Chamada para publicação

2018-04-20

A última edição do Levantamento Nacional de Informações Penitenciárias (Infopen), divulgada no último mês de dezembro, aponta para 726,7 mil o número de presos no Brasil - a terceira maior população carcerária do mundo. O número mais que dobrou desde o primeiro levantamento, em 2005. Causa preocupação que, dessa população, pouco menos dois terços seja negra, preocupação que se torna ainda maior se tivermos em mente que pouco mais da metade da população geral é negra. Soma-se a isso o fato de o país possuir um dos maiores índices de mortes violentas do mundo, sobretudo quando se trata de mortes da população negra, de indígenas e quilombolas, de mulheres e de LGBTs, além de termos uma das forças policiais que mais matam e morrem. Nos últimos anos, a falência dos órgãos estatais de segurança e justiça pode ser evidenciada no apelo recorrente ao instrumental da Garantia da Lei e da Ordem (GLO) - empregada nas Jornadas de Junho de 2013 e nas manifestações de 2016 - e no alcance atingido pelas facções criminosas, como é possível observar nos massacres das penitenciárias de Roraima, Amazonas e Rio Grande do Norte, também nas chacinas ocorridas no Ceará e no Pará. As numerosas greves policiais, como as que ocorreram no Rio Grande do Sul e no Espírito Santo, deram mais amostras do problema. No Rio de Janeiro, o esgotamento do modelo das Unidades de Polícia Pacificadora, com agravante da crise econômica enfrentada pelo Estado, culminou no episódio mais recente: a intervenção federal na segurança pública do Estado do Rio de Janeiro. Esse é o retrato do cenário de colapso em que a segurança pública no país está inserida. Diante de todo esse cenário, a nova edição da Aurora – Revista de Discentes do Programa de Pós Graduação em Ciências Sociais - convida a todas e todos que possam ter textos para contribuir para este debate a submeterem-nos para a organização de nosso próximo dossiê temático: “O colapso da Segurança Pública no Brasil”. Aceitaremos submissões até dia 20 de maio. Também receberemos trabalhos variados na seção Miscelânea, conforme consta nas Normas de Publicação.