Chamada para publicação - v. 13 n.1 2020

2020-05-04
   A noção de polaridade sempre permeou os estudos de Relações Internacionais. Durante o período da Guerra Fria, a bipolaridade era central para análises das mais variadas tradições de pensamento. Com o fim do conflito entre as duas superpotências, estudos passaram a questionar qual a polaridade da nova configuração do Internacional. Enquanto abordagens de matiz realista sublinhavam a supremacia militar estadunidense após a dissolução da União Soviética, autores de outras vertentes teóricas propunham abordagens inovadoras. Dentre elas destaca-se a proposta de “xadrez tridimensional”, avançada, principalmente, por Joseph Nye Jr., cuja interpretação do internacional apontava “tabuleiros” com polaridades diversas. Se no âmbito militar o inigualável poderio estadunidense implicava um tabuleiro unipolar, os tabuleiros da economia e dos “outros assuntos” apresentavam-se claramente multipolares.

Atualmente, a emergência de novos atores internacionais reforça a noção de multipolaridade. Ao mesmo tempo, o vertiginoso ressurgimento chinês traz à volta novas discussões sobre o possível encaminhamento para uma nova bipolaridade: Estados Unidos e China polarizando, num movimento crescente, as diversas arenas do Internacional. Diante desse panorama, nós, da Revista Aurora, convidamos pesquisadoras e pesquisadores a questionar: estaria a multipolaridade numa encruzilhada? Encruzilhada que pode sugerir tanto a referida substituição por uma ordem bipolar, quanto os novos significados que a multipolaridade adquire no século XXI. Isto é, quais os impactos de uma ordem multipolar para as principais agendas internacionais? E se há um retorno, o que isso significa?

Questões como o aquecimento global e o gerenciamento da economia internacional sofrem quais influências e quais direcionamentos de uma ordem multipolar (ou não)? Ou como a emergência de governos ligados com ideias de extrema-direita, como o “antiglobalismo” ou o reforço do “orgulho nacional”, dialoga com essa multipolaridade? Estaria o multilateralismo, conceito claramente ligado àquele de multipolaridade, diante de um novo panorama, como a perene – e agora reforçada – crise na Organização Mundial do Comércio demonstra? E, mais ainda, como os movimentos sociais e as organizações internacionais não-governamentais atuam nesse contexto?

Em tempo, estamos vivendo sob a pandemia do Covid-19. Além dos desafios impostos a ciência e a medicina sobre os efeitos desconhecidos dessa nova doença e as possibilidades de cura, essa nos impõe mudanças de paradigmas sociais, políticos e econômicos. O isolamento social, recessões econômicas, fechamento de fronteiras, a luta dos países pelo controle do sistema de saúde, afetarão a polaridade dos agentes internacionais de uma maneira sem precedentes. Como isto influenciará na ordem multipolar que vinha se desenvolvendo?

Ademais, estudos com objetos como as articulações e/ou avanços de agendas em organizações internacionais, casos de aplicação do Direito Internacional, organização a nível internacional de movimentos sociais, conflitos militares e questões migratórias são, também, muito bem-vindos, pois ajudam a compreender o desenvolvimento do internacional nesses últimos 30 anos de multipolaridade. E, porque não, questionar a própria definição do panorama atual como “multipolar”?

A nova edição da Revista Aurora – Revista Discente do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais da UNESP de Marília – convida a todas e todos que tenham textos para contribuir neste debate a submetê-los para a organização de nosso próximo dossiê temático: “A MULTIPOLARIDADE NUMA ENCRUZILHADA? Quais as perspectivas para o Internacional passados 30 anos de uma ordem multipolar?”.

Também receberemos trabalhos variados na seção Miscelânea (fluxo contínuo), conforme consta nas Normas de Publicação.

O prazo final para submissões do dossiê é: 05 de Junho de 2020

Atenciosamente,
Equipe Editorial.