Próxima edição: Chamada v. 12 n. 2 (2019) – QUAIS SÃO OS IMPACTOS DAS MEDIDAS NEOLIBERAIS NO MUNDO DO TRABALHO?

2019-05-13

Nos anos 1970 as sociedades que compõem o centro do capitalismo estavam imersos em uma grave crise econômica e social. O fim da reconstrução da Europa Ocidental e do Japão, no período Pós-Guerra acirrou a concorrência internacional. O surgimento de novos mercados, como o eurodólar, a contração do crédito estadunidense, os choques do petróleo e a recém-industrialização da periferia do capitalismo, somam alguns elementos dessa crise de múltiplas determinações que, de fato, contribuíram para a compressão da taxa de lucro dos países centrais.

Nesse mesmo período histórico, ganha força explicativa para o colapso fordista-keynesiano o excesso de intervenção do Estado, afetando a saúde e eficiência das finanças globais. A ideologia liberal dos anos 1930 ganha força nos anos 1970 com uma nova roupagem: neoliberalismo. Apresentando-se como um projeto político pragmático cuja oferta era a saída da crise, inspirou políticas concretas: para além da experiência na ditadura militar Chilena (1973-1990), nos governos de Ronald Reagan (1981-1989) nos Estados Unidos e Margareth Thatcher (1979-1990) na Inglaterra.

O ajuste estrutural apresentado como alternativa para os países saírem da crise, tornou-se pauta mundial com amplo apoio do Banco Mundial e do FMI. A estratégia neoliberal consistiu em desmontar o Welfare State, os sindicatos, os direitos dos trabalhadores, diminuir os gastos públicos com políticas sociais, desregulamentar e financeirizar a economia, além de traçar novas diretrizes para atuação do Estado.  Convergindo com a reestruturação do capitalismo, as transformações ocorridas na dinâmica de acumulação inseriram no mundo do trabalho novas formas de produzir desencadeadas pelos processos de inovações tecnológicas, organizacionais e produtivas, dentre as quais o toyotismo e suas formas flexíveis de acumulação ganham maior destaque.

Para tentar elevar a taxa de lucro – e assim superar a crise – o capital necessitou aprofundar cada vez mais as reformas que resultam na piora na qualidade de vida da classe trabalhadora. Assim como nos anos 1970-1990, atualmente o mundo encontra-se em uma crise econômica e social de graves proporções cujo início se deu com a crise mundial de 2008/2009. Desta forma, uma nova dinâmica parece ser cada vez mais patente para os trabalhadores: uma nova divisão internacional do trabalho que reafirmará o papel de subalternização dos trabalhadores com a precarização, informalidade, instabilidade de emprego, insegurança, fragmentação do trabalho, individualização, terceirização, flexibilidade e novos contratos de trabalho, rebaixamento dos salários, reformas previdenciárias, elevação no custo e rebaixamento da qualidade de vida dos trabalhadores.

Além disso, os elementos supracitados desta nova dinâmica do capital possuem também por consequência o aprofundamento dos adoecimentos (LER, DORT, Síndrome de Burnout e outros adoecimentos psicológicos) que apontam correlação com a estrutura e organização do trabalho toyotista, flexível, que muitas vezes converge em abusos, assédios, humilhações, condições impróprias de trabalho, baixos salários, desemprego estrutural, superexploração do trabalho e, no limite, suicídios.

Penalizam, no conjunto da classe trabalhadora, sobretudo as mulheres; no interior da sociedade competitiva e de classe, a desigualdade vivenciada pelas trabalhadoras perpetua as relações sociais de sexo/gênero tanto na esfera produtiva, como na esfera reprodutiva. Nesse sentido, a heterogeneidade da classe trabalhadora em relação ao gênero, sexualidade, etnia e nacionalidade tem se mostrado, em maior ou menor medida, como elemento fundamental para expansão do capital.

Nesse panorama, a Revista Aurora convida alunas e alunos de pós-graduação a refletir: como as Ciências Sociais podem contribuir para a compreensão das transformações do trabalho, da política, da cultura, das relações de gênero, etnia e sexualidade no mundo contemporâneo frente aos avanços das políticas neoliberais?

Ou seja, o principal interesse neste dossiê é apresentar trabalhos que reflitam sobre a contemporaneidade da relação entre capital e trabalho e suas metamorfoses. Pesquisas que se debruçam sobre sindicatos, Estado, movimentos sociais, teoria política do trabalho, da economia, da psicologia do trabalho, relações internacionais e divisão internacional do trabalho, que busquem evidenciar a nova fotografia do mundo do trabalho e seu movimento de luta e resistência, são todas muito bem-vindas.

Diante de todo esse panorama, a nova edição da Revista Aurora – Revista Discente do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais da UNESP de Marília – convida a todas e todos que tenham textos para contribuir neste debate a submetê-los para a organização de nosso próximo dossiê temático: “QUAIS SÃO OS IMPACTOS DAS MEDIDAS NEOLIBERAIS NO MUNDO DO TRABALHO? Como as Ciências Sociais podem contribuir para a compreensão das transformações do trabalho, da política, da cultura, de gênero, etnia, sexualidade no Brasil e no mundo frente ao avanço das políticas neoliberais?”.

Também receberemos trabalhos variados na seção Miscelânea (fluxo contínuo), conforme consta nas Normas de Publicação.

O prazo final para submissões do dossiê é: 01 de setembro de 2019

Atenciosamente,

Equipe Editorial.