Kínesis - Revista de Estudos dos Pós-Graduandos em Filosofia http://revistas.marilia.unesp.br/index.php/kinesis <p>A&nbsp;<strong>Kínesis - Revista de Estudos dos Pós-Graduandos em Filosofia</strong>&nbsp; é uma revista eletrônica acadêmica na área de Filosofia que tem por missão&nbsp;publicar e divulgar pesquisas de pós-graduandos e pós-graduados a partir de um criterioso processo de avaliação. Surgiu em 2009 da iniciativa conjunta dos pós-graduandos em Filosofia do Programa de Pós-Graduação em Filosofia da Universidade Estadual Paulista (Unesp), Campus de Marília-SP.&nbsp;</p> Faculdade de Filosofia e Ciências pt-BR Kínesis - Revista de Estudos dos Pós-Graduandos em Filosofia 1984-8900 EDITORIAL http://revistas.marilia.unesp.br/index.php/kinesis/article/view/10636 <p>É com satisfação que a Kínesis – Revista de Estudos dos Pós-Graduandos em Filosofia publica o Número Especial “Filosofia Política e do Direito”, Volume 12, Número 32, 2020.&nbsp;Agradecemos aos autores por confiarem suas pesquisas à Revista Kínesis e aos pareceristas <em>ad hoc</em> pelo trabalho criterioso de avaliação. Convidamos nossos leitores para apreciarem mais um número da Kínesis.</p> Rafael dos Reis Ferreira João Antonio de Moraes Pedro Bravo de Souza Nathália Cristina Alves Pantaleão Yago Antonio de Oliveira Morais Marcelo Marconato Magalhães Ricardo Pereira Tassinari ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0 2020-07-21 2020-07-21 12 32 i ii 10.36311/1984-8900.2020.v12n32.pi-ii NOTAS SOBRE HEGEL E MARX EM RELAÇÃO À FILOSOFIA DO DIREITO http://revistas.marilia.unesp.br/index.php/kinesis/article/view/10637 <p>O intuito do presente trabalho é deslindar nas concisas linhas adstritas, a relação entre Hegel e Marx sobre a filosofia do direito, esta última marcada pelo momento da <em>Sittlichkeit</em> (“eticidade”, que será explicitada adiante), manifesta a oposição aparente entre o conceito de sociedade civil burguesa (<em>bürgerliche Gesellschaft</em>) e de Estado, tendo em vista este âmbito como objeto de teorização da vida ético-política no contexto histórico de ambos os pensadores e suas divergências ideológicas. Deste modo, enquanto a concepção hegeliana sustém a prevalência despótica do Estado (em defesa da monarquia constitucional), Marx defende a tese da dissolução do Estado político, que implica por consequência, a do Estado não-político (sociedade civil).</p> Thiago de Souza Salvio ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0 2020-07-21 2020-07-21 12 32 1 13 10.36311/1984-8900.2020.v12n32.p1-13 O CONCEITO DE LIBERDADE EM CÍCERO E MAQUIAVEL À LUZ DO REPUBLICANISMO DE QUENTIN SKINNER EM SUA FASE INICIAL http://revistas.marilia.unesp.br/index.php/kinesis/article/view/10638 <p>Trata-se, neste artigo, de elucidar a aproximação proposta por Quentin Skinner entre Cícero e Maquiavel no curso da assim chamada fase inicial da carreira do primeiro intérprete: quando então identificava uma concepção de liberdade negativa no republicanismo dos dois últimos autores. Sendo assim, num primeiro momento do trabalho, pretendo demonstrar como a referida interpretação está fundamentalmente baseada no que Skinner concebe como um paradoxo da liberdade nos dois clássicos autores republicanos: o próprio avesso da liberdade (ou seja, a lei) como seu instrumento de realização. Num segundo e último momento do trabalho, trata-se de questionar se não haveria algum anacronismo nessa definição de um conceito republicano de liberdade, residido em Cícero e Maquiavel, com contornos tão próximos ao liberalismo. Nesse sentido, trago à tona as interpretações de Michel Villey e John Pocock, bem como as polêmicas leis agrárias republicanas romanas, chegando à seguinte conclusão. Se, por um lado, notadamente sobre Cícero, corrobora-se muito da posição skinneriana discutida até então, por outro lado, impõe-se para ela algumas dificuldades, especificamente no que diz respeito à sua interpretação de Maquiavel.