo; por último, o quarto eixo aborda o modelo da tomada de consciência como base para refletir sobre a construção dialética do si mesmo e do mundo. Ao longo do artigo evidenciou-se o papel do outro na conformação da autovalorização, das intenções e escalas de valores do sujeito psicológico para julgar-se. Duas ideias foram desenvolvidas. Por um lado, a necessidade de sair do egocentrismo para autoconhecer-se. Por outro, a presença do investimento afetivo do si mesmo como uma energia sutil, que modela a direção dos procedimentos e falas do sujeito. Concluiu-se acerca da importância de aprofundar o estudo teórico e empírico dos processos elencados, e da importância das suas ressonâncias, não só conceituais, mas também metodológicas e éticas no que respeita as pesquisas piagetianas.

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Publicado
2020-01-30
Seção
Artigos