Tendências da Atuação Sindical no Brasil de Hoje

Noêmia Lazzareschi

Resumo


Este artigo procura demonstrar que a reestruturação produtiva, isto é, a modernização tecnológica e organizacional das empresas, e as condições econômicas mundiais determinadas pelo processo de intensificação da internacionalização dos mercados prescrevem a negociação permanente como nova orientação política dos sindicatos na defesa dos interesses dos trabalhadores, seja empresa por empresa, por setor ou articulada governo x sindicato x empresários. De combativos no século passado, os sindicatos tendem a adotar a estratégia da negociação direta permanente, procurando evitar a greve e, sobretudo e fundamentalmente, evitar a apresentação de reivindicações que inviabilizem a competitividade das empresas, provocando o seu deslocamento para outras regiões, estados ou países, como comprovam a adesão dos metalúrgicos das grandes montadoras de automóveis ao Programa de Proteção ao Emprego (PPE) em setembro de 2015 e a aprovação da revisão do acordo coletivo celebrado em 2014 em troca da estabilidade no emprego em 2016, como será demonstrado ao longo deste artigo. Assiste-se, assim, a uma verdadeira revolução na regulamentação das relações de trabalho, pois que o negociado tende a se sobrepor ao legislado sempre que a manutenção dos empregos estiver ameaçada.

Palavras-chave


reestruturação produtiva; globalização da economia; movimento sindical; greves; reivindicações dos trabalhadores