</p> Bruno Santos Alexandre ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0 2020-07-21 2020-07-21 12 32 14 31 10.36311/1984-8900.2020.v12n32.p14-31 UM ESTUDO SOBRE A POSIÇÃO ORIGINAL E OS DOIS PRINCÍPIOS DE JUSTIÇA EM JOHN RAWLS http://revistas.marilia.unesp.br/index.php/kinesis/article/view/10639 <p>O presente trabalho pretende analisar e interpretar dois importantes conceitos das obras <em>A Theory of Justice</em> (1999) e <em>Political liberalism</em> (1993) de John Rawls, a saber, a posição original e os dois princípios de Justiça (Liberdade e Igualdade). Em um primeiro momento, será feita a explanação da teoria de Rawls com o intuito de apresentar as bases fundamentais que possibilitaram garantir as condições adequadas para intuir acerca da estrutura básica da sociedade. Posteriormente, será analisada a posição original e todos os seus elementos constitutivos. Em seguida, serão expostos os dois princípios da justiça com a avaliação dos tipos de justiça procedimentais possíveis na teoria de Rawls. Por fim, argumentar-se-á acerca do espectro social dessa teoria.</p> Victor Hugo Maia Osório ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0 2020-07-21 2020-07-21 12 32 32 57 10.36311/1984-8900.2020.v12n32.p32-57 APONTAMENTOS SOBRE A CRÍTICA DE JUDITH BUTLER À TEORIA DO RECONHECIMENTO DE AXEL HONNETH http://revistas.marilia.unesp.br/index.php/kinesis/article/view/10640 <p>Este artigo tem como objetivo fazer uma análise crítica da teoria do reconhecimento de Axel Honneth. Judith Butler percebe algumas contradições nesta teoria e busca apontar aspectos que podem colaborar para uma reconstrução teórica do reconhecimento na sociedade atual e como chegar ao objetivo comum que ambos autores têm: autocrítica social e direcionar as lutas sociais para um movimento emancipatório dos grupos sociais vulneráveis.</p> Mizânia Mizilílian Pessoa Barradas de Brito ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0 2020-07-21 2020-07-21 12 32 58 71 10.36311/1984-8900.2020.v12n32.p58-71 TRABALHO E GÊNESE DO SER SOCIAL: UMA ANÁLISE A PARTIR DA ONTOLOGIA DE LUKÁCS http://revistas.marilia.unesp.br/index.php/kinesis/article/view/10642 <p>O objetivo deste trabalho está em analisar a tese de Lukács acerca da gênese do Ser Social. Em sua obra, <em>Para uma Ontologia do Ser Social</em>, em especial, no capítulo <em>O Trabalho</em>, Lukács propõe uma das premissas centrais do seu pensamento, que em sua interpretação constitui o cerne estruturador do pensamento de Marx, a saber, o trabalho enquanto atividade fundante do ser social. De acordo com esta premissa, é a ação do trabalho que demarca a especificidade e singularidade do ser social, uma vez que por meio dele, o homem opera uma transformação no mundo natural e, por sua vez, produz uma nova forma de objetividade cujas características são determinadas pelas intenções previamente idealizadas na consciência humana.</p> Maicon José Fortunato ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0 2020-07-21 2020-07-21 12 32 72 89 10.36311/1984-8900.2020.v12n32.p72-89 A TEIA DE RELAÇÕES HUMANAS E A FORMAÇÃO DO MUNDO COMUM: A PLURALIDADE NA FILOSOFIA POLÍTICA DE HANNAH ARENDT http://revistas.marilia.unesp.br/index.php/kinesis/article/view/10643 <p>Este trabalho consiste numa análise da relação entre a noção de <em>teia de relações humanas</em> e o conceito de <em>mundo comum</em> no pensamento de Hannah Arendt (1906–1975). O <em>mundo comum</em> é público em oposição ao oculto que caracteriza vida privada. Constitui-se por um espaço que existe apenas na medida em que homens se vinculam por seus discursos e ações e, desse modo, revela seus atores. Este vínculo criado pelos homens, pela via dos atos e das palavras, é denominado pela autora como <em>Teia de relações</em>. Ao contrapor-se às formas de dominação totalitária, nas quais indivíduos encontram-se isolados e igualmente, destituídos de discurso político, Arendt compreende que discurso e ação referem-se à mediação que os indivíduos estabelecem entre eles por meio dos seus interesses. Desse modo, constituindo uma realidade mundana objetiva.