Modulação autonômica cardíaca durante diferentes modos de desmame em ventilação mecânica

  • Marcelle Guerra Laboratório de Delineamento de Estudos e Escrita Científica do Centro Universitário Saúde ABC, Santo André, SP
  • Juliana Zangirolami-Raimundo Laboratório de Delineamento de Estudos e Escrita Científica do Centro Universitário Saúde ABC, Santo André, SP
  • George Jerre Vieira Sarmento Coordenador do Serviço de Fisioterapia do Hospital São Luiz/Rede D’or – Unidade Jabaquara, SP
  • Renata Salatini Clínica Cirúrgica, Faculdade de Medicina da USP, São Paulo, SP
  • Pammela de Jesus Silva Universidade de São Caetano, São Caetano do Sul, SP
  • Rodrigo Daminello Raimundo Laboratório de Delineamento de Estudos e Escrita Científica. Centro Universitário Saúde ABC. Santo André. São Paulo
Palavras-chave: sistema nervoso autônomo, variabilidade da frequência cardíaca, desmame ventilatório

Resumo

Introdução: A variabilidade da frequência cardíaca (VFC) é um método não invasivo para analisar variações de intervalos de tempo entre batimentos cardíacos. A VFC é um método promissor para analisar o balanço autonômico quantitativamente. Durante o processo de desmame da ventilação mecânica, ocorrem alterações na atividade autonômica. Objetivo: Analisar o comportamento da modulação autonômica da frequência cardíaca em diferentes modos do desmame da VM. Método: 18 pacientes foram estudados. Os parâmetros cardiorrespiratórios (PAS, PAD, PAM, FR, SpO2) iniciais e finais foram registrados em uma ficha. Um cardiofrequencimetro foi posicionado (relógio no punho e cinta no tórax). Os pacientes foram mantidos em decúbito Fowler e permaneceram 10’ em cada modo ventilatório (A/C, SIMV, PSV 18 e 10 e nebulização com Tubo T). Os sinais captados pelo cardiofrequencimetro foram analisados através do software Kubios®. Resultados: Os parâmetros da Variabilidade da Frequência Cardíaca foram analisados nos domínios do tempo, frequência e índices geométricos. Houve aumento na média rMSSD - modulação parassimpática, do momento A/C para o momento PSV 10 (p=0,027), aumento entre os momentos SIMV e PSV 10 (p=0,042), mas reduziu entre os momentos PSV 10 e TUBO T (p=0,035). Houve aumento na média do LF (low frequency) -modulação simpática, dos momentos SIMV e PSV 10 para TUBO T (p=0,011 e p=0,037). A média de LF apresentou queda entre os momentos A/C e SIMV (p=0,024), aumento nos momentos SIMV e PSV 10 para TUBO T (p =0,049 e p=0,027). HF (high frequency) - modulação simpática aumentou entre os momentos SIMV e PSV 10 (p=0,020) e também entre os momentos SIMV e TUBO T (p=0,044). Houve redução na média HF entre os momentos PSV e TUBO T (p=0,026). Conclusão: Modos controlados apresentaram diminuição da VFC e maior predomínio simpático em relação a modos espontâneos.

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Publicado
2019-11-05
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