MULHER E “FAMÍLIAS” NA DINÂMICA INSTITUCIONAL

DIVÓRCIO NO BRASIL E SOCIEDADE ESCRAVAGISTA DO BOLSÃO SUL-MATO-GROSSENSE DO SÉCULO XIX.

  • Alexandre de CASTRO Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul
Palavras-chave: Mulher, Família, Cotidiano Patriarcal

Resumo

Este artigo foi elaborado a partir de uma pesquisa de natureza social e histórica da cidade de Paranaíba, Estado de Mato Grosso do Sul, contida nos registros e notas do 1º Cartório de Registros deste município. A elaboração dessa formulação tornou-se possível em virtude do desenvolvimento de um projeto de pesquisa realizado entre os anos de 2012 a 2014, período no qual foram lidos e analisados quatorze livros de registros na própria sede cartorária. Embora a revisão da história regional do bolsão sul-mato-grossense possui dupla pretensão: resgatar os fatos de um regime escravocrata entre os anos de 1838 a 1888 (delimitação temporal decorrente das anotações encontradas nos livros), que permanece em silêncio na historiografia, além da recuperação da dinâmica da vida social no início da fundação e desenvolvimento do município de Paranaíba e região, dados contidos nos documentos demonstraram, dentre outros aspectos históricos, o papel social da mulher no tratamento de seu patrimônio e família dissonantes da formulação do modelo familiar patriarcal descrito por Gilberto Freyre. Tal revisão será permitida pelo acesso as informações através de fontes primárias discriminadas e coletadas nos registros e notas, que compõe resultado de pesquisa documental, aliada a uma pesquisa bibliográfica especializada. Da análise da documentação realizada até o momento é possível compreender parte da dinâmica social estabelecida entre proprietários e escravos/forros, bem como do cotidiano das relações sociais, familiares e de gênero vividas pelos sujeitos no início da ocupação da região leste de Mato Grosso do Sul.

Recebido em: 08/04/2019.
Aprovado em: 13/06/2019

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Biografia do Autor

Alexandre de CASTRO, Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul

Professor do curso de Ciências Sociais da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul, unidade Universitária de Paranaíba, doutorando em Ciências Sociais pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho - UNESP/câmpus de Marília SP. É bacharel em Ciências Sociais (UNESP/Marília, 1995) e Direito (UNIVEM/Marília, 2002); mestre em Teoria do Direito e do Estado (UNIVEM/Marília, 2005).

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Publicado
2019-10-23
Seção
Artigos