</p> José Valdir Teixeira Braga Filho ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0 2020-07-21 2020-07-21 12 32 90 101 10.36311/1984-8900.2020.v12n32.p90-101 O INIMIGO NO ESPAÇO COLONIAL E O DISCURSO SOBRE RAÇA COMO OPERADOR BIONECROPOLÍTICO http://revistas.marilia.unesp.br/index.php/kinesis/article/view/10644 <p>O presente artigo busca pensar, tomando como base as obras de Achille Mbembe (2018) e Grada Kilomba (2019), a construção da figura do “inimigo”, ou do “Outro”, a partir do advento do conceito de raça e das práticas de racismo no seio das sociedades colonialistas. Isso porque a lógica colonial, de acordo com os autores supracitados, não admite qualquer tipo de vínculo entre o conquistador e o nativo ou o escravizado que não seja a partir da negação, da exclusão e da violência exercida por aquele no corpo destes, de tal sorte que o espaço da colônia se converte em um grande laboratório <em>bionecropolítico</em>. Para compreendermos, portanto, a necessidade de hierarquização entre uns e outros –e da consequente inferiorização do Outro-, partiremos da proposição de Mbembe, em seu ensaio <em>Necropolítica</em> (2018), na qual o autor identifica o racismo como a “condição para aceitabilidade do fazer morrer”. Nesse sentido, a conversão daqueles considerados inferiores, com base em critérios construídos pelo discurso europeu sobre “raça”, em inimigos passou a atuar como forma de justificar o exercício do poder punitivo e do poder de morte sobre esses corpos. Por fim, à guisa de conclusão, tentamos ressaltar que o considerado passado colonial e escravocrata ainda se faz presente em nosso cotidiano e na maneira de fazer política na contemporaneidade, ao atentarmo-nos para os frequentes episódios de genocídio do povo negro ainda no século XXI.</p> Isabela Simões Bueno ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0 2020-07-21 2020-07-21 12 32 102 112 10.36311/1984-8900.2020.v12n32.p102-112 POPPER E OS PARADOXOS DA SOBERANIA: POR QUE NA POLÍTICA SEMPRE DEVEMOS ESTAR PREPARADOS AO MÁXIMO PARA O PIOR? http://revistas.marilia.unesp.br/index.php/kinesis/article/view/10645 <p>O presente artigo tem por objetivo uma breve análise da alegação do filósofo Karl Popper (1902-1994) de que em relação à política sempre devemos estar preparados “ao máximo para o pior”. O autor mostra que organizar as instituições políticas de uma forma adequada a evitar que os governantes incompetentes ou malfeitores gerem demasiados estragos é um dever de toda a sociedade que preza pela liberdade. Essa abordagem revela-se profícua ao superar a ingênua noção de que a democracia é meramente o “governo da maioria”; apontando que esse regime é aquele que, sobretudo, é capaz de disponibilizar a todos os cidadãos meios democráticos ou pacíficos de controle governamental. Concluiremos, a partir disso, que a soberania é demasiadamente paradoxal e, por meio de um contraste epistêmico entre a visão liberal, abraçada por Popper, e planificadores centrais, veremos a ilimitação do poder como inconcebível.</p> Daniel Mota Vieira ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0 2020-07-21 2020-07-21 12 32 113 127 10.36311/1984-8900.2020.v12n32.p113-127 ARENDT CONTRA HAYEK: ORDEM ESPONTÂNEA, HISTÓRIA E POLÍTICA http://revistas.marilia.unesp.br/index.php/kinesis/article/view/10646 <p>Tendo como fio condutor a questão geral da liberdade, no presente artigo é elaborada uma breve reflexão sobre os conceitos de ordem espontânea, História e política. Segundo Friedrich Hayek (1899-1992), na obra <em>Direito, legislação e liberdade</em> (1973), existem dois tipos de ordem: uma delas criada pela mente humana (<em>taxis</em>) e outra que se realiza espontaneamente (<em>kosmos</em>). A ordem<em> taxis</em> relaciona-se a uma perspectiva racional-construtivista e é característica de uma economia planificada ou dirigida, ao passo que a ordem espontânea conecta-se a uma compreensão evolucionista e corresponde a uma ordenação liberal de mercado. A partir dessas bases, Hayek elaborou uma teoria abarcante sobre os princípios liberais de economia e justiça, quese tornou um dos estandartesdo liberalismo na contemporaneidade. Nessa conjuntura, a indagação aqui proposta procura compreender se a existência de uma ordem espontânea, natural, não acaba interferindo nas possibilidades humanas de transformaçãoda realidade histórica e política. Um tal tipo de ordem, em última análise, não conduziria a sociedade derradeiramente para o fim da História, para a apatia e o conformismo? Nessa discussão sobre ordem espontânea, História e política, o conceito de liberdade irá desempenhar um papel preponderante. O pensamento político de Hannah Arendttambém oferecerávaliosos subsídios interlocutórios para a consecução do intento proposto.</p> Fabrício Fonseca Machado ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0 2020-07-21 2020-07-21 12 32 128 149 10.36311/1984-8900.2020.v12n32.p128-149