Sistema-mundo e movimentos antissistêmicos: uma análise crítica da Venezuela pós-Chávez

World-systems theory and the antisystemic moviments: a critical analysis of post-Chávez Venezuela

  • Charles Pennaforte UFPel
  • Fabiana Oliveira USP
Palavras-chave: Venezuela, Movimentos antissitêmicos, Sistema-mundo, Crise política

Resumo

O trabalho tem como objetivo fazer uma análise da realidade venezuelana sob o governo de Nicolás Maduro e sua capacidade de sobrevivência política frente aos inúmeros problemas que a Venezuela atualmente enfrenta, a saber: caos econômico, político e social. Após o período de atuação antissistêmica sob o governo Chávez, em meio a um contexto regional favorável, com governos ideologicamente próximos em diversos países da América Latina e, ao mesmo tempo, com um boom petrolero que permitiu o aumento da receita venezuelana, o país se defronta com um cenário totalmente adverso. No entanto, apesar de toda esta situação, o governo Maduro vem conseguindo manter o controle do país a despeito da grave crise econômica, de suaguinada autoritária e de uma oposição que, cada vez mais, parece apostar em saídas insurrecionais com o fim de aprofundar o isolamento do país. Convertido em uma questão regional, o conflito observado na Venezuela reflete a divisão que atualmente fratura toda a América Latina.

 

 

Abstract: This work´s objective is to make an analysis of the Venezuelan reality under Nicolás Maduro´s administration and his capacity of political survival in defiance of numerous problems currently faced by Venezuela, namely: the economic, political and social chaos. After the period of antisystemic performance under Chávez´s administration, in a favorable regional context, with ideologically close governments in several Latin American countries and, at the same time, with the petroleum boom that allowed Venezuelan income to increase, the country confronts a totally adverse scenario. However, despite this situation, Maduro´s administration has been able to maintain control of the country over the severe economic crisis, its authoritarian´s turn and the opposition, that increasingly seems to bet on insurrectional exits in order to deepen the country´s isolation. Converted into a regional issue, the conflict observed in Venezuela reflects the division that currently fractures the whole Latin America.

Key-words: Venezuela; Antisystemic movements; World-System Theory; Political crisis.

 

 

Recebido em: agosto/2018.
Aprovado em: abril/2019.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Charles Pennaforte, UFPel

Doutor em Relações Internacionais pela Universidad Nacional de La Plata (Argentina). Pós-doutor em Integração Regional pelo Programa de Pós-Graduação em Integração da América Latina (PROLAM) da Universidade de São Paulo (USP). Coordenador do Grupo de Pesquisa CNPq Geopolítica e Mercosul e professor permanente do Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Federal de Pelotas (UFPel).

Fabiana Oliveira, USP

Doutoranda em Integração Regional pelo Programa de Pós-Graduação em Integração da América Latina (PROLAM) da Universidade de São Paulo (USP) com estágio doutoral no Centre de Recherche sur le Brésil Colonial et Contemporain da École des Hautes Études en Sciences Sociales (CRBC/ EHESS), França. Mestra pelo mesmo programa. Professora do curso de Relações Internacionais da Universidade Paulista (UNIP).

