Estratégia de Saúde da Família e prevalência de anemia em mulheres de uma região urbana de alto Índice de Desenvolvimento Humano

  • Silvia Maira Pereira Departamento de Enfermagem e Nutrição da Universidade de Taubaté
  • Élida Mara Braga Rocha Faculdade de Juazeiro do Norte - Juazeiro do Norte (CE)
  • Sophia Cornbluth Szarfarc Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo
  • Paulo Rogério Gallo Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo
  • Ciro João Bertoli Departamento de Medicina da Universidade de Taubaté
  • Claudio Leone Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo
Palavras-chave: Anemia ferropriva, Mulher, Prevalência, Estratégia Saúde da Família

Resumo

Introdução: Anemia ferropriva é um importante problema de saúde pública.

Objetivo: Analisar o valor de hemoglobina e a prevalência de anemia em mulheres em idade reprodutiva, mães de filhos inscritos em creches municipais de um município com alto Índice de Desenvolvimento Humano, na região Sudeste, além de fatores a elas relacionados, incluindo serem atendidas pela Estratégia de Saúde da Família.

Método: Trata-se de um estudo transversal com amostra constituída por 230 mulheres entre 15 e 49 anos de idade. A coleta de dados foi realizada por meio de formulário, abordando variáveis socioeconômicas e saúde materna. Verificaram-se: peso, estatura e dosagem da concentração da hemoglobina.

Resultados: A prevalência de anemia nas mulheres foi de 9,6%, com média de concentração da hemoglobina de 14,6g/dL. Na análise bivariada, mostraram associação com anemia as variáveis: idade, ter alguma doença, intercorrências obstétricas na gestação da criança estudada e, como fator de proteção, estar no programa Estratégia de Saúde da Família. Na análise binária logística, apenas ser atendida pela Estratégia de Saúde da Família demonstrou ser significante efeito protetor frente à anemia (OR=0,391, p<0,05).

Conclusão: Apesar de haver uma prevalência leve de anemia, pelo critério da Organização Mundial da Saúde, em área urbana de alto Índice de Desenvolvimento Humano, políticas de atenção à saúde e bem conduzidas, a Estratégia de Saúde da Família em particular, podem contribuir para reduzir ainda mais a prevalência desse agravo na saúde das mulheres em idade reprodutiva.

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Biografia do Autor

Silvia Maira Pereira, Departamento de Enfermagem e Nutrição da Universidade de Taubaté

Professora Assist. II

Élida Mara Braga Rocha, Faculdade de Juazeiro do Norte - Juazeiro do Norte (CE)

Docente

Doutorado em Nutrição em Saúde Pública (USP)

Sophia Cornbluth Szarfarc, Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo

Docente Senior do Departamento de Nutrição

Paulo Rogério Gallo, Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo

Professor Associado do Departamento Ciclos de Vida Saúde e Sociedade

Ciro João Bertoli, Departamento de Medicina da Universidade de Taubaté

Professor Doutor

Claudio Leone, Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo

Professor Titular Colaborador Senior, Departamento Ciclos de Vida Saúde e Sociedade

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Publicado
2019-12-12
Seção
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