Referências

ALARCON, Benigno. El desafio venezolano: continuidad revolucionaria o transición democrática. Caracas: Ediciones CEP, 2014.
ALMADA, Izaías. Venezuela: povo e Forças Armadas. São Paulo, Editora Caros Amigos, 2007.
ANDREANI, Fabrice. Las vías enmarañadas del autoritarismo bolivariano. Nueva Sociedad. Democracia e Política en América Latina, marzo-abril de 2018, Nº 44-58. Acesso em 15/05/2018.
ARRIGHI, Giovanni et alli. Antisystemicsmovements.New York: Verso, 1989.
BARROS, Pedro S. Governo Chávez e desenvolvimento: a política econômica em processo. Dissertação de mestrado – Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, São Paulo, 2007.
DE LA ROSA, Francisco J. U. La Alianza Bolivariana para las Américas – Tratado de Comercio de los Pueblos (ALBA-TCP): análisis de un proyecto de integración regional latinoamericana con una fuerte dimensión altermundista. Estudios Políticos, n.25, jan-abr. 2012, pp.131-170.
GAMBOA, Laura. Venezuela: aprofundamento do autoritarismo ou transição para a democracia? Relações Internacionais, n.52, dez.2016, pp.55-66.
GEHRE, Thiago. O retrato da Venezuela no século XXI: crise e desesperança. Mundorama, jul-2017. Disponível em: . Acesso em 30/04/2018.
GRASMCI, Antonio. Cadernos do Cárcere. Rio de Janeiro, Civilização Brasileiro, 2002.
LANDER, Edgardo. A maldição Estrativista. Outras Palavras. Disponível em https://outraspalavras.net/alemdamercadoria/venezuela-conflagrada-1-a-maldicao-do-extrativismo/ Acesso em 23 mar 2019.
LIRA, Bárbara. Elementos para pensar reformas de la economía venezolana: diversificación productiva.Friedrich Ebert Stiftung, jan-2016.Disponível em: Acesso em 10 de março de 2019.
LÓPEZ, Ociel A.Chavismo: entre la renovación y las rupturas internas. Nueva Sociedad 2018. Disponível em Acesso em 31/03/2019.
MARINGONI, Gilberto. A Revolução Venezuelana. São Paulo, EDUSP, 2004.
Instituto americano CEPR, Washington. Relatório “A Economia Venezuelana nos anos de Chávez”.
MAYA, Margarita Lopez. La crisis del chavismo en la Venezuela actual, Estudios latinoamericanos, Nueva Época, nº 38, julio/diciembre, 2016, pp. 159-185. Acesso em 10 abril 2019.
OEA (CIDH). Institucionalidad democrática, Estado de derecho y derechos humanos em Venezuela – Informe de país. Dez. 2017. Disponível em: http://www.oas.org/es/cidh/informes/pdfs/Venezuela2018-es.pdf. Acesso em 30 /04/2018.
OLIVEIRA, Renata P.Velhos fundamentos, novas estratégias? Petróleo, Democracia e a Política Externa de Hugo Chávez (1999-2010).Universidade Federal de Minas Gerais, Programa de Pós-Graduação em Ciência Política, p. 24, 2010.
Países europeus, incluindo Portugal, reconhecem Guaidó como Presidente da Venezuela. Público. . Acesso em 06 abril 2019.
PENNAFORTE, Charles. Venezuela: dificuldades e contradições para a atuação antissistêmica. Cadernos PROLAM/USP, [S.l.], v. 13, n. 24, p. 125-136, dec. 2014. Disponível em:. Acesso em: 01 may 2018. doi:http://dx.doi.org/10.11606/issn.1676-6288.prolam.2014.88785.
______.Movimentos Antissistêmicos no Sistema-Mundo Contemporâneo: o caso venezuelano.Rio de janeiro:Cenegri Edições, 2013.
RANDIG, Ricardo W. Nadando contra a “maré vermelha”: análise da suposta tendência à esquerda da América Latina. Meridiano 47, v.09, n.96, jul-2008.
RODRÍGUEZ, William E. La oposición venezolana: entre elecciones y desestabilización. UH, n.283, jan-jun.2017, pp.29-43.
Senadores que foram à Venezuela desembarcam em Brasília. G1. Acesso em: 24 junho 2019.
RUIZ, José B.South-South cooperation in the Chávez era in Venezuela.Vestinik RUDN, vol. 18nº. 3, pp. 479-496, 2018. Acesso em 8 abril 2019.
Rússia se diz preocupada com apoio dos EUA à oposição na Venezuela. Terra. 16/01/2019 Acesso 06 abril2019.
STOESSEL, Soledad. Giro a la izquierda en la América Latina del siglo XXI. Revisitando los debates académicos. Polis, Revista Latinoamericana, v.13, nº 39, 2014, p. 123-149.
STRAKA, Toma?s . ¿Hasta siempre, Comandante?Nueva Sociedad.Marzo 2018. Disponível em: Acesso em 10/05/2018.
SUTHERLAND, Manuel . Venezuela sin fondo… y sin alternativas. Nueva Sociedad.Diciembre 2017. Disponívelem: Acesso 12/04/2018.
TOKATLIAN, Juan G. América Latina frente a Venezuela. Nueva Sociedad. Agosto 2017. Disponível em: Acesso em 05/04/2018.
______. Cómo lidiar con Venezuela?Nueva Sociedad, jan-2019. Disponível em: .
Acesso em19/01/2019.VERA, Leonardo. ¿Cómo explicar la catástrofe económica venezolana? Revista Nueva Sociedad, n.274, marzo-abril de 2018, pp. 83-96. Disponível em: Acesso em 15/06/2018.
VILLA, Rafael Duarte. Venezuela: mudanças políticas na era Chávez. Estudos Avançados, v.19, n.55, 2005, pp.153-172.
WALLERSTEIN, Immanuel. O Declínio do Poder Americano. Rio de Janeiro, Contraponto, p. 266, 2004.
Publicado
2019-05-02
Seção
Artigos